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Softwares para pré-impressão - Edição 82
Sumário
Controle tangível
 

Com o objetivo de otimizar o processo de controle, os softwares melhoram a automação no fluxo da pré-impressão e eliminam gastos desnecessários. Com isso, vêm se posicionando como uma importante arma de gestão e de competitividade.

 
Fábio Sabbag
 

Muitas vezes igualadas em qualidade e com os mesmos equipamentos à disposição do mercado, as gráficas buscam novas maneiras de diferenciação no mercado. Uma das alternativas é investir no departamento de pré-impressão, pois um problema pode e deve ser apontado antes de qualquer ordem de impressão.

E é dentro do departamento de pré-impressão que os softwares entram. Com o objetivo de otimizar o processo de controle, eles melhoram a automação no fluxo da pré-impressão e eliminam gastos desnecessários, como por exemplo a gravação de chapas erradas, entre outros. “Controle total sobre todas as etapas dos processos é o que as indústrias buscam. Analisar e estabelecer os itens a padronizar é fundamental antes de decidir qual o melhor software ou hardware para automatizar os fluxos de trabalho. Quando se tem processos analisados e medidos, um software que automatize e gere relatórios desses fluxos pode melhorar a produção de maneira tangível. A falta de treinamento e padronização nas operações de pré-impressão conduz a variações na produtividade, na qualidade do produto e, portanto, no custo final da produção. Os softwares de automação de fluxos de trabalho contribuem para minimizar essas variações”, explica Marcelo Zilber, prepress da Gutenberg.

Na opinião de Ibis Itiberê, especialista de software da Roland DG, há uma tendência muito grande de incorporar muitas funções realizadas de forma manual dentro do próprio software rip. “Por exemplo, cito o gerenciamento de cores, que por muito tempo foi feito na estação de trabalho de forma manual; hoje é feito dentro do rip. Outra ferramenta que podemos citar são os dados variáveis, que agora agregam o número de funções que o rip pode desempenhar sem a necessidade de grande intervenção manual. Há ainda funções exclusivas que aprimoram ou ajudam a acrescentar novas funcionalidades ao equipamento, como o Roland Intelligent Pass Control, por exemplo, que melhora sensivelmente a qualidade da imagem impressa em médias e baixas velocidades pelo uso de um mecanismo diferenciado de controle de passadas, que evita o chamado ‘efeito banding’, ou ‘marcação de passadas’, nesses modos. Essa tendência ajuda a melhorar a dinâmica de trabalho, reduzindo o número de tarefas e diminuindo a complexidade das atividades relacionadas à impressão, além de proporcionar novas ferramentas ao cliente para que este possa agregar novas funcionalidades ao seu repertório de trabalho”, acrescenta Itiberê.

Para Felipe Marques Pacheco, gerente de software da Prepress, a automação no fluxo de trabalho de pré-impressão tira das mãos do operador inúmeras tarefas que o software pode fazer sem a intervenção do operador, mantendo a pré-impressão rodando 24 horas por dia. Pedro Gargalaca, diretor da Coralis, acredita que na atualidade os softwares de pré-impressão facilitam a vida dos profissionais, fazendo desde conferências e ajuste nos arquivos até correção e pré-acerto de entintagem das máquinas impressoras, com índice de acerto de 90% a 95%.

Já Osvaldo Vieira Cristo, gerente de divisão da Heidelberg do Brasil, sabe que os programas utilizados nos processos gráficos têm como um dos seus objetivos melhorar o controle de produção, mas alerta para que seja inserido num contexto onde exista foco no controle de produção. “Os programas são apenas ferramentas, cuja funcionalidade dependerá de como eles são utilizados”, argumenta.

De acordo com Erik Feruglio, gerente de vendas - suportte da EskoArtwork, os softwares para fluxo de trabalho podem automatizar desde o processo de verificação, pré-flight, eliminando a possibilidade de diversos erros, até o envio para saídas diferentes, como imagesetters, plotters, CTPs, sistemas de backup, trapping ou montagens. Determinados sistemas de worflow podem ampliar o desempenho e produtividade de uma empresa em até 50%, além de eliminar diversos erros comuns ao contato humano, facilitar processos e aplicar qualidade diferenciada. “Temos clientes que realizam todo o processo de montagens e preparação de embalagens utilizando nossos workflows que interagem com o banco de dados da empresa (MIS), já aplicando alterações necessárias nas artes, assim como utilizando arquivos de CAD para repetições e outros detalhes. Diversas etapas podem ser automatizadas em um departamento de pré-impressão e esta solução vem crescendo e se espalhando pelo mercado com ótimos resultados”, avalia Feruglio.

