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Artigo - Edição 85
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Crise: a palavra da hora...
 

Passaram-se muitas semanas desde que se instalou o que alguns chamam de “turbulência”, outros de “crise”, outros ainda de “caos generalizado”. Essas palavras têm tomado quase todo o espaço do jornalismo econômico em todo mundo e neste momento não há dúvida de que a nossa economia será mesmo contaminada. Não sabemos ainda como, por quanto tempo ou mesmo quais os setores que mais serão atingidos. Muitos empresários gráficos que adquiriram equipamentos (e não foram poucos) em euros ou em dólares estão quebrando a cabeça para saber como honrar as dívidas assumidas. Sabemos, no entanto, que seremos afetados menos do que os países desenvolvidos. Pelo que podemos ler em jornais de todo o mundo, o Brasil crescerá menos, porém continuará crescendo, ao contrário dos Estados Unidos e da maioria dos países europeus, que ficarão estagnados em seu crescimento ou terão até um crescimento negativo.

O ano de 2009 e os seguintes terão sem dúvida momentos de uma completa reorganização, principalmente na indústria gráfica, onde os empresários gráficos terão forçosamente que deixar de ser “míopes” para uma série de importantes assuntos que queremos hoje abordar. A pior crise que vejo é a crise de valores. Cada um só enxerga seu “umbigo” e não se informa com relação ao “umbigo” do vizinho. Leio em todos os meios de comunicação que o ideograma chinês que significa “crise” pode ser visto também como “oportunidade”. Não tenho dúvida nenhuma de que isso seja verdadeiro. Só que não adianta ficar parado. Em momentos em que o “vírus” da crise ataca, não podemos ficar olhando para ver o que acontece. Temos que agir imediatamente. Os gestores da nossa gráfica terão que se informar do que acontece dentro e fora da empresa (“umbigo”) para solucionar de imediato os verdadeiros problemas a serem resolvidos. Budget e fluxo de caixa são imprescindíveis.

Começamos pela prevenção de perdas na produção, seja de material ou das horas improdutivas. Na área de material estão envolvidos os departamentos de qualidade e de compras. Na área de qualidade teremos que encontrar materiais e tecnologias que reduzam a perda efetiva do material e o tempo de set-up dos equipamentos. A escolha certa dos papéis (ou outro substrato), tintas e matrizes de impressão são fundamentais para aumentar a produtividade, reduzindo o custo. O valor pago por esses materiais é assunto de uma real negociação entre as partes, onde o comprador terá que entender a fundo a tecnologia adotada pela empresa ou se assessorar com um elemento da área industrial.

Não devemos esquecer da área de custos fixos, que deverá ser totalmente revista e, através do mapa de custos e do plano de negócios, estabelecer os critérios de rateio e de depreciação. Também na hora do pré-cálculo, não devemos esquecer nunca o confronto da margem de lucro com a contribuição marginal. Muitos sistemas de gestão de custos, produção e vendas - como por exemplo, os sistemas da Metrics, E-Calc, Calcgraf, Zênite, Bremen e outros (cada qual apropriado para determinadas características e tamanho da gráfica) - estão disponíveis no mercado para gerar relatórios que servirão para a tomada de decisão dos empresários e gestores nos diversos aspectos de uma empresa gráfica (vendas, produção etc.).

A área de vendas merece neste momento uma atenção especial. A equipe de vendas terá que conhecer muito bem seu nicho de mercado, conhecer a capacidade e qualidade dos impressos possíveis de serem vendidos pela gráfica para este ou novos nichos. Os gestores da área comercial não podem, de forma alguma, abandonar agora a necessidade de treinar a sua “turma” para que tenha uma visão do mercado correta, a fim de não fazer visitas inúteis e para que esses profissionais de venda tenham conhecimento pleno da tecnologia adotada pela gráfica. Terão que saber também, esses vendedores, o que faz a concorrência, como e a que custo. O gestor de vendas terá que deixar de ser “míope” e controlar seus comandados em função de metas em volume e margens, bem como na visita de clientes passíveis de retorno. Nada nos adianta um vendedor que tenha em sua carteira 300 clientes. Certamente não dá tempo nem para ligar para eles.

Sabemos que, num primeiro momento, as grandes companhias cortaram a publicidade, cortaram isso e aquilo. Sabemos que já estão voltando lentamente e que a propaganda impressa, se bem que de formas diferentes, retornará, pois a empresa só vende divulgando seu produto. E sabemos também que a mídia audiovisual, pelo menos neste momento, não marca tanto quanto a mídia impressa. A área de alimentos vem crescendo, apesar da redução da importação de produtos brasileiros por parte de diversos países (principalmente produtos cárneos e lácteos). No entanto, outros mercados estão se abrindo e o crescimento do mercado interno é patente.

Estratégias distintas de sobrevivência marcam a continuidade das nossas empresas gráficas, de pequeno, médio e grande porte. O que infelizmente acontece com o micro e pequeno empresário gráfico é a grande ausência do comportamento empreendedor e, naturalmente, do planejamento de seu negócio. Aliado a isso, vem a deficiência de planejamento prévio. Esse dono de gráfica, na verdade, espera que o governo ou as associações e sindicatos patronais de classe dêem uma “mãozinha” para ele tocar o seu negócio. Não se informa, não assiste a cursos que muitas vezes são levados quase de graça a ele pelo Sebrae, Senai, Abigraf ou mesmo sindicatos e ABTG, e só reclama de que as coisas vão mal.

O ano de 2009 depende única e exclusivamente de nós. Para isso, precisamos ter a mente aberta para os novos conceitos de administração, deixando de lado as coisas ultrapassadas (“faço isso há 30 anos e sempre deu certo...”). Nem sempre o ditado “em time que está ganhando não se mexe” tem validade e esse momento é o de mexer no time, ou seja, na maneira de administrar nossa gráfica. Se não buscarmos imediatamente soluções atualizadas, o preço que pagaremos pela nova realidade do mercado será muito caro, podendo custar até a nossa sobrevivência. Estamos otimistas! Feliz... e próspero ano novo.

*Thomaz Caspary é consultor de empresas e diretor da Printconsult Ltda. www.printconsult.com.br

 
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