Por meio de operações centrais em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Los Angeles (EUA), a Burti, que hoje conta com 580 profissionais, dissemina impressões tanto no cenário nacional como no internacional. Fundamentada em cinco princípios - ouvir, ousar, desafiar, cumprir o prometido e conviver com riscos -, a gráfica dá vida colorida ao papel no parque localizado no município de Itaquaquecetuba (SP), numa área de 200 mil metros. Todo mês são utilizadas duas mil toneladas de papel que atendem à demanda do mercado publicitário.
Diferenciais são inerentes à trajetória da empresa. Suas impressoras podem imprimir em até dez cores especiais, com acabamentos diferenciados e em substratos como poliéster, polipropileno e PVC. E é desde 1977 que a inovação tecnológica se faz presente no seu cotidiano. Com mais de 2 mil metros quadrados e cinco estúdios diferentes, que comportam desde pequenas produções até cenários para produções de TV e fotografias publicitárias de produtos de grandes dimensões, o espaço do BurtiHD é o local ideal para fotógrafos trabalharem suas imagens. Logo após, os profissionais podem contratar a finalização do Vaticano e finalmente imprimir os resultados usando a qualidade de impressão Burti. É possível contratar serviços isoladamente.
Já o setor de PrePress & PreMedia tem foco no tratamento, desenvolvimento e gerenciamento de imagens e arquivos digitais relacionados aos processos de impressão e mídia impressa. A área de logística foi desenvolvida para processar serviços customizados de forma a integrar a finalização e a distribuição dos serviços contratados pelos clientes.
Com tanta tecnologia à disposição do mercado, é natural que a empresa gere resíduos durante os processos. Nada mais leal do que pensar também no seu correto destino e no reaproveitamento das sobras. Nesta entrevista, Leandro Burti, vice-presidente de marketing, esmiúça a preocupação ambiental da empresa e deixa claro que o objetivo não é fazer marketing em cima das ações ambientais e sim mostrar que é possível contribuir para o longo prazo. Incisivo, ele convoca todos para alcançar um ambiente sustentável e prova que a indústria gráfica é a principal disseminadora das causas ambientais.
Não é à toa que Carlos Burti - fundador da empresa - vive dizendo que deseja ser um pulmão para seus clientes. E pulmão contaminado não tem fôlego para nada, nem para a nova nem para a mais antiga geração. |
GRAPHPRINT: A questão ambiental está em alta no Brasil. É muito comum debatermos como lidar com o ambiente e evitar possíveis prejuízos irremediáveis. Qual sua visão nesse sentido?
Leandro Burti: Todo papel pode e deve ser reciclado. De vez em quando eu escuto falar que a indústria gráfica acaba com isso, destrói aquilo etc. Acontece que a conscientização se faz por um livro e não por um outro meio. Como acabar com um veículo que conscientiza as pessoas a agirem de maneira ecologicamente correta? Muito se fala e muito se faz, mas a realidade é muito mais tranqüila em relação à ecologia do que pintam por aí. A batata que vale para mim é aquela que é plantada de um jeito orgânico, porque a batata plantada do jeito tradicional tem agrotóxico, que vai ser disperso no ambiente. Esses produtos químicos são bem maiores do que os liberados durante o processo de reciclagem do papel. Fico muito tranqüilo em dizer que a gráfica tem que ter diariamente uma consciência e uma evolução em relação ao ambiente.
Não adianta fazer uma campanha dizendo que a Burti neutralizou carbono em 2007. Na verdade, neutralizamos sim. Plantamos 15 mil árvores na Mata Atlântica, o que neutralizou todo o processo de impressão, mas não fizemos campanhas avisando o mercado. Para quê? É obrigação. As pessoas usam a ecologia para aparecer e nós usamos para sobreviver. Essa é a proposta da Burti.
Nosso parque gráfico hoje usa muito mais água pluvial do que da rua, porque temos capacidade de captação de água pluvial para regar grama, lavar chão, entre outras coisas. Podemos ficar com a luz desligada, pois pensamos um telhado onde a luz natural entra, e ela é muito mais legal com a impressão do que a luz artificial. Isso é obrigação. Há o tratamento de esgoto que é feito por bactérias que limpam a água para o retorno ao ambiente. É obrigação também. Todo papel que sobra na Burti, em formato de apara, é reciclado, e isso é obrigação. A chapa de alumínio que a Burti utiliza para impressão é 100% reciclada; também é uma obrigatoriedade. Existem várias ações que fazemos e não ficamos contando para todo mundo. Não falamos, pois é assim que inserimos o fornecedor na nossa proposta. Não preciso avisar o cliente o que estou fazendo nesse âmbito; falo com o fornecedor o que eu faço ou desejo realizar. A cadeia que a Burti promove já é ecologicamente correta e o fornecedor e o cliente entram de um jeito consciente.
GRAPHPRINT: Mesmo assim o cliente solicita responsabilidade ambiental?