A One Vision, que atua no mercado de softwares para pré-impressão, e há dois anos no mercado brasileiro, atendendo toda a América Latina, tem como foco uma solução pré-mídia independente de qual será a forma de impressão, com exceção para a área de embalagens. “O forte da One Vision sempre foi trabalhar com software pré-mídia para o mercado de jornal. Nos últimos anos, entramos no mercado de gráficas comerciais, adaptando a solução de jornais para gráficas comerciais. Dentro da solução de pré-mídia, a One Vision faz o pré-flight, que é a normalização do arquivo, e a estruturação, para que não haja problemas depois que entrar na linha de produção; realiza o controle de entintagem, uma solução tetradimensional que baixa as cargas do cian, magenta e amarelo e preto, mantendo o mesmo resultado final, entre outras funcionalidades. A grande diferença é que todo produto da One Vision é de fácil manuseio, bem interativo, e vem traduzido na língua nativa de cada país”, conta Fernando Tadeu Farias, vendedor da One Vision.

Incompatibilidade de arquivos
Arquivos que não conseguem se comunicar entre si travam qualquer sistema. Na área de softwares para pré-impressão, a comunicação precisa ser rápida e sem interrupção. Por isso, os softwares estão cada vez mais receptivos a novas relações. “Cada dia mais os softwares profissionais de finalização ganham maiores compatibilidades com a aplicação de plug-ins e ferramentas que evitam ao máximo o problema no transporte de arquivos de um formato a outro. O principal objetivo da EskoArtwork é ampliar a conectividade desde a criação das embalagens até sua produção final. Já podendo desde o começo, visualizar resultados em 3D de embalagens com grande proximidade aos trabalhos prontos. Integração de arquivos, aplicação de facas originais desde a criação e muito mais”, fala Feruglio. Para Gargalaca, a saída para não comprometer a comunicação entre os softwares é selecionar sistemas abertos.

Pacheco afirma que os produtos vendidos pela Prepress não apresentam problemas com incompatibilidade de arquivos. A padronização dos perfis de geração PDF é a saída para os problemas de incompatibilidade. “Existem normas ISO para isso e elas estão presentes na maioria dos softwares atuais de pré-impressão. Também é muito importante investir em treinamento para que os operadores desses processos tomem consciência da importância de seguir procedimentos”, comenta Zilber, acrescentando que partindo do princípio de que o arquivo enviado é um PDF/X, algumas características podem ajudar na impressão offset, como o controle da carga total de tinta, que varia com a gramatura do papel a ser utilizado, e o controle do equilíbrio tonal do gris e sobre impressão de elementos. “Com isso e o PDF/X temos uma base para gerar uma boa impressão”, diz Zilber.

Padronizar é a saída para eliminar a incompatibilidade de arquivo. “A maneira tradicional de solucionar problemas de incompatibilidade de arquivos é transformar tudo que é recebido, independentemente do seu formato e conteúdo, em um único formato padrão, ou, no jargão técnico, normalizar todos os arquivos antes de eles entrarem no fluxo de trabalho propriamente dito. Isso pode ser feito com ferramentas dedicadas ou com ferramentas mais genéricas configuradas e operadas convenientemente. Um exemplo dessa ferramenta ‘genérica’ é o Adobe PDF Destiller, que, devidamente configurado, incluindo plug-ins específicos, é uma ferramenta bastante poderosa. A maioria dos sistemas mais avançados para o controle do fluxo na pré-impressão dispõe também de ferramentas específicas como parte do sistema, como é o caso do Heidelberg Prinect Prepress Manager”, diz Cristo.

Costa lembra que a Kodak trabalha com soluções intercambiáveis e com linguagens universais em seus produtos. “Sistemas fechados não terão espaço no futuro. Considerando um fluxo ideal, a Kodak produz soluções que buscam alto desempenho em ferramentas abertas que possam receber inputs de diversas plataformas e que não necessariamente sejam gravados em CTPs ou impressoras digitais Kodak, por exemplo”, comenta o gerente de pré-impressão da Alphaprint.

Farias, da One Vision, acredita que como as gráficas estão niveladas, o diferencial é o tratamento dado na pré-impressão. “Todas usam matéria-prima de primeira linha e o diferencial da empresa pode ser o One Vision, que é um workflow de PDF que se adapta a qualquer outro workflow do mercado. Os workflows, mesmo tendo o preflight das empresas, trabalham com uma extensão do Acrobat que é o Pitstop. O Pitstop analisa onde estão os erros e emite um relatório, apontando-os. Nosso software identifica muitos outros erros e os corrige, produzindo um novo arquivo sem os antigos erros. O One Vision previne e evita os problemas. A evolução dos softwares de editoração, que hoje têm o CS3 da Adobe trabalhando com PDF 1.7, complica a vida do gráfico. Ele tem um rip de 1.4 ou 1.5 e se for atualizá-lo gastará mais alguns milhares de dólares. Com a solução da One Vision, o cliente ganha uma sobrevida, porque ao lidar com um um rip 1.7 o software converte para 1.4 ou 1.5 sem perder nenhum elemento gráfico da página”, revela Farias.

