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Editorial - Edição 83
Sumário
Bóson de Higgs gráfico
 

Foram dispensados mais de 24 anos, entre projeto e construção, ao custo de US$ 8 bilhões - financiados por um consórcio de países -, para concretizar o Large Hadron Collider, ou simplesmente o LHC. O LHC nada mais é do que um túnel de 27 quilômetros de extensão, construído a 100 metros de profundidade na fronteira entre França e Suíça e que, de acordo com os cientistas, desvendará os mistérios do nascimento do universo, respondendo provavelmente questões polêmicas da cosmologia, como a (ainda surreal) existência de outras dimensões.

No interior do túnel os cientistas aceleram feixes de prótons a uma velocidade muito próxima à da luz e os colidem. Acredita-se que com esse procedimento será possível produzir as condições existentes no cosmo um trilionésimo de segundo depois do Big Bang - a grande expansão súbita que deu origem ao universo e conseqüentemente a tudo que o constitui. O princípio do LHC é fundamentado na equação criada por Albert Einstein onde energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado (E=mc²). Entendeu? Eu não.

Em suas entranhas, os feixes de prótons adquirirão energia equivalente à de um trem de 400 toneladas que viaja a 150 quilômetros por hora. Ao colidirem milhares de partículas serão analisadas e a que mais interessa ao mundo científico é o chamado bóson de Higgs que, por enquanto, na teoria, explicaria o surgimento da matéria no universo. Tudo leva tempo: a previsão é que dentro de um ano surjam os primeiros indícios da composição da matéria escura e da possível existência de outras dimensões e daqui a três o bóson de Higgs será finalmente revelado.

Pois bem. A indústria gráfica já descobriu seu “bóson de Higgs” há tempos. Da linotipia e da tipografia à impressão digital certamente foram escavados muitos túneis aceleradores de tecnologia. Há 200 anos no Brasil e 200 e mais vários no mundo, o universo gráfico passou por muitas explosões positivas e negativas que geraram partículas de crescimento. Passo a passo ou impresso a impresso, elas, lapidadas pelos gráficos de plantão, viraram verdadeiras supermáquinas de impressão.

O grande bóson de Higgs da Burti, por exemplo, é a capacidade de produzir nobres impressões sem se abster do desenvolvimento sustentável. Aliás, foi essa gráfica que antecipou alguns processos - sendo a primeira empresa do setor privado a possuir uma rede de transmissão de dados em banda - pulverizados atualmente no mercado gráfico.

Para descobrir o exato momento de acelerar seus feixes, a indústria de vernizes gráficos teve que se desvencilhar da tinteira. Ao adquirirem velocidade suas partículas atingiram o centro do alvo: para pensar em verniz é preciso ser especializado nele.

Na ecoeficiência é que se concentra o bóson de Higgs da indústria de celulose e papel. Creiam: no Brasil, ao contrário do que acontece em alguns países eleitos de Primeiro Mundo, não se corta árvore nativa para produzir papel. A ecoeficiência não é marketing, é conceito unânime entres as empresas do setor. O binômio ecoeficiência e competitividade vale na prática.

Àquelas empresas que ainda não detectaram seu bóson de Higgs tiveram a oportunidade de assimilar feixes de informações durante a conferência elaborada pela Afeigraf que debateu os rumos da indústria gráfica brasileira e mundial. Para descobrir alguns bósons de Higgs citados durante o Trends of Print, leia a cobertura do evento logo adiante. É também nesta edição que Thomaz Caspary, consultor de empresas e diretor da Printconsult, passa a escrever artigos exclusivos para GRAPHPRINT. Alguns bósons de gestão gráfica serão revelados gradativamente por Caspary.

Não sem antes preenchê-lo de vinhetas com informações relevantes, fechamos nosso túnel de informações. Eureca nosso bóson de Higgs: lealdade à informação gráfica.

 
Fábio Sabbag - fabio@avilaagnelo.com.br
 
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