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Equipamentos híbridos - Edição 85
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Tudo ao mesmo tempo agora
 
Ainda pouco disseminada no Brasil, a impressão híbrida tem pela frente um cenário promissor, pois atende o mercado gráfico em um de seus anseios mais urgentes: agregar valor ao produto impresso.
 
Fábio Sabbag
 

Quando chega o momento de adquirir um equipamento impressor o gráfico pára, pára, pára e pensa. Nunca a decisão é tomada de primeira. Uma das grandes novidades do mercado gráfico ultimamente é a impressão híbrida dos mais diversos substratos.

“Normalmente, as empresas procuram um equipamento com uma opinião mercadológica de atuação já formada. Entretanto, isso não é uma regra, e para as empresas que pensam nessa tecnologia como um diferencial é importante avaliar qual valor real que essa tecnologia trará para manter os clientes e atrair novos partindo do princípio de concorrência de diferenciação no mercado. O setor de embalagens e rótulos tem sido o mais promissor em termos de equipamentos híbridos por oferecer a possibilidade de produzir com alto grau de enobrecimento sem um grande acréscimo no custo final, justamente pelo fato de poder fazer todos os processos no mesmo equipamento em uma só passada”, diz Antonio Dalama, diretor comercial da Rotatek.

Para a Heidelberg, uma impressora híbrida é um equipamento que consegue imprimir com tinta convencional e tinta UV, além da tinta híbrida, uma tinta com características da tinta convencional e UV. Em uma impressora UV da Heidelberg é possível usar todos esses tipos de tinta. “Os segmentos de mercado que mais têm usado os recursos da impressão híbrida são os de embalagens e promocional”, falam Philipp Fries, gerente de aplicações especiais, e Lincoln Costa, gerente de produtos máquinas planas A1, ambos da fabricante alemã de equipamentos gráficos.

Hans Guenther, gerente de produto de impressoras planas manroland para a Man Ferrostaal, explica que além dos segmentos de embalagem e promocional, o editorial também tira proveito da impressão híbrida. “Os fabricantes brasileiros de embalagens, por exemplo, trabalham para multinacionais e, por isso, precisam adequar seus produtos às exigências desse mercado, fazendo que ganhem em nobreza e diferenciais”, opina.

Modelos para poucos?
GRAPHPRINT investigou se os modelos de impressão plana são para poucas empresas do mercado gráfico. Na opinião de Carlos Rosa, consultor de vendas da Comprint, não. “Até o início desta década, a impressão híbrida era um refinamento exigido por poucos clientes e ao alcance de muito poucos convertedores. Hoje, os convertedores oferecem esse tipo de impressão não apenas por exigência dos clientes, mas principalmente porque, em muitos casos, é economicamente mais vantajoso do que outros processos.”

Dalama acha relativo afirmar que são modelos para poucas empresas. “Depende da empresa e o quanto a empresa está aberta para mudar sua cultura produtiva e empresarial. Muitas têm medo por desconhecer o processo em si; outras empresas acreditam que fazer do jeito antigo é mais fácil e barato do que aprender algo novo. A mudança vem com a pressão da concorrência. Nesse momento sobressai a empresa que teve coragem de ser pioneira.”

Costa e Fries dizem que como são trabalhos diferenciados de altíssima qualidade, os produtos feitos com impressoras híbridas tendem a ter um custo de produção mais elevado e, portanto, têm um demanda menor. “Juntando isso ao fato de ser um investimento maior, se comparado a uma impressora convencional, somente gráficas especializadas nesse ramo oferecem esse serviço”, argumentam.

Guenther é enfático: “De maneira nenhuma. Prazo de entrega e preço já não seduzem mais os clientes por si só. Essa demanda busca um ‘algo a mais’. O mercado nacional segue a convergência global de embelezamento de seus produtos para se diferenciar da concorrência e ganhar mercado. Os equipamentos híbridos irão proporcionar a toda a cadeia produtiva a facilitação dos processos, com ganhos em termos de rentabilidade, e um enobrecimento do impresso. Dessa forma, podemos afirmar que existe potencial do mercado brasileiro para o investimento em equipamentos híbridos.”

Por falar em potencial...
Potencial há, mas especificamente no mercado brasileiro a impressão híbrida ainda não é um segmento tão grande. “Podemos dizer que o mercado que já possui equipamentos híbridos no Brasil ainda é restrito. Muitos empresários ainda acreditam que esse produto não é voltado para o mercado interno por ter um custo embutido que, teoricamente, não poderia ser repassado para o cliente gráfico. Mas a realidade não é essa: empresas gráficas de países com economias similares à brasileira, que também brigam por preço, como México, China e África do Sul, além de alguns países do Oriente Médio, já adquiriram a tecnologia. Essa é uma prova de que quando o produto final tem diferenciais, o cliente assume seu custo”, aposta Guenther.

