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14º Congraf - Edição 85
Sumário
Valor agregado dos impressos tende a aumentar
 
Apesar da crise, espera-se crescimento para a indústria gráfica em 2008. Conforme dados apresentados no Congraf, a modernização implantada nos últimos anos tem garantido a competitividade e resultados positivos ao setor, como o aumento de 1,23% na produção, 3,4% no número de gráficas e 3,7% no volume de empregos.
 
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente

O 14° Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica (Congraf) foi realizado entre os dias 14 e 17 de outubro no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo. O evento, que também comemora o bicentenário da atividade no Brasil, teve como principal palestrante o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Participaram ainda Laurentino Gomes, jornalista e autor do best seller “1808” (obra que se tornou referência para conhecer a história do País, inclusive da área gráfica); José Carlos Teixeira Moreira, presidente do Instituto de Marketing Industrial; Thomaz Souto Corrêa, membro do Conselho de Administração do Grupo Abril e ex-presidente da Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas); Sérgio Abranches, analista de risco político e comentarista da rádio CBN; Luiz Fernando Garcia, diretor nacional do curso de comunicação da ESPM, e outros. Dados divulgados no encerramento do 14º Congraf apontam que o setor, apesar da crise financeira mundial, deverá crescer 1,25% nos próximos seis meses. A indústria gráfica brasileira, segundo ranking divulgado pelo US Census Bureau, é a oitava maior do mundo.

A despeito da crise financeira internacional, estimativas da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), promotora do Congraf, indicam crescimento de 1,25% para o setor nos próximos seis meses. O presidente nacional da entidade, Alfried Plöger, revela que, no período, o número de empregos deverá registrar expansão de 4,1%, e os investimentos, 33,7%. Em contrapartida, as exportações de impressos deverão recuar 2,1%, ante aumento de 39,4% das importações. A balança comercial setorial ao final do ano tem déficit estimado de U$ 52,14 milhões, resultante de vendas externas de US$ 190,77 milhões e compras de US$ 242,91 milhões.

Salientando que o resultado desfavorável do comércio exterior deve-se muito mais ao câmbio vigente até agora e à forte concorrência de produtos chineses de papelaria, em especial envelopes e cadernos, Plöger salienta que o setor é um termômetro da economia. “Enquanto estiver aquecida a produção de embalagens, impressos comerciais e promocionais, documentos fiscais, cartões de crédito e manuais de automóveis e de produtos eletroeletrônicos, a economia estará indo bem. E, felizmente, a indústria gráfica ainda não registra queda de pedidos”.

Atualização tecnológica e competitividade
Nos últimos anos, o setor praticamente renovou o seu parque de máquinas gráficas, tendo importado bens de capital no valor de US$ 1,43 bilhão, em 2007, ou 241% a mais do que os US$ 419,07 milhões aplicados no ano anterior. Ao cabo de 2008, o crescimento previsto é de 28,20% em comparação com 2007. “Esse esforço de modernização tem garantido a competitividade e resultados positivos, como o aumento de 1,23% da produção, 3,4% do número de gráficas e 3,7% do volume de empregos, nos últimos 12 meses, até outubro de 2008”, ressaltou Plöger.

Para ele, o aumento da renda da população ampliará a demanda por produtos gráficos, via efeito multiplicador, principalmente fora dos grandes centros urbanos. “Verifica-se, ainda, tendência de maior crescimento do valor adicionado dos impressos em relação aos volumes produzidos, devido à procura por itens mais sofisticados.”

Em 2007, o valor da produção da indústria gráfica brasileira foi de R$ 22,33 bilhões (US$ 12,9 bilhões). Sua participação no PIB nacional é de 1,02% e no da indústria de transformação, 5,74%. O setor fechou o último exercício com 19.550 gráficas em operação, nas quais trabalhavam 197 mil pessoas.

Ao comemorar seus 200 anos desde a instalação da Impressa Régia no Rio de Janeiro, em 1808, a indústria gráfica brasileira ocupa o oitavo lugar no ranking mundial do setor, à frente de vários países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega as nações mais ricas.

Presidente da Fiesp anuncia investimento de R$ 35 milhões na escola gráfica Senai-SP
O Sistema Fiesp investirá R$ 35 milhões na Escola Senai-SP Theobaldo De Nigris, mais importante centro de educação profissional na área gráfica da América Latina. O número de matrículas será duplicado: de 5 mil para 10 mil. O anúncio foi feito pelo presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf.

O aporte de recursos já foi iniciado e perdurará até 2009. Segundo Plöger, a ampliação da formação profissional é imprescindível para acompanhar a modernização e aporte tecnológico do setor.