O gerente de tecnologia da T&C, Luca Cialone, observa que os atuais sistemas de prepress trazem cada vez mais ferramentas para que as incompatibilidades dos arquivos possam ser solucionadas de maneira automática e sem perda de informação. “O TF SE utiliza o novo Appe da Adobe para que o fluxo seja 100% PDF e não haja perdas em suas conversões para formatos proprietários, aumentando a sua compatibilidade com os atuais arquivos”, explica. Ticiana diz que a solução para os problemas de incompatibilidade de arquivos é realizar um bom trabalho na pré-impressão e identificar quaisquer falhas antecipadamente. “As ferramentas automatizadas e o recurso de preflight são valiosos nesse processo”, observa a gerente de marketing da unidade de produção de alto volume da Xerox do Brasil.

Eliminar paradigmas
Alguns gráficos ainda são verdadeiros “urtigões” do mercado. Nunca quiseram abrir suas empresas e quando abriram sempre reclamaram que tal tecnologia não era bem-vinda, pois o negócio andava bem daquele arcaico jeito. Felizmente, esses executivos estão sumindo, dando lugar a personagens mais modernos e antenados.

Mesmo assim, mudar a mentalidade, ou melhor, interferir na cultura dos gráficos - uma vez que é preciso envolver todos os funcionários na nova idéia de controle de processos - ainda é uma tarefa árdua. “Não sei se é culpa de um modelo de mentalidade. Essa paixão pelo novo também tem um certo revés. Não se deve jogar toda a experiência profissional de décadas de muitos profissionais fora simplesmente sob o argumento do novo. Há coisas novas que não são boas e há coisas velhas que são boas. Em geral, essa abordagem gera mais conflitos do que ajuda a resolver o problema. Se a tecnologia for realmente boa, as pessoas vão ver as vantagens e vão utilizá-la. Caso contrário, terão uma resistência maior a adotar novos modelos, o que é natural. O interessante é que ambos os lados procurem dialogar a ver como podem ajudar a produzir melhores resultados, buscando sempre o que há de melhor em ambos”, opina Itiberê.

Costa prevê que os profissionais que não se adequarem ao novo cenário serão substituídos por outros mais produtivos e com maior capacidade. “Entendo que, de um modo geral, o gráfico percebe a oportunidade de investir em softwares, em pré-impressão”, acredita o gerente de pré-impressão da Alphaprint. Mudanças à vista: “A mentalidade dos gráficos está mudando porque os requerimentos dos clientes estão mudando. A impressão sob demanda, o uso da cor e dados variáveis crescem a cada dia. Os clientes querem pedir trabalhos a qualquer hora e os prazos de entrega ficam cada vez mais curtos. Com isso, os gráficos estão percebendo as vantagens de um ambiente automatizado, otimizado e integrado de forma a atender às demandas”, fala Ticiana.

Cristo defende a mudança cultural e aponta dois pontos-chave no segmento: “Existem, na verdade, dois aspectos que precisam mudar: o primeiro é a formação. Cada vez mais o ambiente de produção se sofistica. Antigamente os operadores poderiam ser até analfabetos, e isso acontecia com freqüência. Hoje, dependendo do equipamento, o operador pode precisar conhecer uma língua estrangeira - a mais usual é inglês - e, às vezes, outros conhecimentos adicionais de química, matemática ou de informática. O segundo ponto a ser mudado é a visão estratégica. Não é razoável utilizar as mais sofisticadas ferramentas disponíveis hoje em um ambiente de produção que teima em manter o mesmo padrão de 30 anos atrás. É importante repensar constantemente a maneira de produção a fim de prover melhorias constantes na eficiência e qualidade da produção. Todas as gráficas de sucesso do mercado fazem isso”, diz.

Emerson Povareskim, sócio e proprietário da Povareskim Color Consulting, também acha fundamental a mudança. “A evolução dos métodos e meios produtivos fazem uma seleção natural dos profissionais e até das empresas. Os que investem em tecnologia tendem a ter menores custos produtivos, maior qualidade e maior capacidade produtiva. Aos que não acreditam nas mudanças, a própria história de empresas que não se reciclaram e ficaram para trás ou até mesmo fecharam mostra o rumo que decisões mal tomadas podem gerar”, avalia ele. Cialone ressalta que a mudança vem acontecendo muito lentamente: “A concorrência, cada vez mais acirrada entre os gráficos, permite que aqueles com uma visão mais macro do negócio possam oferecer ao mercado brasileiro produtos e serviços diferenciados, utilizando novas tecnologias que envolvem cada vez mais todo o grupo de funcionários. Infelizmente a corrida descontrolada para ganhar novos clientes age de maneira inversamente proporcional à qualidade dos serviços e produtos finais.”

