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CTP para jornais - Edição 84
Sumário
Jornal digital
 

Fim da linha, que nada! Quem apostou que o meio jornal estava com dias contados teve de rever seus conceitos frente aos crescimentos - de tiragem e publicidade - apresentados no último ano. E para não perder o bonde da história digital, os editores de jornais analisam as opções de CTPs oferecidas pelos fornecedores, visando escolher a que melhor se encaixa em suas necessidades.

 
Fábio Sabbag
 

Há alguns anos foram criados na indústria da comunicação alguns papas ou gurus que construíram a jazida do meio jornal, tanto no Brasil como no resto do mundo. A todo instante surgiam opiniões que decretavam o fim da era jornal. Muitas palestras foram dadas, muitos artigos foram, paradoxalmente, impressos, afirmando como seria possível manter um veículo “antigo” e “ultrapassado” na arte de informar. Os mestres da antecipação se deleitavam ao dizer que jovens não queriam mais ter os dedos das mãos marcados com a tinta preta. A internet, um advento tão amplo e potente como um tsunami, cravou o cadeado na fechadura do caixão do meio jornal.

O que ninguém, ou poucos previram, é que na adversidade é que surgem as oportunidades e é justamente na crise que se separam os fortes dos fracos. Contrariando paulatinamente todas as teses de eliminação, o meio jornal, aqui no Brasil, cresceu vertiginosamente em 2007. De acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação média diária aumentou 11,8% em relação a 2006, que já havia registrado elevação de 6,5% quando comparada com 2005. A estimativa conduzida pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) - com base nos números do IVC - foi de que em 2007 a circulação média diária dos jornais brasileiros ultrapassou 8 milhões de exemplares.

Dificilmente haverá, se é que existiu algum dia, a probabilidade de o veículo jornal sumir das bancas. A captação de investimentos publicitários em 2007, depois de anos seguidos de queda na participação no bolo publicitário do País, aumentou 15,22% em relação a 2006, de acordo com o Projeto Inter-Meios, principal referência do mercado publicitário do País. Os jornais, então, passaram a ter 16,38% do bolo publicitário brasileiro.

Ainda de acordo com dados divulgados pelo IVC, em 2007, em média, 4.392.281 exemplares circularam diariamente no País, sendo que no mesmo período do ano retrasado a média de circulação diária foi de 4.026.307. Para Ricardo Costa, diretor do IVC, os números positivos refletem o bom momento do meio jornal no Brasil. “Claro que todas as ações inovadoras dos impressores de jornais, as novas formas de anunciar e o crescimento da leitura no Brasil contribuíram ainda mais. Muitas vezes escutamos que a circulação de jornais está caindo, mas isso é uma verdade nos Estados Unidos, por exemplo, não no Brasil”, diz Costa.

Pés no chão
O IVC conseguiu apurar informações relevantes que comprovam o período favorável. Veículos mais tradicionais, como a Folha de S.Paulo e o O Estado de S.Paulo tiveram aumento na média diária de seus exemplares. A Folha pulou a barreira dos 300 mil exemplares, com um incremento de 5,9% nesse período. Já o Estadão chegou a 257.810 exemplares, o que dá uma evolução de 8,1%.

Os jornais Meia Hora (Rio de Janeiro) e o Super Notícia (Minas Gerais) foram as grandes surpresas do levantamento. O veículo mineiro, que imprimiu 170 mil exemplares no primeiro semestre de 2007, pulou para 301 mil exemplares no mesmo período deste ano.

Mesmo assim, quem já foi picado algumas vezes não despreza possíveis ameaças. É preciso acompanhar atentamente as andanças do mercado publicitário e da própria internet. Investir em modernos softwares e equipamentos de pré-impressão e impressão é vital para elevar a qualidade do impresso.

Ultimamente, a grande mudança da indústria de jornais é a transição do fotolito para o CTP. Pequenos editores foram os vanguardistas do setor. Hoje, gradativamente, os grandes dão passos rumo à era digital. Os grandes jornais do Brasil sempre tiveram um enorme desafio para fazer essa migração. Como muitos fazem três ou quatro matrizes a partir de um fotolito, para imprimirem suas edições simultaneamente em mais rotativas, tornava-se difícil justificar essa migração sem aumento de custos de produção. Atualmente, há uma clara redução dos volumes de produção de chapas convencionais e filmes e, em contrapartida, um forte aumento da produção de matrizes digitais. Isso, por economia de produção, gera um equilíbrio de custos para o usuário, sem contar as vantagens econômicas e operacionais do processo digital. “Seguramente esses fatores estimulam grandes editores de jornais a avaliarem melhor essa migração”, argumenta Anderson Chaves, diretor de vendas - Graphic Communication Group Kodak Brasileira.

Jânio Airton Coelho, gerente-geral da Man Ferrostaal, informa que as que ainda não migraram estão em processo de decisão. “O que as impedia até então era uma questão de custos, já que essas grandes editoras de jornais necessitam de vários CTPs de alta velocidade para suprir as necessidades dos picos de produção. Essa conta está se tornando viável, e a entrada no digital, inadiável”, avisa Coelho.

