- O mercado gráfico viveu um ano difícil em 2002. Agravado pelo cenário internacional, o ambiente interno ainda teve de assistir incontáveis disparadas no câmbio, que comprometeram seriamente o desempenho dos que trabalham atrelados à moeda americana. E não foram poucas as empresas que tiveram dificuldades.
- Não só as gráficas, mas também fornecedores de equipamentos e insumos, passaram maus bocados neste ano, uma vez que os negócios do setor são praticamente dimensionados pelo dólar, resultando em achatamento das margens e redução de investimentos e pé no freio para 2003.
- O lado menos pessimista da situação foi a injeção de ânimo aplicada pelo então governo eleito, que, contrariando os mais céticos, começou a tomar iniciativas muito menos radicais do que se poderia esperar. Ao contrário, os primeiros passos do novo governo sinalizaram bons presságios e os empresários, pouco a pouco, foram se convencendo de que, afinal de contas, o País teria uma chance de retomar o crescimento aos poucos.
- Para o mercado gráfico, a aposta era no controle do câmbio e na manutenção dos investimentos. O setor, norteado por novas tecnologias, carecia da parceria externa para se desenvolver ainda mais. Internamente, os ajustes teriam de ser feitos no sentido de digerir melhor a Instrução Normativa 71, que entrou em vigor no início do ano, aumentando a fiscalização na venda do papel imune. As gráficas que utilizavam esse tipo de papel foram obrigadas a adequar seus custos. Uma das alternativas encontradas foi o estabelecimento de negociações diretas com o fabricante, visando minimizar a carga tributária.
- Há cerca de dez anos, o mercado gráfico atravessava um período de grande evolução tecnológica, tornando-se mais produtivo e mais criterioso com o item qualidade. Impressoras com configurações de quatro, cinco e até dez cores, com ou sem acabamento em linha, deram às empresas a possibilidade de oferecer produtos diferenciados, bonitos e confiáveis.
- Esse movimento em direção à modernidade passou a ser observado no governo Collor, quando as importações foram liberadas. Nessa época, a indústria gráfica brasileira deu um tremendo salto. Na ocasião, alguns profissionais do setor chegaram a acreditar que o mercado ficaria saturado em virtude da entrada maciça de equipamentos. Felizmente, tal suspeita não havia se concretizado, e mesmo frente a todos os problemas que o setor ainda presenciava podia-se dizer que o mercado gráfico brasileiro se encontrava mais estável.
- Concentrado em grande parte nas pequenas e médias empresas, muitas ainda de constituição familiar, o setor de impressão plana esbarrava em sérias dificuldades, notadamente as relacionadas com investimentos, o que ameaçava sucatear o parque gráfico nacional.
- Alguns profissionais envolvidos com o mundo de chapas para impressão viam esse mercado como um voraz consumidor de tecnologia. Em fase de mudanças, e procurando atender às médias e grandes empresas que buscavam fluxo digital de trabalho e automatização de processos, o setor se encontrava num grau de exigência em termos de qualidade, variedade e avaliação de performance como nunca esteve anteriormente.
- Vários fatores contribuíram e explicavam esse posicionamento: automatização das máquinas de impressão, que praticamente passaram a realizar controles colorimétricos; carregamento automático; ajustes de água/tinta automáticos etc; exigência de redução no tempo de ajuste das máquinas durante as tiragens; consolidação dos sistemas CTP, que acabaram elevando a qualidade dos produtos impressos e obrigaram os processos convencionais a melhorar a qualidade e produtividade; e, finalmente, o incremento da mão-de-obra.
- A Kodak Polychrome Graphics, na ocasião maior fornecedora de chapas no mundo, observou um crescimento em volume desse insumo no mercado da América Latina, o que contribuiu para que as empresas envolvidas com esse setor continuassem desenvolvendo novas tecnologias em chapas de impressão.
- Em meio às evoluções, o CTP Agfa Xcalibur VLF tornava-se um dos sistemas mais procurados no mundo. A platesetter para grandes formatos mostrou ganhos significativos: a solução está instalada em 18 países, representando 40% de participação no mercado mundial, notadamente em gráficas comerciais e indústrias de embalagem. A Xcalibur VLF é a família de platesetters térmicas da Agfa para grandes formatos (VLF). O sistema oferece simplicidade e qualidade às demandas computer-to-plate para grandes formatos. Seu tambor externo tem design elegante e simples, incluindo muitas inovações projetadas para a gravação de chapas VLF tornar-se mais rápida, fácil e precisa.