Rosa fala que especificamente no segmento de auto-adesivos a impressão híbrida não substituirá a flexografia modular. “Lotes pequenos, tintas metálicas, grandes deposições de tinta são melhor atendidos pela flexografia. Porém, lotes médios ou grandes, onde a exigência seja a repetibilidade de cromias complexas, serão sempre melhor atendidos pela impressão híbrida. A tecnologia é relativamente recente, mas já se observa tendência de opção por ela em novos investimentos, inclusive em gráficas onde predominava a flexografia modular para todas as aplicações”, acrescenta Rosa.

Para Dalama, o mercado não é pequeno, porém é possível que não tenha a mesma badalação que outros segmentos. “Entretanto, começa a despontar como um dos mais cobiçados por apresentar o maior número de novidades no setor gráfico. Hoje, vemos grandes empresas do setor comprando empresas que não atuam em seu mercado tradicional. Prova disto é a aquisição da Moore formulários pela RR Donnelley editora, empresas com segmentos distintos do mesmo mercado e que se complementam em negócios. Isto é uma tendência assim como grandes empresas adquirirem empresas menores pela sua eficiência no mercado, e as máquinas híbridas estão inseridas neste contexto. As máquinas híbridas têm uma atuação muito maior do que se imagina. Muitos pensam em máquinas híbridas e tradicionalmente lembram do segmento de rótulos e etiquetas. Porém, esta história começou já na fase de evolução dos impressos de segurança no início dos anos 80. Naquela época alguns fabricantes de máquina já faziam combinações de processos de impressão e acabamento em linha, como é o caso da Rotatek”, explica o diretor comercial da empresa.

Comportamento do mercado em 2008
De acordo com Fries e Costa, as vendas para este tipo de aplicação estão crescendo. “Fato é que cada vez mais os clientes das gráficas procuram um diferencial tanto de formato como aplicações especiais e o uso de substratos especiais”, acrescentando que a busca dos clientes por trabalhos diferenciados aumentou o uso da impressão híbrida em materiais promocionais especiais.

A Drupa auxiliou ainda mais o mercado híbrido. “Após a Drupa, o mercado ficou bastante agitado por conta das novidades deste tipo de equipamento e mais ainda pela facilidade do offset com troca de formatos por camisas e sendo inserido em mercados muito diferenciados e totalmente dominado por outros processos de impressão. A questão das curas como o UV e o EB também fazem a diferença neste crescimento, uma vez que acrescentaram o fator de não haver restrições quanto a níveis tóxicos para aplicações em alimentos. As barreiras impostas à impressão UV em embalagens de alimentos foram regulamentadas”, explica Dalama.

Guenther afirma que os gráficos brasileiros estão mais atentos ao valor agregado que um equipamento híbrido traz para a empresa. Rosa também fala em crescimento, mas não pode ainda quantificá-lo.

Qual tiragem?
É importante saber com qual tiragem a impressão híbrida se relaciona melhor. “É mais adequada para lotes médios ou grandes, principalmente se a impressora exigir a troca de uma cassete na troca de formato. Já as máquinas com tecnologia Variable Sleeve Off Set Printing (VSOP) podem atender com vantagens lotes menores”, avalia Rosa.

Na opinião de Guenther, a impressão híbrida se relaciona com todas as tiragens, mas é mais indicada para as pequenas e médias. Pelo valor os equipamentos são mais usados nas médias e grandes tiragens, segundo Fries e Costa: “Sobre a aplicação da tinta UV ou híbrida não temos influência técnica em relação à tiragem. Comercialmente este tipo de equipamento é mais usado para tiragens médias e grandes pelo valor de investimento da impressora e pelo custo de produção do material, que tem um nicho de mercado bem mais específico”, opinam.

Dalama observa que depende do equipamento e da proposta deste equipamento. “Hoje em dia existem máquinas híbridas para atuar em praticamente todos os segmentos de forma competente e econômica em qualquer quantidade”, completa.

Papo rápido

Mesclar tintas e vernizes em uma única passada é um diferencial importante?

Dalama: “Importantíssimo, pois economiza tempo, mão-de-obra produtiva e diminui etapas do processo.”

