- Os pequenos vinham se transformando em grandes oportunidades de negócios e, mais que isso, cresciam para satisfazer novas necessidades. No caso dos equipamentos de pequeno formato, por exemplo, era evidente o aumento do número de fornecedores desse tipo de máquina, desenvolvida para ser uma opção de baixo custo e de qualidade para tiragens cada dia mais curtas e até personalizadas.
- Por força dos desejos do mercado, os fabricantes demonstravam vigor, apesar do momento econômico indefinido, e mantinham seus investimentos, ora em impressoras offset, que muitos apostavam continuar sendo o sistema de impressão mais adequado e competitivo para esse nicho, e as digitais, que vinham somando pontos de forma gradual, mas consistente.
- Comprovando a tendência de os pequenos e médios subirem ao palco, Evaristo Nascimento, diretor da Alcântara Machado Feiras de Negócios, falou sobre a Fiepag, que focou o segmento, que congregava um batalhão estimado em 85% das gráficas brasileiras.
- Embora os motivos que levaram a Fiepag a voltar seus olhos para as médias e pequenas gráficas não tenham sido apenas os embasados no acompanhamento do mercado e tradução de seus desejos, ainda assim reafirmavam a importância que essa massa, enfim, passava a merecer dos fabricantes, fornecedores e outros segmentos do mercado gráfico.
- A Fiepag 2003 teve início rodeada de expectativas, desde as mais otimistas até as mais céticas. O motivo, um só: o boicote realizado pelos grandes nomes da indústria gráfica. A ausência dos principais fornecedores de equipamentos gráficos do mercado brasileiro foi justificada por vários fatores, dentre eles o alto custo dos estandes, o acúmulo de feiras no mercado e a iminência da Drupa 2004, o maior evento da indústria gráfica mundial, que impossibilitaria a apresentação de novidades para o setor.
- O mercado se deparava com outras duas importantes feiras que se encavalavam no decorrer do ano: Brasilpack e Brasilplast. Alguns acreditavam que a Fiepag e a Brasilpack, por estarem cada vez menores, deveriam se unir e alternar o calendário com a Brasilplast, beneficiando o usuário final, que poderia presenciar um evento mais completo.
- A ausência dos grandes reduziu o tamanho da feira, e o Pavilhão do Anhembi, que era totalmente ocupado pelo evento, nesse ano recebeu três eventos distintos de uma só vez.
- No entanto, no início do ano, o tradicional evento do mundo das artes gráficas Graphics of the Americas 2003 evidenciou algumas tendências, entre elas o crescimento dos equipamentos de grandes formatos, de impressão digital e comercial. A 28ª Graphics of the Americas (GOA), realizada de 24 a 26 de janeiro no Miami Beach Convention Center (EUA), ocupou área de 45 mil m2, contou com a participação de cerca de 500 expositores e 21 mil visitantes. Organizada anualmente pela PIA - Printing Association of Florida, a GOA 2003 constatou o crescimento de três segmentos: conversão, impressão digital e comercial. “Já considerados mercados separados, as três áreas estão convergindo e foram o principal destaque da feira”, concordou Chris Price, vice-presidente e gerente-geral do evento. Só para dar uma idéia, cerca de 70 fabricantes de equipamentos para conversão expuseram suas novas tecnologias, assinalando recorde de participação desse setor.
- As tecnologias emergentes de grande formato também se revelaram um dos mercados mais importantes e de maiores oportunidades na GOA 2003. Citando estudos que apontavam um mercado de US$ 11,3 bilhões em dois anos, Price afirmou que apenas 15% desse total estava nas mãos das gráficas comerciais, o que revelava um enorme potencial de crescimento. “Esse é o motivo que nos levou a incluir todos os fabricantes e distribuidores líderes no segmento de grande formato entre os mais de 500 expositores”, explicou.
Tecnologia digital
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A tecnologia digital vinha mudando consideravelmente a rotina da indústria gráfica brasileira, preenchendo uma lacuna deixada pela impressão convencional. Cada vez mais o Brasil, dentro de seus limites, partia rumo à personalização de seus materiais impressos.
