I Fórum Graphprint de Tecnologia e Gestão da Indústria Gráfica | Recife


I Fórum Graphprint de Tecnologia e Gestão da Indústria Gráfica | RecifeEvento agita a indústria gráfica local

Evento realizado em Recife espelha a necessidade da Região Nordeste em ter informações relevantes do meio gráfico. Próxima parada do Fórum Graphprint é a cidade do Rio de Janeiro.

No ano em que a indústria gráfica pernambucana completa 194 anos de existência – o primeiro impresso foi o boletim “Preciso”, impresso na Oficina Tipográfica da República de Pernambuco, no dia 28 de março de 1817 – a Agnelo Editora, por meio da revista Graphprint, decidiu realizar o I Fórum Graphprint de Tecnologia e Gestão da Indústria Gráfica - Região Nordeste.

Realizado de 8 a 9 de junho, no Mar Hotel, o evento, que contou com a participação de 150 pessoas (nos dois dias), desembarcou na região, pois o Nordeste é forte e competitivo na indústria gráfica também.

Prontas e ansiosas para atenderem a qualquer tipo de demanda, as gráficas da região, além da tradicional demanda offset, miram dois mercados: embalagens e digital. Segundo dados do Estudo Setorial da Indústria Gráfica, divulgado pela Abigraf Nacional em 2009, os Estados de Pernambuco, Ceará e Bahia concentram 63% das empresas e 67% da mão de obra empregada.

Durante a palestra 'Perfil econômico da Região Nordeste: Cenário atual e perspectivas de crescimento', conduzida por Airton Saboya Valente Junior, gerente de Coordenação de Estudos e Pesquisas Macroeconômicas, Industriais e de Serviços - ETENE - Banco do Nordeste, disse que o PIB brasileiro em 2011 deverá ser de 4,2%, e o do Nordeste, de 4,4%. 'Os investimentos públicos previstos no Nordeste serão de R$ 32,5 milhões, e a expansão do crédito, de 17%', falou Valente, acrescentando que as expectativas do BNB/ETENE apontam para um crescimento de 4,1% para o crescimento da produção física industrial no Brasil e de 3,7% para o Nordeste, ambas em 2011.

O evento contou com o apoio das seguintes entidades: Abigraf (Pernambuco); Abigraf (Maranhão); Sindusgraf (Pernambuco), e Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica (Afeigraf). Os patrocinadores foram: Adecol; Agfa; Alphaprint; Control Union; Heidelberg; Heliocolor; Kodak; KSR; Prolam; Protograf; Real Graphics e SPP-Nemo.

O pilar fincado na sustentabilidade

Após a cerimônia de boas-vindas foi a vez de Marcelo Moraes, consultor de negócios da Agfa para a Região Norte e Nordeste, ministrar a palestra “Novas tendências para a Indústria Gráfica e como inovar, reduzir, custos e agregar valor para a marca agregando processos e produtos mais sustentáveis”.

“A chapa verde nada mais é do que uma solicitação da própria indústria gráfica. Conseguimos produzir chapas que atendem todas as características industriais e ecológicas, ou seja, produtos livres de químicos e com estabilidade no processo. As chapas verdes apresentam imagens de alto contraste para medições e revisão de falhas. A Agfa desenvolveu a Thermofuse, que é líder de sistemas sem processo. A :Azura e :Azura TS são as únicas que não usam solventes em seu processo de fabricação. Já para soluções ambientais a Agfa possui amplo portfólio, inclusive com tintas para variedade de aplicações, pois a companhia nasceu fazendo tintas”, disse Moraes acrescentando que as empresas devem procurar processos sustentáveis, parceiros leais e cobrar o preço justo, pois sem lucro nenhuma empresa sobrevive.

Softwares de gestão: melhorando a vida do gráfico

Marcos Proto, engenheiro de processos gráficos da Protograf, falou sobre “Otimização e Controle de Gestão na Indústria Gráfica”. Proto, oriundo do ambiente gráfico, atuou durante 34 na indústria e identificou alguns obstáculos: “Chegava às empresas e percebia que o software adquirido era usado em partes. Por isso, desenvolvemos uma metodologia de trabalho que se chama GrafControl. Sem metodologias só há desperdício de dinheiro. Por isso, por meio da metodologia, criamos formas de planejar, executar e agir corretamente”, explica Proto.

O futuro é longo e não muito previsível

Paulo Faria, gerente de divisão da Heidelberg, ministrou a palestra “Novas perspectivas para o mercado gráfico: o futuro da impressão; tendências (ecologia, produtividade e diferenciação)”. Faria explicou que antes de qualquer possível discussão as informações citadas são oriundas do mercado externo, logo, podem, ou não, tornarem-se realidade no Brasil. “Na década de 90 falávamos de verniz em linha e muitos gráficos torciam o nariz. Hoje não se vende máquina no Brasil sem verniz em linha. Outra tendência é a máquina longa”, adianta Faria.