Fries e Costa: “As principais vantagens de fazer tudo em uma única passada são a produtividade na impressão, qualidade do impresso e valor agregado. Se pensarmos em uma aplicação convencional, o verniz é uma maneira rápida e eficiente de proteger a superfície do papel ou cartão, para poder imprimir o outro lado ou enviar o material direto para o acabamento sem ter que esperar a tinta secar. No caso da tinta UV não acontece uma mistura entre tinta e verniz porque a tinta já está curada antes de entrar no castelo de verniz. Neste caso, o verniz não tem a funcão de proteção, mas apresenta valor agregado em relação ao brilho ou efeitos especiais.”

Guenther: “Hoje em dia, muitas gráficas já trabalham com UV, o que deixou de ser uma novidade. O grande diferencial destes equipamentos híbridos é que dois ou mais processos acontecem em uma só máquina. A manroland foi pioneira em apresentar o Inline Foiler (coldstamp) ao mercado gráfico mundial. A maior vantagem deste tipo de tecnologia é a redução de processos, na medida em que otimiza a produção interna juntando várias etapas e produzindo tudo em uma só passada. Antes só era possível a aplicação de acabamentos diferenciados após a impressão. A aplicação do acabamento era feita offline. Agora tudo pode ocorrer em linha. Aplica-se, inline, o coldstamp, imprimindo ao lado ou em cima da película, em uma só passada. Comparando-se com os processos segmentados, nota-se uma redução significativa de mão-de-obra, material, tempo, gargalos, etc. E, em termos de produtividade, o processo híbrido não reduz a velocidade do equipamento”

Rosa: “Sim, pois permite a otimização do processo”

Upgrade?

Fries e Costa: ”O upgrade pode ser feito, mas na maior parte das vezes isso não acontece. Quando o cliente importa os equipamentos UV separadamente, o valor do investimento aumenta significativamente em relação à importação de uma máquina já equipada com os secadores UV. Assim, é mais fácil adquirir uma impressora nova já com os acessórios e recursos de impressão híbrida de fábrica. A Heidelberg está atenta a esta tendência e oferece equipamentos que mantenham uma alta produtividade. Se um fornecedor está envolvido no processo de produção da máquina, como no caso da IST, que fornece secadores UV para as impressoras da linha XL, a Heidelberg trabalha em um sistema de parceria para que os secadores, no caso, já saiam de fábrica instalados, testados e totalmente integrados à máquina.”

Guenther: “As impressoras Roland 500, Roland 700 e Roland 900, da manroland, permitem que se faça upgrades, transformando-as em equipamentos híbridos.”

Rosa: “Em geral, não há possibilidade de upgrade, e a adoção desta tecnologia deve ser feita no momento de um novo investimento.”

Dalama: “No caso da Rotatek, os clientes podem fazer upgrades ou adquirir máquinas novas. Esta sempre foi uma característica marcante em nossos equipamentos: o cliente tem a possibilidade ampliar o número de cores mesclando tecnologias de impressão, agregando módulos de enobrecimento e acabamento em linha.”

Produtos

Comprint
A Comprint tem duas opções, uma delas específica para o mercado de rótulos e embalagens auto-adesivas - Gidue Xpannd - e a outra para substratos variados - Drent Goebel VSOP.

A Gidue Xpannd é uma impressora extramamente competitiva para o segmento de rótulos e embalagens auto-adesivos. Tem como principais características a baixa velocidade de ajuste (jogging), a consitência de cor e a padronização offset. A impressora está certificada pelo SID(D) para fabricantes de impressoras offset, com qualidade similar a das melhores máquinas planas; os ajustes de impressão são automáticos, permitindo ao operador o foco em excelência e produtividade; a troca de formato é feita através de um cassete leve e compacto, armazenado em frente a impressora, com manuseio seguro, organizado, rápido e eficiente.

Já a Drent Goebel VSOP é uma impressora larga, muito veloz e com troca de formato extremamente fácil e rápida: apenas dois cilindros leves e de fácil manuseio são trocados.

Heidelberg
Todo o portfólio de impressoras planas da Heidelberg pode ter este recurso. Speedmaster SM 52; Speedmaster SM 74; Speedmaster XL 75; Speedmaster SM 102; Speedmaster CD 102 e Speedmaster XL105

Man Ferrostaal
A Man Ferrostaal disponibiliza a Roland 500, Roland 700 e Roland 900. Estes equipamentos têm como ótimo opcional o inline Foiler Prindor: o sistema permite a aplicação de cold stamping em linha, utilizando duas unidades de impressão, nas mais diversas estampas existentes. Imprimindo papel e cartão em diversas gramaturas.

Rotatek
Todos os modelos de máquinas da Rotatek podem tornar-se híbridos. A empresa trabalha baseada em um conceito criado há muitos anos: “Combi” (Combinação de processos em linha).

 
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