Burti: Solicita, e deve solicitar sempre. Acontece que quando o cliente solicita, temos que estar prontos para atender. Detestamos ser reativos a uma solicitação, ainda mais na questão ambiental. Queremos estar prontos para atender. A nossa proposta é deixar uma empresa responsável e com herdeiros também responsáveis num futuro próximo.
Hoje em dia não tem mais estação de ano; até pouco tempo atrás tinha frio. Ainda bem que a mulher não é fertilmente regida pela variação climática. Está tudo errado, há incoerência em grande parte. A gráfica que usa rotativa também se utiliza de gás natural para secar o papel e o gás natural, quando usado para secagem, vira um resíduo químico da tinta que é utilizada. A Burti lava 100% do gás que será disperso na atmosfera e libera vapor sem causar estragos. Enquanto outras mídias tentam mostrar que o papel é um vilão eu prefiro que eles repensem o que estão promovendo até porque a consciência dos futuros leitores ou audiência de outras mídias se faz por meio do papel. A conscientização de uma escola pública se faz no papel e não pela web. Não é o canal de televisão que vai deixar claro o que deve ser feito; na cidade do interior, e há muitas sem televisão e sem internet, recebe folders com informações ambientais.
Apanhamos muito, mas essa forma de bater priva o próprio meio de fazer um movimento mais amplo. Daqui a pouco terá um aluno de sétima série que não vai querer mexer com papel, mas como ele sobreviverá sem as informações que o papel fornece? A ecologia, de vez em quando, é igual opinião médica: quando há consenso o diagnóstico é muito mais preciso e dá certo. O problema é que hoje em dia cada um fala de um jeito e de um modo egoísta.
Então se a web acha que nós acabamos com o mundo, vamos conversar. A televisão fala hoje em dia para não imprimir e-mail, então vamos sentar e conversar. Assim, criamos um consenso que conseqüentemente se transformará em um movimento muito mais esclarecedor e que trará capilaridade de pessoas. Muito me espanta a Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) ficar quieta, aceitando que papel é complicado.
GRAPHPRINT: A canibalização das mídias entre si é o principal obstáculo para a pluralidade então?
Burti: Ecologia não tem que ser disputada. É preciso somar para fazer o mundo viver de um jeito certo; as pessoas precisam somar; está claro que viver é complicado; sobreviver, então, ficará inviável daqui a pouco. Eu acho que com relação a negócios tudo é válido. Lucro não é pecado para mim. Lógico que vale tudo, sempre fundamentado nos princípios e valores inseridos na proposta do seu negócio.
Na questão da ecologia, não tem que ter disputa, tem que ter unanimidade; se formos atacados devemos reagir com uma contribuição em prol do ambiente. Tem que ser uma reação inteligente. Ecologia é para todos. Respiramos o mesmo ar mesmo sendo alguns leitores da internet e outros leitores de revistas. Muito me choca saber que muitos falam em ecologia, em consciência ecológica, mas por que não tentamos fazer algo no plural com volume e sustentação? No singular vira um bom negócio, vira uma ecotrip ao estilo eu faço, aconteço e apareço. E daí?
É tão pouco tempo para agir em conjunto que não dá para acreditar que um acusa o outro. A ‘acusação da consciência ecológica’ precisa parar.
GRAPHPRINT: O que significa os ‘esses’ deste plural? Continuidade do processo?
Burti: Eu não estou pensando no à vista, aliás, nem consigo mudar nada agora. O que vale a pena é o a prazo porque no à vista é tirar o pedido e entregar. O que gera cliente e negócios são os negócios a prazo, mas existe muita gente pensando à vista quando um monte de coisas é a prazo. É preciso ter consenso e para gerar consenso é preciso ter diversidade. Ela sim é completa. Pontualmente cada uma pensará do seu jeito.
GRAPHPRINT: Mesmo assim estamos falando em comunicação por meio de mídias distintas. Não seria a mesma espécie acabando com a fauna?
Burti: Parece que estamos num passado recente, pois mil anos é muito pouco, onde temos que comer alguém para sobreviver. Hoje em dia não tem mais essa. Eu acredito que o ser humano pode fazer revolução evolutiva. Há alguns anos a espécie humana morria com 30 e poucos anos. Hoje, os pediatras são geriatras precoces de recém-nascidos e estes viverão 120 anos numa boa. Temos que pensar nos nossos descendentes com 100 anos ou 120 anos. De vez em quando, assistimos algumas atitudes pontuais de alguns meios de comunicação egoístas e ecologicamente é preciso ser no plural.
GRAPHPRINT: Muitos sepultaram o papel com o advento da internet. Para desgosto dos ‘profetas de plantão’, o papel não só manteve o que já vinha fazendo como aumentou sua participação em diversos mercados. Fazem parte do contexto as apostas erradas?
Burti: O meio de comunicação que mais complementou a mídia impressa foi a internet. Quer mandar uma mala direta? Pega os dados pela web e envia focado na ação, no público definido. No papel é possível evocar o tato e o olfato, além, claro, da visão e da audição. O papel é muito mais interativo do que uma tela de computador. O papel pode ser complementado pela televisão, pela web ou por outros meios de comunicação. O problema é que se cria uma disputa de negócios sobre o output e nós temos que alinhar o input. Não fico decepcionado, porque está ligada ao emocional, mas acabo ficando até um pouco limitado em realizar mais coisas com mais pessoas do meu lado.