Zilber comenta com uma pergunta: “Quando poderíamos imaginar que as normas ISO chegariam às artes gráficas? Mas para chegar a resultados na indústria gráfica é preciso mudar a gestão do negócio. Como uma norma, uma gestão estabelece o que quer como resultado. Arbitra como chegar a ele, mas a viabilidade desse processo passa pelo ser humano. A mudança na mentalidade e atuação de todos os envolvidos nesse processo é fundamental e inevitável”, observa o prepress da Gutenberg.

Os gráficos investem?
A tarefa de desenvolver e criar novas ferramentas é do fabricante de software para a indústria gráfica. Do mesmo modo que cria incessantemente novas soluções, as outras são deixadas de lado. E o custo para se manter atualizado não é dos mais convidativos nesse segmento. “Vender um software que poderia ser simplesmente fornecido via download é algo muito complicado de explicar. Demorou muito para as empresas acreditarem nos resultados e como o investimento poderia ter um retorno garantido. Hoje, devido a diversos clientes importantes e satisfeitos no mercado, muitos de nossos produtos se vendem praticamente sozinhos. Temos produtos que jamais alguém abandonou seu uso, e mais licenças são solicitadas, provando a satisfação dos clientes. Ainda existe uma grande parte do mercado que não acredita na seriedade e benefícios que uma pré-impressão com um fluxo de trabalho profissional pode gerar, resolvendo diversos problemas, economizando muito dinheiro e aplicando uma qualidade que não poderá ser alcançada sem nossas soluções. Mas fico feliz por estar presenciando o interesse cada vez maior nessa área”, avalia Feruglio.

Jean Franco Battaglini, gerente do departamento de pré-impressão de O Estado de S. Paulo, conta que a pré-impressão do jornal é basicamente dividida em cinco setores. “Temos uma área que faz a recepção dos anúncios, que têm de ser em PDF; outra área é responsável pela diagramação e paginação dos classificados, pois eles têm um tratamento diferenciado, com seções que adotam vários critérios; a parte de produção de fotolitos, que é o método que utilizamos em função dos altos investimentos para implantação de CTP; a área de chapas, cópia de matriz com todos os equipamentos de exposição, revelação e dobra, auxiliando todas essas áreas; temos a de suporte gráfico, que é uma área fundamental na pré-impressão, que cuida dos padrões de layout e gabarito. O pessoal dessa área visita agências, passa perfis de cores, calibra cores e dá todo o suporte técnico possível.”

Ainda de acordo com Battaglini, é justamente a pré-impressão que sente o impacto dos softwares. “Na área de softwares de preflight, mantemo-nos atualizados sempre com a última versão, para acompanhar a própria evolução do mercado. Diariamente saem novas versões de aplicativos e as diferenças de sistemas operacionais e o preflight têm que estar preparados para lidar com toda esta gama para garantir a reprodução fiel do original.

Pode acontecer de receber um anúncio e o sistema de preflight inserir distorções que só serão percebidas quando o anunciante vir ou a agência receber o jornal. É um ambiente muito crítico. Eu diria que o software de preflight na pré-impressão é de uma importância máxima. Por outro lado, é difícil acompanhar a evolução dos softwares. Eles não são baratos, mas se fizermos uma conta, em caso de uma republicação que se dá num volume de impressão que é o Estadão, como num anúncio de página inteira com 300 mil exemplares, o custo e o desgaste envolvido num erro assim justifica o investimentos. Por isso é um investimento constante”, diz Battaglini.

O gerente de pré-impressão do Estadão solicita uma atenção mais especial ao pessoal de jornal por parte dos fabricantes de softwares. “O que sentimos muito, e eu não sei se os softwares vão chegar a esse nível para produção gráfica, é a necessidade de ter um conhecimento técnico aprofundado para se produzir um material. Para o meio jornal isso é um pouco mais complicado. Alguns softwares, como o Photoshop, por exemplo, seguem parâmetros de tratamento e calibração de tela voltados para a área de gráficas comerciais. A sobreposição de tinta, o ganho de ponto e a conversão de preto são para impressos voltados para gráficas comerciais e para o jornal a característica é muito particular. É preciso reduzir a sobreposição de tinta e aumentar o ganho de ponto, e nisso, para a gente, fica a desejar. Para o meio jornal não há nada pronto; tem de ser tudo configurado por nós. Os aplicativos não têm um produto voltado exclusivamente para o jornal. Nós, do jornal, caímos em sistemas editoriais e sistema de classificados que já nascem com o objetivo de atender jornais, mas os aplicativos, na maior parte, não; eles têm foco na área comercial”, observa Battaglini.