Este ano de 2008 é a bola da vez para os editores de jornais. “Neste ano foi rompida a barreira dos grandes jornais, como Globo, Folha e O Estado de S. Paulo. Com exceção dessas três grandes empresas, a maioria dos outros jornais já aderiu a essa tecnologia, sendo que alguns possuem CTPs há dez anos. Ano que vem, o Globo iniciará a instalação de cinco equipamentos Polaris XTVS de alta performance, considerada a maior instalação desses equipamentos em toda a América Latina”, conta Fernando José Campião, gerente de vendas segmento jornais América Latina.

Laser violeta
A tecnologia laser violeta continua sendo a preferencial no mercado de CTP. Suas principais vantagens são a eficiência e o custo reduzido. “Por ser o laser usado também na produção de gravadores de DVDs, se tornou extremamente eficiente e barato. Por trabalhar num comprimento de onda próximo dos 410nm, não produz calor, fazendo com que esse diodo tenha uma vida útil maior e seja mais estável durante todo o seu período de uso. Devido a esses diferenciais de qualidade, equipamentos com apenas um único diodo são capazes de produzir mais de 250 chapas por hora. Por isso, tanto a Agfa, como a maioria dos fabricantes de CTP para o segmento de jornal optaram pelo uso do laser violeta, que permite altas velocidades de gravação de equipamentos muito confiáveis”, observa Campião.

Coelho também credita à tecnologia laser violeta a velocidade no processo de gravação chapas, “que é decisivo no horário de pico para os jornais”, argumenta. Já na opinião de Chaves, é um equivoco afirmar, do ponto de vista de qualidade e produtividade, que a tecnologia laser violeta é a melhor para jornais. “Esse mito foi criado, talvez, pela falta de informação sobre as tecnologias de exposição para chapas digitais. A avaliação equivocada tem como base a suposta limitação de velocidade da tecnologia térmica, para atender as demandas de picos de produção de um jornal na hora de fechamento”, diz. De fato, as tecnologias de luz visível, como, por exemplo, a violeta, trabalham com chapas extremamente sensíveis, que permitem alta produtividade, porém sua latitude de exposição e processamento é mais crítica no aspecto de controle de reprodução de imagem e estabilidade na impressão. Elas se adaptam bem para jornais, pois utilizam retículas de baixa lineatura e menor resolução, logo, um processo mais tolerável ao erro do que nos segmentos de impressão, que exigem maior qualidade de imagem. No entanto, esse é outro erro de avaliação. “Os jornais, sem dúvida alguma, podem e devem focar-se em qualidade de impressão como valor agregado para atrair mais anunciantes e leitores. Não devem assumir sua qualidade como ‘aceitável’ em função de seu ambiente de produção mais crítico”, informa.

Ainda de acordo com o diretor de vendas da Kodak, hoje em dia, os jornais, tal qual as gráficas comerciais, promocionais ou de embalagem, e dentro de suas limitações de características de papel podem desfrutar da maior simplicidade e estabilidade de processos, melhor qualidade de imagem impressa, menores tempos de setup de impressão da tecnologia térmica, além da maior oferta em número de fabricantes e variedade dessas chapas. “A Kodak é um provedor líder em tecnologia de imagem, que oferece aos seus usuários o direito de livre escolha entre tecnologias de exposição, térmica ou violeta. E o que nos orienta a recomendação de uma outra tecnologia é o perfil do usuário. Oferecemos tecnologia térmica àqueles com foco em melhoria de qualidade e que possuem estrutura de produção adequada para alcançar essa meta. E aos jornais que querem migrar para CTP e com menor investimento inicial em platesetters, disponibilizamos violeta”, explica.

Não é porque é jornal que não precisa ter qualidade de impressão
Por causa da melhoria da educação da população brasileira, a expectativa é que novos leitores aceitem o meio jornal com principal fonte de busca de informações. Para atrair novos e mais leitores, nada melhor do que usar a tecnologia de impressão moderna. “Flexibilidade, ganho de processo, ganho de produção e o ganho mais importante na linha de produção de jornais, o tempo, são as melhorias que o equipamento proporciona. Ainda podemos destacar que a Agfa oferece soluções completas com softwares, como a família Arkitex de workflow, processadoras e chapas para cada necessidade do cliente”, conta Campião.

Chaves explica que, sem dúvida alguma, a racionalização dos processos, redução de tempos e melhoria da qualidade são os fatores preponderantes que a tecnologia de CTP assegura aos impressores em geral. “Obviamente, retardar a hora de fechamento das edições de um jornal é fundamental para sua reputação editorial. Os processos digitais como CTP contribuem para o jornal nesse sentido”, acrescenta o diretor de vendas da Kodak Brasileira.