GRAPHPRINT: Então faltam iniciativas?
Burti: Quando a pessoa pensa no singular e promove reações sem bom senso fica só. Para ganhar um jogo temos que ter uma equipe, para ganhar uma corrida, um carro veloz sem pneu não é nada. A iniciativa tem que ser de um todo. Pensar somente em si mesmo para mim não vale. Adoro jogar com time. A razão é do idealizador, mas o ideal é para o todo.
GRAPHPRINT: Notoriamente o mercado de embalagens é o que mais evolui no âmbito gráfico. Os próprios índices econômicos do Brasil contribuem para o acréscimo de vendas das embalagens. Quanto mais dinheiro no bolso ou crédito maior o consumo delas. O que a Burti planeja para o mercado de embalagens?
Burti: Entendemos que hoje em dia os produtos estão muito parecidos; o que vende é o desejo. O iPhone, por exemplo, faz ligação igual aos outros, só que o desejo que ele provoca faz a fila de espera para adquiri-lo. A embalagem que a Burti faz é aquela que carrega um verniz especial, desperta desejo, tem papel laminado ou dourado, ou seja, aquela que contagia. Vou ao supermercado para olhar gôndolas e saber como trabalhar marca e transformar a embalagem num objeto de desejo.
É um mercado em crescimento. A economia está boa mesmo com as oscilações mundiais. Além disso, quem consome não é refém da bolsa. O emprego está aumentando, há filas de espera para carros novos e não depende se o Lehman Brothers quebrou ou não. A conseqüência da crise pode chegar aqui quando alguma instituição não conseguir dar crédito para o indivíduo comprar. Até agora não sentimos o movimento de parar com crédito para pessoa física e acho absurdo dar crediário para aposentado comprar remédio. Não concordo, mas existe. A população comprando, a embalagem dobra. Também acho que se alguém montar uma fábrica de papel vende tudo. Há uma deficiência de entrega de papel, temos programações com fabricantes que são cumpridas e funcionam, e eles estão envolvidos com a gente como sócio e não como parceiros, mas um spot, por exemplo, de hoje para amanhã, é complicado; não há tanto delivery.
GRAPHPRINT: E quais outras atuações da Burti?
Burti: Temos uma área ‘no paper’, que é tecnologia pura à disposição do mercado, até para os profissionais que não trabalham com publicidade. Temos também uma área ‘paper’ que faz de tudo no papel e mais um pouco, até embalagem. Há ainda o BurtiHD, que é um estúdio de captura de fotografia digital. Lá o fotógrafo tem assistente, câmera, ou seja, tudo que precisa para chegar e fazer a imagem. O HD é um serviço de hotelaria que entrega fotografia. Na parte de ‘no paper’ temos softwares de gestão de ativo digital do cliente. Caso ele queira deixar seu acervo gerenciado com inteligência o Voto está lá para isso. Quem sabe usar a tecnologia que a Burti proporciona se dá bem, é um bom negócio.
GRAPHPRINT: Podemos tratar como três divisões da empresa?
Burti: Verdade. Transitamos desde a imagem até a embalagem. Da imagem até a embalagem tem a parte ‘no paper’, que é a fotografia, software e pré-mídia, a área ‘paper’, de folder a embalagem, e a divisão de inteligência, que é a logística. A logística envolve tudo isso, podendo ser virtual ou de caminhão para entregar impressos nos Estados Unidos, por exemplo.
GRAPHPRINT: A Burti está digitalizada e familiarizada com a tecnologia?
Burti: Aquele impresso entregue nos finais de semana que vende imóveis acabará. Cada vez mais as pessoas receberão um produto customizado e para gerar um target tem que ter digital envolvido. O digital está acontecendo. Hoje, as máquinas da HP imprimem de um jeito bacana com softwares que as complementam. Os modelos offset são reféns de um ‘fire’; não há softwares que os complementam. De um lado a era digital evolui com complementos virtuais. O digital é uma evolução natural e isso graças à base de dados que se faz digitalmente. O digital agrega valor, chama pelo nome e promove vontade de guardar. O volume pode diminuir, mas a qualidade aumentará.
É o digital que dá qualidade e mobilidade. O acerto, a Burti usava só Aurélia, antigamente queimava, não sei precisar exatamente quantas mil folhas, e hoje em dia numa máquina nova desperdiça 500 folhas. É necessário entregar custo-benefício com qualidade. Não há mais como cobrar alguma coisa extra porque somos bacanas ou amigos. O preço é commodity, se não tivermos de acordo com ele não estaremos no mercado. Mesmo sendo commodity o preço precisa ser coerente; não pode ter sonegação e não ter um preço sem benefícios. Na eficiência da máquina tem que haver custo bom, sem dúvida nenhuma. Cada evolução uma revolução. |