Zilber traduz em números o retorno do investimento: “Um jornal ou uma gráfica com um software de controle de carga de tinta nos arquivos PDF podem economizar 15% do total de tinta gasta em um ano. Além da secagem ser mais rápida e das quebras de bobinas e papel serem menos freqüentes”, fala. Já Pacheco acredita que os gráficos investem pouco e compara o software a uma máquina offset: “O software é um investimento que, no mercado gráfico, não é tão valorizado quanto a aquisição de uma nova máquina offset”.

Fixar a idéia de que uma gráfica vende apenas o impresso final é um sinal claro de derrocada. “Os gráficos de hoje estão mais preocupados com a área de software. Infelizmente a visão de muitos empresários é a de que uma gráfica vende o impresso final e nada mais. Devemos lembrar que esse mesmo impresso final pode ser produzido em tempos muito menores, com um controle de qualidade apurado e uma repetibilidade precisa, aumentando assim a lucratividade do mesmo impresso com investimentos planejados em software, seja de produção, seja de controle”, argumenta Cialone. Povareskim segue o mesmo raciocínio: ”Isso é um ponto muito importante que deve mudar. Até hoje o empresário gráfico direciona todo seu potencial de investimento para a impressão, deixando de lado a pré-impressão. É óbvio, num primeiro momento, investir milhões em impressoras, mas economizar milhares na pré-impressão. O fato é que a cada dia podemos provar que o investimento feito na pré-impressão é fundamental para um fluxo produtivo sadio e, o mais importante, para a qualidade da empresa.”

Comprar um fluxo de produção, na opinião de Cristo, é utopia: “Investir em ferramentas adequadas é um bom negócio se, e apenas se, usar essas ferramentas. Muita gente imagina que pode comprar no mercado um ‘fluxo de produção’. Isso é mentira. Fluxo de produção é a maneira com que cada empresa utiliza seus recursos produtivos. Ninguém vende isso; no máximo pode vender ferramentas para otimizar e automatizar o fluxo de produção da empresa.” A empolgação, segundo Itiberê, pode atrapalhar o investimento: “Verifiquei, ao longo da minha experiência profissional, inúmeras situações em que um determinado software era comprado e logo abandonado. A empolgação leva muitas empresas a adquirirem softwares que não precisam ou não são adequados ao seu modelo de negócio.”

Relação com os fornecedores de equipamentos
Nada mais justo e leal do que trocar informações com os fabricantes de equipamentos para impressão. Os desenvolvedores de softwares criam ambientes para melhorar o fluxo de trabalho e os fabricantes de equipamentos oferecem o melhor local para o assentamento da tecnologia. “Hoje, todos buscam uma interação em todos os processos da gráfica, desde o orçamento, pré-impressão, impressão e acabamento até a entrega. Máquinas offset e para acabamento já são fabricadas para interagirem a partir de arquivos JDF com o fluxo de trabalho”, fala Pacheco.

De acordo com Cristo, é costumeiro ouvir no mercado representado pelas gráficas que empresas fornecedoras de equipamentos de pré-impressão se imaginam como o centro do universo e isso ocorre principalmente porque o seu processo de vendas tem foco na pré-impressão, como era de se esperar. “O problema surge quando o candidato a comprar esse sistema de pré-impressão é uma gráfica, isso porque ela sabe onde está seu maior investimento: usualmente, na impressora offset. Nesse ponto, um fabricante de equipamentos de impressão passa a ter uma base significativamente mais sólida para apresentar uma ‘solução de pré-impressão’, simplesmente porque sua visão é otimizar o fluxo como um todo, e, sobremaneira, a utilização das impressoras, por representar o volume de investimento mais significativo na maioria das empresas gráficas.”

Cialone defende frontalmente o cuidado com a pré-impressão e a responsabilidade que esse departamento carrega. “Acredito que os fornecedores de soluções de prepress são os responsáveis pelo sucesso ou insucesso de um trabalho. Esses fornecedores são aqueles que oferecem equipamentos e sistemas capazes de criar as matrizes para que um trabalho seja impresso com uma alta qualidade. Costumo dizer que um ótimo trabalho impresso depende 100% do trabalho feito em prepress. Os equipamentos de impressão têm como obrigação reproduzir fielmente esse trabalho de criação e preparação das matrizes.”

