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Trends of Print - Edição 83
Sumário
O âmago das informações
 

Primeira edição do evento que se propõe a trazer ao mercado nacional as principais tendências detectadas na Drupa, o Trends of Print jogou luz sobre algumas das questões que terão de ser elucidadas num futuro próximo. Aumentar o valor agregado ao veículo impresso, por exemplo, é uma delas.

 
Fábio Sabbag
 

A Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica (Afeigraf), fundada em 2004 com o objetivo de trazer informações tecnológicas e econômicas para o Brasil e América Latina, fez jus ao seu ideal. Durante os dias 17, 18 e 19 de setembro, no Hotel Novotel Center Norte, em São Paulo, o Trends of Print Latin America 2008 debateu os rumos da indústria gráfica brasileira e mundial.

Igual à ExpoPrint Latin America, evento também voltado ao mercado gráfico, a conferência Trends of Print Latin America será realizada a cada quatro anos. Por meio dos eventos citados, a Afeigraf constrói uma plataforma confiável de informação, facilitando a tomada de decisões dos habitantes do universo gráfico.

Dieter Brandt, diretor do evento, abriu a conferência aproveitando para explicar os motivos que levaram a sua realização. “Os industriais gráficos precisam de meios para que saibam nortear seus investimentos. É isso que a Trends of Print pretende oferecer: informações que atualizem tecnologicamente o mercado brasileiro e da América Latina para que esse mercado seja cada vez mais competitivo”, disse Brandt.

Logo após, Roberto Padovani, consultor do Banco West LB para a América Latina, explanou sobre a crise americana e seus reflexos no Brasil. Além disso, Padovani falou de tendências que podem desbravar oportunidades de investimento. “Acho que a política interna dos Estados Unidos não irá mudar. Devemos, sim, estar atentos à política externa. A crise que cresce no mercado americano pode refletir no Brasil, mas acredito que virá com pouca intensidade. É difícil afirmar que o Brasil está blindado, mas também não podemos dizer que a crise pode transtornar o mercado brasileiro”, enfatizou. Coincidência ou não, alguns profissionais do mercado gráfico saíram da palestra e tomaram decisões in loco.

Na seqüência, Andreas Hitzler, da Müller Martini, falou sobre impressão offset rotativa para a indústria de embalagens, de rótulos e de embalagens flexíveis. “A indústria gráfica mundial sempre se depara com desafios. E um dos maiores desafios é aproveitar as novas tecnologias para produzir melhor. No segmento de embalagens, a beleza de um impresso é fundamental para a venda do produto; e, nesse caso, eventos como a Trends of Print abrem canal para que possamos conversar com o público e mostrar tecnologias que podem melhorar e embelezar seus trabalhos”, disse Hitzler.

Nas salas ao lado desenvolviam-se as palestras de Salvador Sindona, André Costa e Danilo Eskenazi, os três da Alphaprint, com o tema da pré-impressão ao acabamento, uma visão geral da indústria gráfica e convencional, e de Eudes Scarpeta, que tratou do tema impressoras híbridas - solução combinada em linha. Jürgen Rautert, da Heidelberg da Alemanha, mostrou os sete passos para o sucesso e afirmou que o Brasil e China são os mercados mais promissores para a Heidelberg. “A troca de informações que ocorre em conferências como a Trends of Print engrandecem a indústria como um todo. Hoje, temos mercados como o dos Estados Unidos e da Europa que estão estagnados, ao passo que o número de gráficas no Brasil cresceu 11% nos últimos dez anos”, afirma Rautert.

Mais valor às revistas
Depois do almoço, o evento continuou no ritmo de Tony Kenney, da Man Ferrostaal, com o tema valor agregado à impressão. “A pressão que nós sofremos é grande. No nosso setor, temos uma cobrança sobre a qualidade da impressão e, como indústria, temos de continuar agregando valor, caso contrário nós perderemos cada vez mais negócios para outros meios. Temos que trazer valor à indústria de revistas; é só ir a uma banca de jornal hoje e comparar com 20 anos atrás. A segmentação é um negócio incrível. Quando vejo essa segmentação fico mais confiante. Precisamos tirar uma reação surpreendente das pessoas”, observou Kenney, sem esquecer de elogiar a edição de agosto da revista GRAPHPRINT, usada durante a apresentação como um dos modelos de impressos.