Faria disse que é muito complicado adivinhar o que vai acontecer em 2015, por exemplo, mas que o mercado gráfico está crescendo, isso é fato. “A Heidelberg se preocupa com o impacto ecológico. No exterior, a sustentabilidade é coisa muita séria; o governo, inclusive, fornece alguns benefícios para quem imprime de uma maneira ambientalmente correta. Atenção ao consumo de energia é outra realidade”, disse.

A certificação FSC

Julio Chagas Pelegrineli, engenheiro florestal e certificador de cadeia de custódia FSC da Control Union Certifications BV, discorreu sobre o tema “Certificação Forest Stweardship Council: Nova exigência do mercado, a sustentabilidade. Empresas do setor não só necessitarão se adaptar a esta nova realidade como também implementar e manter novos conceitos de políticas e de gestão.

Pelegrineli indagou à plateia quem detinha informações sobre o selo FSC e para surpresa geral poucos já estavam familiarizados. Foi a oportunidade que faltava. “O selo FSC está presente em mais de 58 países; no Brasil são mais de 6 milhões de hectares, mas não se enganem, pois isso ainda não é nada. É preciso se planejar, passar por auditorias anuais, quando conquistado o selo, e auditorias extras em caso de denúncias por exemplo. De uma forma resumida e rápida a visão do FSC é que a indústria passe a lidar com florestas de todo o mundo utilizando-se de meios de manejo responsáveis e ambientalmente favoráveis nas florestas onde o manejo existe”, falou Pelegrineli.

Gestão familiar e sucessão

Rodrigo Baraldi, advogado e sócio do escritório Baraldi e Bonassi Advocacia Empresarial, falou sobre um tema que interessa a quase a totalidade dos gráficos brasileiros, quiçá, mundial: “Gestão Familiar e Sucessão nas Indústrias Gráficas”. De acordo com a apresentação de Baraldi, empresas familiares caracterizam-se quando um ou mais membros, de uma ou mais famílias, detêm o controle administrativo/gerencial da sociedade, exercendo-o em sua plenitude, independentemente de sua participação no capital social da sociedade empresária. Em 2010, as empresas familiares foram responsáveis por US$ 61,963 trilhões do Produto Interno Bruto (mundial).

Catequização do valor agregado

Formado em administração de empresas pela PUC-SP e diretor de marketing da Prolam, Marcos Marcello, por meio da apresentação 'Termolaminação: inovação, diferenciação e vantagem competitiva: Conceitos e Mercados; Inovação, diferenciação e vantagem competitiva; métodos que agregam mais valor ao impresso e ao negócio; Tipos de Produtos e Aplicações; Interação entre os diversos tipos de Acabamento e Equipamentos para Aplicações dos Filmes Termolamináveis', bateu forte no quesito valor agregado.

“Como precursora da termolaminação no Brasil, um mercado de 10 anos somente, a Prolam sabe que há 20 anos o acabamento gráfico não era visto como um ponto importante dentro da cadeia. Ao semearmos a termolaminação no mercado, as empresas percebem positivamente a drástica mudança de seus produtos e despertam o mercado. A termolaminação não se destaca somente por meio do efeito visual, mas por que é uma base que acolhe os processos subseqüentes, como o hot stamping e o verniz UV, que, sem dúvida alguma, também, diferenciam os impressos”, disse Marcello.

Segundo dia do evento

O presidente da Abigraf-PE, Eduardo Carneiro Mota, abriu o segundo e último dia do evento. “Com base nos indicadores setoriais e nos resultados apresentados podemos atribuir ao setor gráfico pernambucano algumas qualidades: grande, pelas dimensões de seus números e por sua relevância econômica e social; onipresente, por sua forte ocorrência em todos os municípios do Estado; indispensável, por sua quase inesgotável gama de produtos e serviços, com aplicações nos mais diferentes campos de atuação das empresas, instituições e, principalmente, no dia a dia das pessoas; resistente, pela longevidade de suas indústrias; aberto, povoado por empresas de todos os portes e formatos, sem impor barreiras relevantes à entrada de novos competidores e concorrido, pois apresenta grandes e médias empresas competindo com micro e pequenos produtores na maioria dos segmentos clientes do setor. Hoje não apenas vamos à luta com investimentos em inovação, qualificação e marketing. Quando falo em inovação, refiro-me às boas práticas de gestão e também ao desenvolvimento tecnológico dos equipamentos. Segundo dados da Abigraf Nacional, entre os anos de 2008 e 2010, a indústria investiu R$ 4 bilhões em equipamentos e os investimentos geraram, em 2010, 11 mil postos de trabalho. Em 2011, a maioria das empresas fornecedoras do setor consultadas avalia que a região deve crescer no mercado gráfico a uma taxa de 5% nos próximos anos. Um dos principais fatores de transformação, apontam, será a migração dos equipamentos analógicos para os digitais”, enumerou Mota.