De acordo com Povareskim, há uma tendência de os fabricantes de equipamentos fazerem o que é da sua competência e deixarem a área de software para empresas especializadas, ou passarem a utilizar soluções em OEM. Costa revele que percebeu aumento na venda de impressoras novas, com acertos mais rápidos e de tamanhos maiores. “Fatores como esse determinam a necessidade de investimentos em CTPs mais rápidos, fluxos de trabalho com automação, robustez e performance.”

A Roland matou dois coelhos com uma cajadada. “Esse é o caso da Roland, que desenvolve o seu próprio software, além do equipamento. Por melhor que seja o desenvolvedor do hardware e do software, sempre haverá melhor combinação entre ambos quando os dois são desenvolvidos em conjunto. Essa é a lição dada pela Apple, por exemplo. O sucesso do iPhone, do iPod e de outras soluções, além do próprio Mac, não seria possível se a Apple não desenvolvesse o seu próprio hardware além do software. Não é por outra razão que um dos melhores produtos da Microsoft, o Xbox, é desenvolvido em conjunto, ou seja, o software e o hardware,”, mostra Itiberê.

É notável a proximidade dos processos. “Cada vez mais desaparece a separação entre os processos. No estande da Komori, na Drupa, havia um equipamento que tinha os seguintes processos: aplicação de cold foil; impressão de até seis cores; aplicação e secagem de verniz UV; e relevo com chapas leterpress/flexo. Seria impossível ter um acerto desse equipamento em um tempo comercialmente viável, com este grau de complexidade e variedade de processos, sem o auxílio de softwares de pré-ajuste. Os parâmetros de tamanho de papel, gramatura, número de posição das cores, acerto dos tinteiros, pressão do relevo e perfil de tinta vêm de um ou mais softwares. A divisa da separação dos processos já não é mais tão clara”, explica Zilber.

Mudança radical nos programas de desktop publishing (DTP)
Gargalaca acredita que haverá mudanças radical nos programas de desktop publishing, pois 90% do pavilhão de novas tecnologias em softwares na Drupa deste ano tratava do aumento de produtividade com o uso de software de fluxo de trabalho.

A recente união das duas maiores empresas de softwares para pré-impressão no ramo de embalagens, que resultou na EskoArtwork, provocou muitas mudanças. “No meu ponto de vista técnico, estou absolutamente surpreendido com as futuras soluções que estão em desenvolvimento. Tão bom como a integração de nossos produtos, que antes eram concorrentes e agora estão se tornando uma só solução”, diz Feruglio.

Zilber acredita que não parece haver nada radical: “Os ‘engines’ de geração de PDF diretamente dos aplicativos estão cada vez melhores e o padrão XPS parece que veio para ficar.” Itiberê também não acredita e não vê razões para tais mudanças: “Há uma série de tecnologias que já encontraram um ponto de amadurecimento e outras que foram descartadas por não serem ainda suficientemente maduras ou adequadas ao mercado. Novas soluções poderão e deverão sempre aparecer esporadicamente, porém nenhuma que represente uma mudança radical na atual forma de trabalho da maioria dos programas.”

Costa é outro profissional do mercado que não acredita em mudanças radicais, mas avisa que percebe uma demanda por automação bastante possível nas soluções Kodak Prinergy. Ticiana lembra que a Drupa passada apresentou uma tendência de que os SWs de desktop publishing fiquem cada vez mais automatizados e integrados com outras ferramentas de produção gráfica. Povareskim crê que as soluções DTP tendem a se integrar mais entre si. E com ajuda de ferramentas, linguagens e formatos, a integrar-se ainda mais com as soluções de pré-impressão. Pacheco é mais um a não acreditar numa mudança radical, mas aposta certamente numa evolução. Cristo olha para apenas uma evolução natural das ferramentas existentes e avisa que o rumo desse desenvolvimento já foi estabelecido há tempos.

Modelos disponíveis
Na opinião de Ticiana Neves, gerente de marketing da unidade de produção de alto volume da Xerox do Brasil, basicamente existem três modelos de softwares com algumas variações. “Softwares que focam no recebimento e acompanhamento do pedido. Geralmente disponíveis na web, esses modelos possibilitam que o cliente envie trabalhos para a gráfica 24 horas por dia, 7 dias por semana. Somado a isso, tais softwares fazem a validação do arquivo no recebimento, permitem a visualização do trabalho final e oferecem opções de pagamento e entrega, bem como status do trabalho. O segundo modelo são os softwares que fazem o trabalho de pré-impressão propriamente dito; fazem a validação do arquivo, junções, conversões e imposições necessárias. Quando um trabalho é recebimento, regras configuradas direcionam o mesmo para fluxos de trabalho pré-definidos, que aprontam o arquivo para impressão sem a necessidade de intervenção manual. O terceiro modelo são os softwares para gerenciamento do processo de impressão. Esses softwares podem selecionar a melhor impressora para fazer o trabalho em função do custo, podem redirecionar automaticamente um trabalho para outra impressora em caso de falha, podem fazer a divisão de um trabalho em várias impressoras em função da carga de cada impressora e podem ainda realizar a divisão de trabalhos em impressoras cor e p&b, enviando as páginas coloridas para a impressora colorida e as páginas p&b para a impressora p&b. No final, tudo isso significa maior economia, maior produtividade e menor tempo de entrega”, diz Ticiana.