Jorge Suárez, da Nela USA, representada exclusivamente pela KALmaq no Brasil, palestrou sobre como obter o registro ideal da pré-impressão à impressão. Suárez evidenciou os caminhos do registro ideal baseando-se nos equipamentos de registros da empresa, que incluem sistemas de perfuração e dobra para chapas offset, sistemas de manuseio de chapas, grampos e travas para dobradeiras de rotativas. “A crise nos Estados Unidos está fazendo empresas como a Nela voltarem ainda mais seus investimentos para a América Latina, e nessa região o Brasil é o país mais importante”, acrescentou Suárez. Osmar Barbosa, diretor da Metrics, discorreu sobre a automação e integração de processos mostrando os impactos na gestão e nos resultados da gráficas (veja case nesta edição com uma gráfica). “Quando se fala em indústria gráfica, os detalhes são enormes. E isso exige ferramentas eficientes de gestão, sobretudo para controlar detalhes mais específicos que nem sempre são cobertos pelos sistemas tradicionais. Somos uma empresa nova, que trabalha com uma tecnologia em constante evolução. Por isso, acho que olhamos para o futuro como algo sempre em construção”, falou Barbosa.

O encerramento do primeiro dia ficou por conta de Benhard Niemela, diretor-presidente da editora alemã Deutscher Drucker, apresentando as tendências levantadas durante a Drupa 2008.

O segundo dia
O jornalista Gilberto Dimenstein, colunista da Folha de S. Paulo, colaborador da Rádio CBN e autor de diversos livros, realizou a palestra inaugural do dia às 11h tratando do tema “Como um país pode ser transformado através da Educação”. “O país crescendo, mas, logo, irá se deparar ou já está de deparando com um problema mais sério e de solução mais difícil: a baixa qualidade da educação”, disse Dimenstein.

Na seqüência, três apresentações simultâneas: “Novas tendências de tecnologias para corte e vinco”, com Jürgen Anderl, da Marbach; “Novos negócios com web-to-print”, com Martílio Bueno; e “Portal de comunicação entre a Indústria Gráfica e seus clientes”, com Vlamir Marafiotti, da Agfa do Brasil. “Quanto menos retrabalho, mais tempo para lucrar. Quase 70% do custo total controlado pela gráfica e, conseqüentemente, são 70% que podem ser controlados por nós por meio da ferramenta. Temos como progredir e diminuir o tamanho das perdas e ganhar produtividade. Hoje 60% dos nossos clientes estão online; a maioria dos trabalhos é automatizada, passa pelo workflow e vai direto para o CTP sem intervenção do operador. Apenas 6% dos nossos clientes ainda estão utilizando provas impressas e conseguimos reduzir nosso ciclo de tempo de dois a três dias. Redução total de custo do departamento de impressão é de 50%, custo de provas, 80%”, falou Marafioti.

No salão principal, Michael Neugart, presidente da Polar (Alemanha), e Jürgen Rautert, da Heidelberg, que já havia palestrado no dia anterior, mostraram as soluções conjuntas que ambas as empresas disponibilizam para o setor de acabamento. “Esta é uma etapa muito importante do trabalho gráfico que, muitas vezes, não é muito considerada pelos empresários. Estou muito contente com o que estou vendo aqui e creio que os empresários precisam dessas informações para se atualizarem e trabalharem com qualidade ainda maior”, destacou Neugart. Anderl, da Marbach, compartilha da mesma opinião: “É uma oportunidade para fabricantes mostrarem o que têm e empresários trocarem informações e se atualizarem.”