Coelho cita como alguns dos benefícios a eliminação de processos, padronização, ganho de tempo e qualidade. Vale lembrar que segundo Earl Wilkinson, diretor-presidente da International Newsmedia Marketing Association (INMA), se os jornais brasileiros querem estar no mercado em 2020, devem mudar nos próximos cinco anos, do contrário pode ser demasiado tarde. Wilkinson evidenciou que os telejornais da noite levaram a uma concentração da circulação dos jornais nas edições matutinas e o surgimento da internet e das edições on-line fazem com que o conteúdo dos jornais deixe de se concentrar nas edições matutinas para se distribuir ao longo do dia. “Estamos diante de um consumidor diabético de jornal”, disse, fazendo alusão a um consumo de pequenas porções, mas a intervalos curtos. Ainda conforme o diretor-presidente da INMA, a circulação e o faturamento publicitário dos jornais estão em alta no Brasil, China, Espanha e Chile.

Diferentes tiragens
Com a tresloucada segmentação de todos os tipos de veículos de comunicação, as tiragens oscilam muito. Existem grandes editores de jornais assim como médios e pequenos. Os considerados grandes também criam cadernos ou outros meios com o objetivo de alcançar novos nichos e perfis de leitores.

Cabe então aos fabricantes de CTP usar seu conhecimento para criarem máquinas competitivas de acordo com necessidades de cada demanda. “Nós, da Man Ferrostaal, temos excelentes opções. Dentro do conceito de laser violeta oferecemos a linha Krause Smart´n Easy Jet, com excelente custo-benefício, podendo atender até 100 chapas panorama por hora, chegando a linha LS Jet 350, o mais rápido CTP para jornais com capacidade de até 350 chapas por hora. Outra excelente opção é a linha de CTP Basys, que trabalha com chapas convencionais, trazendo o jornal para o ambiente 100% digital, mantendo, no entanto, custos e operadores dentro do conceito de das chapas convencionais. Já temos cerca de dez jornais utilizando essa tecnologia no Brasil”, avalia o gerente-geral da Man Ferrostaal.

Chaves alerta que a tiragem de impressão não depende dos equipamentos de CTP utilizados, mas é um fator inerente às características das matrizes, tintas, papéis e blanquetas. “As matrizes digitais, em média, permitem cobrir as tiragens normais exigidas pelos jornais. No entanto há diferenças entre tecnologias relativas à formação da imagem que afetam a qualidade visual e a durabilidade dessa imagem no processo.”

Campião diz que, no mundo, o crescimento de vendas desses equipamentos está mais localizado nos médios e pequenos, enquanto os grandes já estão na fase de troca dos CTPs em uso. “Pensando nos médios a Agfa lançará na Ifra (feira anual que se realiza na Europa para o segmento de jornais) novos equipamentos, como a Família Advantage N, com a flexibilidade de alimentação manual ou automática e capacidade de produção de até 220 chapas/hora, e Família Polaris XTV, completamente automática, com grande robustez para atender a produção diária dos grandes jornais, sendo o CTP mais usado na indústria de jornais no mundo, com velocidade de mais de 250 chapas/hora. Outro CTP com grande participação, que atende a jornais e gráficas comerciais é o Palladio, bem compacto e totalmente automático”, detalha o gerente de vendas segmento jornais para América Latina da Agfa.

Valor dos insumos
Recentemente uma família de classe média comprou uma dessas geladeiras modernas, que só falta preparar os alimentos e as bebidas. Do meio sai gelo, de cima água, entre outras funções. O investimento, considerado alto para uma família desse nível hierárquico, foi assimilado em prestações a perder de vista. Até aí, tudo bem, cada um conhece a profundidade do seu bolso.

Após dois meses, a água, antes límpida e incolor, ganhou aspecto pegajoso e intragável. Surpresos, os donos recorreram à assistência técnica, recebendo a seguinte notícia: nessa geladeira há um filtro que precisa ser trocado a cada dois meses. Seu custo? R$ 200,00, exclamou o técnico. Atordoado, o chefe disse à família: “Alugamos um bem ao custo de R$ 200 bimestrais, ou seja, R$ 100 por mês.” Evidentemente que faltou informação do produto.

O exemplo citado serve como paralelo à aquisição de equipamentos de CTPs. Além de saber exatamente o que precisa, o editor de jornal tem que saber o custo dos seus insumos. E os insumos, segundo Campião, não incidem em altos custos. “O aumento constante do consumo desses produtos fez com que a economia de escala tornasse o produto digital mais competitivo; por outro lado os produtos ditos convencionais sofrem com o mesmo efeito, se tornando cada vez mais caro produzi-los por causa da redução de consumo. Existe uma tendência natural de chamarmos o produto digital de convencional, pelo seu largo uso, e os convencionais, de especiais, pois somente serão usados em alguns nichos de mercado”, conta Campião.

Coelho frisa que hoje as contas já favorecem o CTP: “Os preços das chapas digitais baixaram e agora empatam ou ganham em custos, se comparados ao processo convencional de chapa mais filme. Também a opção do CTP digital Basys, citado anteriormente, que utiliza chapas convencionais, traz o jornal para o mundo digital, mantendo o mesmo custo para as chapas e eliminando todo o gasto com filmes.”

 
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