Atualmente, a Povareskim conta com o CMYK Optimizer, da Alwan Color. “Ele é capaz de otimizar arquivos PDF, reduzir tempo de setup de impressão gráfica, diminuir o consumo de tinta em até 30%, aumentar a velocidade de impressão e reduzir o tempo de secagem. Acreditamos que o conceito de otimização e gerenciamento de imagens seja o maior passo dado na área de software e impressão em vários anos, pois com um investimento único e de custo acessível é possível aumentar a capacidade produtiva e qualidade do material impresso”, explica Emerson Povareskim, sócio e proprietário da Povareskim Color Consulting.

A T&C oferece o Trueflow SE. “O workflow permite que os arquivos enviados pelos clientes sejam normalizados de maneira automática, minimizando os tempos não produtivos. Uma das características principais desse worflow é disponibilizar um módulo de imposição eletrônica sem custos adicionais para até 254 estações de trabalho simultaneamente”, observa Luca Cialone, gerente de tecnologia da T&C.

Conforme André Rezende Costa, gerente de pré-impressão da Alphaprint, a Kodak disponibiliza três soluções dentro da linha Prinergy. “O Prinergy Evo, o Connect e o Powerpack. O Evo está focado em operações que demandam alto desempenho em fluxos de produção menores. O Connect é uma solução em workflow para grandes volumes de produção e que necessitem de automação. Já o Powerpack é voltado ao mercado de embalagens, cartonagens, clicherias e conversões que demandam controle total e qualidade sobre sua produção de matrizes. Todas as soluções permitem migrações entre si, preservando o investimento do empresário. Também contam com a possibilidade de integração com todos os produtos Kodak InSite, ferramentas de colaboração via internet”, explica.

Homogeneidade e simplicidade são os planos da Heidelberg. “A Heidelberg adotou há muitos anos um modelo baseado em padrões abertos de comunicação e troca de informação no formato eletrônico com interfaces simples e homogênea. Essa é a razão pela qual a Heidelberg tem como paradigma o JDF/JMF. As interfaces uniformes garantem uma facilidade maior no treinamento e melhor utilização dos diversos recursos disponíveis. O padrão JDF/JMF permite uma integração perfeita entre as diversas ferramentas a fim de garantir uma otimização global do processo produtivo”, diz Cristo.

Zilber destaca o K-ColorProfiler e o K-ColorMatchPro, ambos da Komori. “Com a disseminação do uso de CTPs e das provas de cor digitais, temos a necessidade de combinar as diferentes características de reprodução de cores que existem entre provas digitais e a impressão offset. Esses softwares podem medir uma prova de cor digital em um espectrofotômetro da mesa de ajuste de tintas da Komori e gerar um perfil ICC. Esse mesmo perfil pode ser usado para calibrar a prova digital. O mesmo software pode medir uma impressão do offset e o K-ColorMatchPro pode gerar um perfil para a prova digital ‘emular’ a impressão offset, padronizando a prova de cor para aquele equipamento e condições de impressão”, fala Zilber.

Já a Prepress destaca o Dalim Twist, um software de workflow que possibilita a automação e execução de várias tarefas, como converter imagens que estão no espaço de cores RGB para CMYK já aplicando o perfil ICC. “Poderia citar inúmeras maneiras de otimizar o fluxo de trabalho de pré-impressão. Citarei um caso baseado no software de workflow Twist, da empresa Dalim. A maioria das gráficas, birôs e empresas de pré-impressão recebem arquivos via FTP. O workflow Twist busca esses arquivos e faz o preflight, verificando possíveis erros. Após a verificação, gera um relatório e aponta todos os erros encontrados, manda via e-mail para o cliente, possibilitando-lhe arrumar o arquivo e enviá-lo novamente. Com isso, o operador ganha tempo para começar a trabalhar no arquivo quando este já estiver praticamente pronto para ser impresso”, ilustra Pacheco.

