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   Brasil, 30 de Julho de 2010
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Editorial - Edição 84
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Crise? Que crise?
 

Que chova no molhado e despenque cascos de tartaruga na próxima tempestade – provavelmente na minha cabeça -, mas a crise não chegou ao ramo gráfico. Uma fonte, fidedigna, ao desembarcar de Chicago, Estados Unidos, vindo diretamente da Graph Expo 2008, realizada de 26 a 29 de outubro, confidenciou-me que se a crise existe, também não está alojada no império do capitalismo; ou se é concreta, está longe do mundo gráfico.

Aqui, por enquanto, o mercado anda de vento em popa, de tinta em tinta, ou de blanqueta em blanqueta. O por enquanto, entre vírgulas acima, poderá durar até o término de 2008. Na entrevista desta edição, Alfried Plöger, presidente da Abigraf Nacional, diz que o segundo semestre está salvo. O presidente admite que algum segmento sinta um pouco mais, mas defende que, no geral, até o fim do ano, a situação está tranqüila. Mesmo na tranqüilidade, Plöger ressalta que os investimentos para o setor, que estavam crescentes, devem ceder lugar para a cautela. A crise e seus reflexos na indústria gráfica brasileira estão bem detalhados nas próximas páginas.

Crise? Famosa quem? Contrariando vários papas ou gurus, que cimentaram a jazida do meio jornal, o veículo impresso só tem registrado crescimento no Brasil. Conforme o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária em 2007 aumentou 11,8% em relação a 2006, que já havia registrado elevação de 6,5% quando comparada com 2005. Com base nos números do IVC, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) concluiu que em 2007 a circulação média diária dos jornais brasileiros ultrapassou 8 milhões de exemplares. Cresceu no ano passado e, além de manter a provada elevação, expandiu – aqui entra a segmentação de alguns cadernos também - em receita publicitária e qualidade. Os pequenos e médios editores foram os precursores da tecnologia CTP e hoje todo o setor já usa a era digital como aliada. Aos grandes a mudança tardou (em alguns casos), mas não falhou. Nos Estados Unidos, o meio jornal é uma comunicação que apresenta alguns sintomas maléficos, mas lá fora são outros quinhentos, ou melhor, outros dólares.

A crise (que crise?), por mais rotativa que seja hoje, é mais bem entendida pela população brasileira. Em quase oito anos, o Brasil ganhou mais de 40 milhões de novos leitores. A pesquisa Retratos da Leitura, idealizada pelo Instituto Pró-Livro, mostra que o índice de leitores com idade superior a 15 anos pulou de 26 milhões para 66,5 milhões. A média de leitura entre a população é de apenas 4,7 livros por ano; em outros países em desenvolvimento esse índice chega até a 12 livros por ano. Os 60,84% de diferença podem até gerar uma crise, mas qual país tem a possibilidade de crescer mais de 60% hoje em dia?

Com mercados tão efervescentes, facilmente abrem-se sorrisos nos cabeçotes de impressão das máquinas rotativas. O volume de vendas desses equipamentos cresceu e tomará fermento em 2009. Um dos indicadores é que a impressão rotativa agora atende trabalhos com tiragens menores, pois as trocas de serviços estão bem mais velozes.

Abram alas para as informações do 8º Prêmio GRAPHPRINT. Adiante, você conhece os finalistas dos 22 fornecedores, duas personalidades - sendo um da indústria gráfica e outro de fornecedor -, gráfica digital e editorial (rotativa e plana); gráfica de embalagem e gráfica promocional. Ler e torcer é só começar.

Crise? Qual crise? Do petróleo? Do gás natural? Da energia? Renal? Mundial? Financeira? Caso chegue, tomara surja pela frente.

 
Fábio Sabbag - fabio@avilaagnelo.com.br
 
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