No período vespertino, a programação deu lugar a Yasuji Endo, da Komori, que falou sobre o tema software para otimizar processos de impressão offset. “Desenvolvemos um sistema de controle automático e seqüência inteligente. Cada processo precisa receber ou enviar informações para outros processos. Cada processo, que antes era operado manualmente, é substituído por acessórios digitais automatizados e sua eficiência aumenta muito. Entretanto a digitalização parcial ainda gera perda devido à duplicação e ao erro humano por que ainda existem muitos trabalhos manuais. Na digitalização dos processos o fator mais importante é eliminar possíveis erros humanos”, observou Endo.

Stefan Zürcher falou sobre tendências e tecnologias em encadernação de lombada quadrada, e Alexandre Keese mostrou como realizar e ter sucesso com o planejamento e sucesso de um trabalho gráfico. O diferencial do segundo dia foi o fórum composto por Cláudio Baronni, diretor da divisão gráfica da Editora Abril, Eliana Vilcher, da área de comunicação gráfica da Nestlé, Tais Cristina dos Santos, da área de compras gráficas da TAM e Manoel Manteigas, diretor da escola Senai Theobaldo De Nigris de Artes Gráficas, que debateram sobre o tema “Exigências do mercado comprador de impressão”. O fórum foi mediado por Karl Klökler, atual vice-presidente da Afeigraf. “Nosso objetivo foi o de criar um debate entre usuários e gráficos”, disse Klökler. De acordo com Baronni, qualidade sem prazo não adianta. “Apesar de, a meu ver, qualidade ser o principal ponto. Pessoalmente, não excluo nenhum ponto da relação entre cliente e fornecedor. Infelizmente, às vezes o preço acaba fazendo com que o cliente troque de fornecedor. Mas, normalmente, esse cliente acaba retornando à gráfica antiga porque preço não é o principal fator nesse caso”, falou o diretor da divisão gráfica da Editora Abril.

Já na opinião de Tais, as empresas querem ser cada vez mais competitivas e alcançam isso reduzindo custos. “Dessa forma, ter bons parceiros é fundamental. E isso inclui todos os aspectos possíveis de uma relação entre clientes e fornecedores”, acrescentou a compradora de artes gráficas da TAM.

Perguntada se existe parceira fiel entre clientes e gráficas, Eliana, da Nestlé, afirmou que, uma vez criado um vínculo, é difícil quebrá-lo. “Normalmente, nossos fornecedores conhecem nossa estrutura e fluxo de trabalho a fundo, assim, esse vínculo acaba se tornando fundamental”, falou.

Outras questões importantes sobre importação e exportação de produtos gráficos e responsabilidade socioambiental ganharam destaque. “A indústria gráfica não é uma indústria verde, infelizmente. E não falo somente da parte ambiental, mas também da social”, disse Baronni.

Terceiro e último dia
No último dia de evento, ministraram palestras David Friesen, da Friesen Corporations, Carlos López, formado em engenharia industrial e profissional da Agfa há 17 anos, que tratou das novas tecnologias de impressão. Nas demais salas, Manoel Manteigas, do Senai Theobaldo de Nigris, ministrou o tema “Educação: um fator crítico para o sucesso das empresas”, e Fernando Roso fez a apresentação “Desenvolvimento de Novos Negócios em Impressão Digital: uma análise do sucesso de nossos clientes”, na qual apresentou cases de sucesso que comprovam a capacidade de se produzir produtos promocionais diferenciados por meio dos recursos das impressoras digitais e softwares de personalização de conteúdo.

À tarde, Ralph Nappi, da NPES, uma das maiores associações gráficas do mundo, fecha a programação de palestras falando sobre o mercado gráfico mundial no tema “O futuro da impressão no mundo e seu crescimento até 2011”.

Para finalizar, o presidente da Heidelberg, Dieter Brandt, agradeceu a presença e o interesse do público. “Hoje, o gráfico não pode esperar para se atualizar. Tudo acontece muito rapidamente. Como a Drupa é a vitrine para a indústria gráfica mundial, organizamos a Trends of Print para levar informações técnicas aos profissionais gráficos e um resumo do quadro econômico mundial e da região, e permitir a troca de informações com grandes compradores de produtos impressos. Isso dará um panorama único para que o gráfico se sinta bem preparado para tomar decisões individuais”, salientou o diretor da Trends of Print.

 
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