A EskoArtwork representa várias soluções: ArtPro / Package (editores profissionais de embalagens que elevam o desempenho, segurança e qualidade na preparação de arquivos mais complexos, que exigem um delicado trabalho de finalização); Nexus / FlexRip (sistemas de rip com workflow integrado que aplicam desde screenings especiais nas embalagens como também executam diversos fluxos de otimização no processo de gerenciamento de saídas); Backstage / Deskpack (servidor e plug-ins para Illustrator, que aplicam ferramentas importantes para auxiliar na finalização das artes digitais dentro do próprio programa de criação, além de fluxo de automatização que se integra com banco de dados, e diversos processos necessários na pré-impressão); ArtiosCad (software líder em preparação de desenhos técnicos de facas para embalagens, com possibilidades de integração direta com os softwares de finalização e preparação das embalagens); Visualizer / Studio (aplicativos para visualizar as embalagens em 3D, aplicando efeitos como verniz localizado, relevo, texturas, hot-stamping e outros); WebCenter (aprovação remota dos arquivos digitais pela web, registro de todos os registros como aprovações, acessos, possibilidade de visualização de arquivos em formatos de CAD, 3D, integração aos fluxos e muito mais); Kaleidoscope (aplicativo para o gerenciamento de cores em diversas plotters do mercado com base na opacidade das tintas e na sua ordem de impressão. Para quem precisa de provas contratuais, dedicados para embalagens, o Kaleidoscope consegue resultados incríveis sem se prender a tipos de plotters, formatos, papel ou tintas; possui grande controle de cores Pantones e aplicação de pontos nas provas); Odystar (fluxo / Rip para a área comercial baseado em PDF, onde diversas automatizações podem ser realizadas desde o início até o rip; sistema integrado ao Pitstop, screenings especiais e diversas funções que garantem maior velocidade e segurança nos fluxos comerciais); e o Equinox (gerenciamento de cores para otimizar determinado número de cores para a impressão de diversos trabalhos utilizando as mesmas tintas).

A Coralis possui software para gestão de cor no workflow digital e pré-acerto de entintagem que, segundo Gargalaca, garante uma economia de até 80% no tempo de acerto de uma impressora. Já a Roland DG tem o rip VersaWorks, que realiza trabalhos para pequeno, médio e grandes formatos. O Rip Roland VersaWorks entra em todas as impressoras da Roland (exceto nas plotters de recorte, que usam o CutStudio), e acompanham o pacote completo do VersaWorks 2.7. O VersaWorks 2.7 inclui diversas novidades, como o sistema de fidelidade de cores Roland Color e impressão com dados variáveis. O Roland Color é um sistema revolucionário de fidelidade de cores, desenvolvido como solução para impressão digital da Roland. Esse poderoso sistema de reprodução de cores oferece um abrangente número de amostras de cores e outras características que permitem que o profissional iguale de forma fácil e rápida a cor de logotipos e outros elementos de identidade corporativa. Com o Roland Color, é possível produzir catálogos de amostras de cores e tabelas diretamente na mídia de preferência. Essas referências podem ser visualizadas por seus clientes, selecionando a cor que combina com a cor de um símbolo, logotipo ou qualquer imagem vetorizada. Utilizando o equipamento da Roland é possível imprimir esta cor com maior fidelidade a qualquer hora.

O VersaWorks oferece impressão com dados variáveis, que permitem aos usuários combinar dados de arquivos TXT, CSV e XML com um template de design pré-definido, para a produção de elementos variáveis de texto e imagens. “Ideal para displays de ponto-de-venda, etiquetas, crachás, plaquetas, cardápios e outras aplicações personalizadas, o sistema de dados variáveis do VersaWorks permite que os usuários produzam rapidamente e facilmente uma série de impressões digitais nas quais o texto e/ou as imagens mudam de impressão para impressão. As impressões com dados variáveis do VersaWorks suportam arquivos de aplicativos populares de design, incluindo CorelDraw e Adobe Illustrator. Além disso, o VersaWorks possui versão em português e pode ser atualizado gratuitamente pela internet, assegurando que os usuários tenham sempre a última versão do software e dos perfis ICC disponíveis. A Roland disponibiliza no website mais de 700 perfis de materiais nacionais e importados para serem utilizados com software Versaworks e tinta Eco Sol Max. O software é compatível com os sistemas operacionais Windows 2000/XP/Vista. Além disso, a compatibilidade com os software gráficos mais utilizados no mercado, como Photoshop e CorelDraw, permite maior dinamismo durante as etapas de impressão. Outra característica é o Drag-and-Drop, onde qualquer arquivo que se encontra em sua área de trabalho pode ser ‘arrastado’ para dentro da fila de impressão. Também é possível o envio do arquivo diretamente do software de trabalho”, detalha Itiberê.

 
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