- Quem esteve presente na Graphics of the Americas 2003 pôde constatar que o setor de impressão digital era um dos que mais cresciam dentro do mercado gráfico. Só nos Estados Unidos essa tecnologia, segundo pesquisa da Cap Ventures, vinha apresentando uma alta entre 25% e 28% ao ano. De acordo com a experiência dos fornecedores de equipamentos, mesmo sem estatísticas precisas, no Brasil esse segmento apresentava um crescimento bastante expressivo, embora não na mesma proporção.
- O ano anterior começou como uma grande aposta para a tecnologia CTP, pois, segundo os grandes fabricantes, as principais gráficas já estariam preparadas para um fluxo de trabalho totalmente digital. Mas essa estimativa acabou sendo afetada pela situação econômica, que abalou o mercado mundial e particularmente o Brasil. Com isso, a adesão ao CTP pelas grandes gráficas foi parcial. Porém, em 2003, a situação começava a se reverter, apesar de retraída e cautelosa.
- Mesmo assim, podia-se afirmar que o mercado de CTP caminhava muito bem. Em 2002 foram introduzidos 36 CTPs de todas as marcas no mercado brasileiro. Em 2003, a estimativa era de que o mercado comercializasse mais 45 equipamentos, totalizando 81 equipamentos vendidos nos últimos dois anos, número equivalente ao atingido em seis anos, desde a instalação, em 1996, do primeiro CTP no País. Previa-se também que até o final de 2004 mais 60 novos sistemas seriam adquiridos por empresas gráficas brasileiras.
Tintas para impressão
- Em conjunto com o mercado internacional, as empresas brasileiras de tintas para impressão garantiam sua atualização tanto de informações quanto de equipamentos e serviços para manter a competição em cada pedaço do setor gráfico. Mais e mais as tintas gráficas conquistavam o mercado com produtos especiais e diferenciados que se apresentavam como solução para todas as necessidades. Assim, podia-se observar novos materiais a serem impressos, novas exigências em relação a produtos químicos e adequação às normas ambientais.
- Nesse contexto, variadas tecnologias entravam no mercado com o objetivo de acompanhar as necessidades de maior produtividade e velocidade das gráficas, além de tempo de impressão e acabamento menor. “Para atender adequadamente o mercado e nos manter competitivos, o trabalho de fabricação tem de ser eficiente para que as cores das tintas possam ser repetidas em todos os lotes produzidos”, ressaltava Marco Zorzetto, gerente técnico e industrial da Printcor, afirmando, ainda, que isso só era possível por meio de instrumentos precisos de avaliação e controle, entre os quais colorímetros, densitômetros e espectrofotômetros.
- Com as principais multinacionais presentes em nosso mercado, as nacionais procuravam acompanhar o ritmo com a oferta de bons produtos nacionais desenvolvidos pelos fabricantes de resinas, que por meio de pesquisas constantes aprimoraram o produto para conseguir similaridade ao importado.
Preparativos para a Drupa
- Em novembro, Manfred Kotschedoff, diretor da Messe Düsseldorf, empresa responsável pela organização da Drupa, concedeu entrevista a GRAPHPRINT, durante o lançamento oficial da Drupa 2004 no Brasil, evento realizado na Escola Senai Theobaldo de Nigris, em São Paulo. O diretor da Messe Düsseldorf antecipou que o evento não deveria registrar crescimento em relação à edição de 2000, principalmente em função da crise econômica que atingiu o mundo, mais acentuadamente no ano que antecedeu a realização da feira.
- Falando em português, idioma que aprendeu graças ao convívio de quase três décadas com a esposa, a baiana Iramaia Kotschedoff, ele disse que a Drupa manteria sua condição de lançadora de tendências, sendo que a principal a ser detonada em 2004 seria a de os fornecedores mudarem sua postura de meros fabricantes para consultores de seus clientes. Conforme o diretor, até mesmo parcerias entre os fabricantes seriam firmadas com o propósito de apresentar soluções completas aos clientes. |