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A sustentabilidade na comunicação gráfica

17/03/2008 - 00:03
Por: Fabio Arruda Mortara, M.A., MSc., empresário, é presidente da Regional São Paulo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).

A indústria gráfica busca adequar-se à realidade das mudanças climáticas e à prioridade da preservação. Embora sua resposta à demanda da sustentabilidade seja efetiva, em especial no aprimoramento de suas tecnologias e processos, ainda há questionamentos ecológicos quanto à atividade de imprimir. Assim, cabe à cadeia produtiva da comunicação gráfica, incluindo a imprensa e as lideranças setoriais, a responsabilidade de prestar transparente esclarecimento à opinião pública.

Hoje presente na indústria gráfica e em todos os ramos industriais, o conceito contemporâneo de “desenvolvimento limpo”, que se opõe ao modelo devastador que prevaleceu durante séculos, é focado na mudança de hábitos e atitudes. Nesse contexto, sustentabilidade pode ser definida como a forma de desenvolvimento capaz de garantir as necessidades das presentes e futuras gerações. Entretanto, a sua implementação ainda tem muito a evoluir.

Impõe-se entender com precisão a natureza ambiental do negócio da comunicação gráfica e adaptá-lo aos novos tempos. Porém, como fazê-lo? As respostas não se apresentam acabadas, mas proponho uma metodologia de raciocínio e idéias para esse debate. Ao analisarmos nossa cadeia produtiva, temos de lutar para que haja atenção e busca obsessiva e permanente por formas sustentáveis.

Muito antes de focar a impressão, há que se perseverar na busca da regularização de florestas, da certificação da madeira, do uso do solo e do manejo correto das matas. Tintas e processos produtivos ambientalmente mais corretos também devem ser alvo dos anseios do setor na busca por práticas sustentáveis. Nesse sentido, iniciativa louvável é o FSC (Forrest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal), que promove, desde 1996, o manejo responsável de florestas em todo o Planeta. No Brasil, trabalho similar é realizado pela ong Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola).

No interior das gráficas, muitos já são os avanços. Exemplo disso foi o lançamento do Manual Técnico-Ambiental da Indústria Gráfica, pela Abigraf, Sindigraf-SP e a ABTG. Entretanto, ainda há muito o que fazer. Temos de buscar construções mais arejadas e com iluminação natural, diminuindo a necessidade de ar condicionado e luz artificial; dar destinação sempre adequada aos efluentes e resíduos sólidos; reduzir cada vez mais o tempo e quantidade de insumos para o acertos das máquinas; e pesquisar papéis mais resistentes e embalagens mais finas e facilmente degradáveis ou recicláveis, tintas biodegradáveis e métodos mais adequados de limpeza de máquinas e periféricos. Preconizamos, ainda, maior controle de gastos de insumo por produto gerado e a criação de indicadores-meta para a produção limpa.

No campo institucional, a missão do setor é igualmente importante e complexa. É imprescindível sensibilizar as entidades reguladoras e fiscalizadoras municipais, estaduais e da União para que entendam melhor o negócio gráfico, no qual predominam as empresas de pequeno porte. Assim, o estabelecimento e a divulgação de metas factíveis e requisitos economicamente viáveis são primordiais para que a sustentabilidade seja uma realidade horizontal.

Finalmente, é importante ampla clareza, por parte da sociedade, governos e formadores de opinião, de que a comunicação gráfica continua sendo a principal difusora do conhecimento. Ou seja, é mídia decisiva para que toda uma geração seja conscientizada sobre a premência da sustentabilidade.

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