Vernizes para embalagens

Na apresentação sobre 'Vernizes de sobreimpressão (VSI) para embalagens semirrígidas', Marcio Bertossi, gerente industrial da Heliocolor, empresa especializada na produção e desenvolvimento de vernizes de sobreimpressão há 22 anos, disse que estes produtos têm a finalidade de conferir acabamento superficial e mecânica à superfície impressão.

O tema da apresentação se refere aos vernizes atualmente existentes para aplicação na área de impressão offset, nomeadamente vernizes à base de água e de secagem por cura UV. “Atualmente aplica-se vernizes base d’água ‘in line’ para quase todo serviço, para se obter ganho em produtividade. Em superfícies diferentes o nível de brilho dos vernizes base água varia. Cartões ou papéis bem acabados superficialmente apresentam brilho superior do verniz. A variação de brilho dos vernizes UV em diferentes suportes é praticamente desprezível”, explicou Bertossi.

Em busca dos lucros em plena era digital

Salvador Sindona, customer Business Development da Alphaprint e especialista em impressão digital high end em cores, pós-graduado em administração de empresas, com diversos cursos de extensão técnica e comercial no exterior, durante a apresentação 'Oportunidades de negócios lucrativos na era digital brasileira: desafios atuais, tendências de mercado, inteligência competitiva e proposta de soluções', mostrou as possibilidades reais de se obter lucro em plena era digital. “O crescimento populacional no mundo e a economia aquecida geram comunicação e papel; de uma forma geral, são responsáveis pela comunicação. Ter informação é ter poder e isso transforma a maneira de planejamento e como olhamos o nosso negócio. Novas tecnologias impactam positivamente os mercados; na área de jornais, por exemplo, há um grande impacto e os que crescem hoje em dia são de distribuição gratuita. Não podemos fechar os olhos para a segmentação; os trabalhos não estão sumindo, estão se segmentando. Tem muita gente que ainda compra equipamento gráfico pensando exclusivamente em preço. A digitalização e a expansão do consumo levam à diferenciação”, falou Sindona.

Reforçando a certificação FSC

Marcos Proto, engenheiro de processos gráficos da Protograf, mostrou aos participantes, a importância de se obter a certificação FSC. ““As indústrias gráficas procuram a certificação, pois os clientes pedem. Depois, se cliente parar de comprar, por uma série de motivos, a empresa acaba desistindo de manter a certificação, quando, na verdade, a ideia da sustentabilidade deveria ser mantida. O sentido de participar do FSC é a responsabilidade transmitida, é entrar numa organização mundial que pensa no ambiente. Temos de ser responsáveis pelos atos e agir de forma leal com o ambiente. Não adianta querer ter o selo FSC por obrigação. Quero mostrar nessa apresentação que conquistar o selo FSC é fazer parte de uma cadeia universal que se preocupa, de fato, com o ambiente. Participamos com a nossa conduta, como vigilantes. A certificação é para o bem de todos”, avaliou Proto.

O futuro da indústria gráfica

Silvio Nicolas, consultor gráfico, foi contratado pela SPP-Nemo para falar sobre o futuro da indústria gráfica. “A globalização trouxe como consequência o acelerado crescimento da concorrência e a qualidade deixou de ser diferencial. Há necessidade crônica por um menor desperdício e vários indicadores de novos negócios, como a Copa do Mundo de 2014. Temos de virar isso para os clientes, centralizar a demanda para a indústria gráfica”, defendeu Nicolas.

A automação se faz necessária

Na palestra 'Automação em pré-impressão', Enio Zucchino, gerente de marketing de produto de pré-impressão para o Cone Sul da Kodak, tratou das tecnologias mais avançadas para automação de processos na pré-impressão. O objetivo foi demonstrar como uma gráfica pode automatizar tarefas repetidas, diminuindo a possibilidade de erros e disponibilizando tempo dos operadores para trabalharem em outras tarefas mais relevantes.

Fixando os impressos

Fernando Cardoso, gerente nacional de vendas da Adecol, mostrou, durante a apresentação 'Adesivos de alta performance para indústria gráfica', as soluções da empresa para o mercado. O adesivo, um material não metálico, é capaz de unir dois ou mais substratos por meio da união de superfície.

Os fatores de desenvolvimento do mercado

Com o título 'Mercado gráfico: principais fatores de desenvolvimento', Hamilton Terni Costa, diretor da AN Consulting, encerrou com brilhantismo o I Fórum Graphprint de Tecnologia e Gestão da Indústria Gráfica. “Estamos em pleno era da mudança. A impressão divide espaço com novos meios. Já há uma geração nascida no aspecto digital; hoje os arquivos se hospedam em nuvens e a internet passa a ser a plataforma da indústria. O tema “Futuro da Indústria Gráfica” é tratado sempre e em cada plateia que me apresento, chega a ser engraçado, a expectativa e o momento são diferentes. No DSCOOP, evento realizado na Flórida, os participantes falaram que o mercado está acabando; no México evolui e na Colômbia está estagnado. Agora chego a Recife e vejo a Região Nordeste com enorme capacidade de crescimento”, disse Costa.

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