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Após investimento em seu parque de impressão, Fundação Dorina Nowill pode produzir até 450 mil páginas braille por dia

08/01/2019 - 17:01

Nascida em maio de 1919, na capital paulista, Dorina de Gouvêa Nowill ficou cega repentinamente, aos 17 anos, em consequência de uma doença não diagnosticada. A partir da perda completa da visão, ela começava a fazer história e a construir os pilares da instituição que, no futuro, levaria seu nome e sua causa.

Percebendo a carência de livros em braille, criou a Fundação para o Livro do Cego no Brasil - hoje, Fundação Dorina Nowill para Cegos - que iniciou suas atividades em 1946 com a produção e distribuição de publicações acessíveis justamente pelo sistema braille.

No ano em que Dona Dorina completaria 100 anos (ela faleceu em agosto de 2010, aos 91 anos), a Fundação Dorina Nowill para Cegos segue o legado indo além da produção de livros em braille. Mas as comemorações do Centenário da fundadora começam lembrando do primeiro compromisso da entidade com as pessoas com deficiência visual.

No dia 4 de janeiro, Dia Mundial do Braille, a Fundação Dorina Nowill para Cegos amplia seu parque gráfico, incorporando 26 novas impressoras digitais de braille e, consequentemente, aumentando sua capacidade de produção para até 450 mil páginas braille por dia.

"Considerando as referências que temos no Brasil e no mundo, a expansão da nossa Imprensa Braille coloca a Fundação Dorina Nowill para Cegos como uma das maiores gráficas do sistema no mundo", diz Alexandre Munck, superintendente da instituição.

"Para as editoras, empresas e prestadoras de serviço do país, é a chance de viabilizar a acessibilidade de publicações, embalagens, cardápios e demais materiais gráficos. Para as pessoas com deficiência visual (6,5 milhões no Brasil, de acordo com as últimas estatística), a esperança de ter garantido o seu direito ao acesso à informação e educação", completa.

Ainda garota, Regina Oliveira encontrou no braille a ferramenta fundamental para sua alfabetização e independência. Regina nasceu com glaucoma, diagnosticado nos seus primeiros três meses de vida. Identificada a doença, seus pais buscaram por uma cura junto aos médicos, mas, aos 7 anos, ela perdeu por completo a visão. Em casa, sua mãe havia começado a ensinar as letras do alfabeto. Mas Regina queria frequentar a escola junto com as outras crianças. Ainda pequena, teve seu primeiro contato com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, onde foi alfabetizada em braille. Depois, estudou com as demais crianças do bairro na escola regular, contando com os livros didáticos produzidos na instituição.

"Toda criança cega deveria ter garantido o direto de ser alfabetizada e de ter acesso a livros didáticos em braille. Direito esse previsto por programas e leis federais, como a LBI - Lei Brasileira de Inclusão. Mas, lamentavelmente, essa ainda não é a realidade. Nosso país é muito grande, assim como a quantidade e a diversidade de livros adotados nas escolas. Por isso, acreditamos que muitas crianças ainda são carentes do sistema braille, o único formato natural de leitura e escrita capaz de alfabetizar e de apresentar fórmulas e símbolos de química e matemática, por exemplo", diz Regina Oliveira, Coordenadora de Revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro do Conselho Mundial e do Conselho Ibero-americano do Braille.

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