- Dados da pesquisa PIA Ratios, de 2002, elaborada pela Printing Industries of America (PIA), patrocinada pela Heidelberg, Sappi e Print Café, revelou que a proporção do lucro sobre o faturamento das gráficas caiu para 1% em relação ao ano anterior. O número era inferior ao 1,9% na recessão de 1990-1991 e o menor em mais de 30 anos.
- A Andipa (Associação Nacional dos Distribuidores de Papel), estabeleceu meta para o ano: traçar um perfil do trabalho de distribuição de papel do setor brasileiro. Para atingir esse objetivo, dentre outras ações, decide realizar levantamento estatístico que, na primeira etapa, já dimensionou o faturamento do setor em 2001: R$ 522 milhões, o que representou uma média de 570 mil toneladas de papel/ano (22.300 toneladas/mês). A pesquisa com as distribuidoras associadas restringiu-se a papéis para imprimir e escrever (offset e couché), excluindo-se as categorias imprensa e cut-size (papel cortado). Essa foi a primeira etapa de um trabalho que prosseguiu com levantamentos mensais, realizados por uma empresa idônea contratada exclusivamente para essa finalidade.
- Com o tempo e o surgimento de novas tecnologias, até campos mais restritos, como as indústrias de informática, passam a ter seus produtos reproduzidos ilegalmente. Segundo números divulgados na época pela consultoria PriceWaterhouse Coopers, a pirataria de softwares gerava perdas anuais de R$ 915 milhões às empresas fabricantes e já movimentava, considerando os demais segmentos lesados, 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ou algo em torno de R$ 50 bilhões ao ano. Diante desses fatos, empresas como Adobe, Corel e Microsoft, conhecidas mundialmente no mercado de softwares gráficos, juntam-se às companhias fonográficas e de vídeo, além de associações, na luta contra a pirataria, visando um ganho de força junto ao governo no combate a essa prática ilegal. Destacam-se entre elas a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) e a mundial Business Software Alliance (BSA).
- Para atender a necessidade de profissionalização do setor, um conjunto de profissionais se reúne para criar o Instituto de Soluções e Estudos Gráficos, o ISEG. O objetivo da entidade é atuar nas áreas de pré-impressão, impressão, acabamento e gerenciamento do segmento gráfico e mídia impressa, fornecendo uma completa consultoria para as empresas.
- O auditório do Centro de Convenções das Américas, em São Paulo, foi o palco do I Seminário ISEG “Ações Rumo à excelência”, realizado em 25 de julho pelo instituto. Os oito consultores do instituto discutiram temas ligados ao setor, como os desafios da política econômica, o futuro da indústria gráfica, qualidade em prestação de serviços gráficos, ações para o sucesso do negócio e atitudes fundamentais para o bom atendimento ao cliente.
- Contando com a presença de 186 participantes, o evento recebeu dirigentes de entidades ligadas à área gráfica e à mídia impressa, além das companhias que apoiaram o encontro, entre as quais Calgraf, Comprint, Deltaservice, Mercado de Idéias, Metrics, Ripasa, Suzano, SPP-Nemo, Supercor e SunChemical.
- Acreditando que o mercado externo era a alternativa cada vez mais real e necessária para a sobrevivência e crescimento do setor gráfico, a Abigraf e a Global Connection, empresa especializada em captar recursos para exportação, realizaram na sede da entidade, em São Paulo, uma palestra que abordou o tema programa setorial integrado/consórcio de exportação no setor gráfico. O evento contou com verbas da Apex - Agência de Promoção de Exportação, órgão vinculada à Camex (Câmara de Comércio Exterior) e Sebrae.
- Ministrada por Osni Nobre, diretor da Global Connection, a palestra teve o principal propósito de mostrar aos profissionais do setor que exportar não é privilégio das grandes empresas.
- Conhecidos no mundo inteiro como uma saída inteligente para a maioria das empresas crescerem e se desenvolverem no mercado internacional, por meio da união de sinergias e da redução de riscos e custos de internacionalização, os consórcios de exportação chegavam para os pequenos e médios empresários como a alternativa mais acertada para o seu posicionamento internacional. |