A Escola Senai Theobaldo De Nigris, centro de referência para o ensino de tecnologia gráfica no Hemisfério Sul, é uma das únicas no mundo a reunir todas as etapas dessa cadeia produtiva, desde a fabricação da celulose até o acabamento, passando pela impressão. No campo da capacitação profissional, oferece cursos de aprendizagem industrial, técnicos, tecnólogo e pós-graduação latu-senso em tecnologia de impressão offset. O complexo educacional localiza-se na Rua Bresser, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo.

Ex-presidente diz que aporte tecnológico ajudará indústria gráfica a enfrentar crise internacional
O palestrante Fernando Henrique Cardoso citou os investimentos do setor em tecnologia e bens de capital como um dos fatores capazes de contribuir para que as empresas enfrentem com sucesso a crise financeira mundial.

Cardoso salientou que, ao comemorar 200 anos no Brasil, desde a instalação da Imprensa Régia no Rio de Janeiro, em 1808, a indústria gráfica nacional mostra-se sólida, incluindo-se entre as dez maiores do mundo. Para ele, “os investimentos realizados pelas gráficas traduzem-se em mais competitividade e, portanto, melhores condições de enfrentar a crise financeira internacional”.

No final de 2008, o crescimento previsto dos investimentos é de 28,20% em comparação com 2007. Citando o exemplo do setor gráfico, Cardoso observou que cada setor de atividade e empresa terá de encontrar soluções próprias para atravessar a crise iniciada com o crash das hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos. “Adequar-se às adversidades é imprescindível, pois a crise já chegou à economia real, depois de contaminar o sistema financeiro americano e de numerosos países, comprometer a liquidez e afetar a confiança.”

Para o ex-presidente, embora as crises do capitalismo sejam cíclicas, será inevitável a reordenação do sistema financeiro internacional, visando impedir o retorno de um problema tão grave quanto o atual. Segundo ele, é “sintomática a imensa disposição dos bancos centrais de todo o mundo em despejar dinheiro no sistema financeiro e no mercado; é um processo inédito na história da economia”, enfatizou, comparando com a quebra das bolsas em 1929, quando não houve esse tipo de socorro à liquidez e ao crédito, paralisando o sistema produtivo.

Segundo Cardoso, o desfecho da crise financeira deverá ser político, pois, apesar de o problema econômico ser globalizado, as soluções são locais e nem sempre conexas. “É possível que se redefinam as lideranças mundiais, inclusive com a ascensão do Brasil e outros emergentes. Há um hiato de liderança no universo das nações. Os Estados Unidos perderam sua posição, principalmente por causa das guerras que promoveram nos últimos anos.”

O ex-presidente ressaltou, ainda, que o Brasil tem bons fundamentos para enfrentar a crise, em especial as reservas cambiais superiores a US$ 200 bilhões. Além disso, o potencial energético (novas descobertas de petróleo e o etanol), aporte tecnológico, como o da indústria gráfica, e o agronegócio constituem excelente base para o crescimento sustentado e o desenvolvimento. “Porém, é preciso reduzir os gastos públicos, que têm crescido muito, e priorizar o essencial em termos de investimentos do governo, considerando que a crise poderá implicar a redução da receita tributária.”

Cardoso também defendeu o repasse imediato ao mercado dos recursos liberados pelo governo via flexibilização dos depósitos compulsórios no Banco Central, para sustentar o crédito e a atividade econômica. “O País não pode continuar desperdiçando oportunidades. Se quisermos ter um futuro positivo, é preciso inventá-lo agora”, ponderou, concluindo: “Todas as providências precisam ser adotadas para que o custo maior dessa crise financeira internacional não recaia sobre os mais pobres.”

Ao término de sua palestra, Cardoso respondeu perguntas formuladas pelos congressistas, compiladas pelo presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP), Mário César de Camargo.

Redução do ICMS
Em sua palestra no Congraf, Skaf salientou que a Fiesp/Ciesp está propondo a desoneração tributária dos setores produtivos. “Nesse sentido, defenderemos a redução de 18% para 12% da alíquota do ICMS incidente sobre os produtos gráficos.” O setor também é prejudicado em São Paulo e em outras cidades brasileiras pela bitributação (ICMS e ISS) de alguns produtos. Essa é outra questão na qual o presidente da Fiesp/Ciesp deverá contribuir para o encaminhamento de soluções. Ainda na área tributária, um problema pendente é o do não pagamento de crédito do ICMS devido pela Fazenda do Estado de São Paulo a numerosas gráficas. Tais créditos decorrem do deferimento do tributo para alguns grupos de impressos.

 
Sumário
 
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