O sistema de prova digital precisa garantir a consistência entre as diversas impressões, mantendo as características de reprodução das cores ao longo do período de trabalho. Os equipamentos atuais têm inúmeros mecanismos para garantir a estabilidade da reprodução. Além disso, é necessário que a prova tenha boa durabilidade, que é obtida com o uso de mídias apropriadas, tintas originais e armazenamento adequado. Numa situação em que o sistema não fornece durabilidade adequada, as cores da prova se alteram após a impressão.
A prova digital envolve prova de cor, de leiaute, de montagem ou prova contratual, cada uma delas com uma finalidade específica. “Com relação às de leiaute e montagem, ambas necessitam também de precisão de medidas. As contratuais necessitam de exatidão de conteúdo em geral, textos, posicionamento de objetos e, principalmente, similaridade tonal”, observa o consultor de Pré-Vendas para Impressoras de Grandes Formatos da HP, Enio Zucchino. Já Luca Cialone, gerente de tecnologia da T&C - Treinamento Consultoria Comercial, resume que, além da cor, é preciso garantir “repetibilidade e reprodutibilidade, unidas com velocidade e com ótimo custo/benefício.” Para Marcelo Escobar, diretor de Tecnologia da Starlaser, a repetibilidade deve ser garantida com um mínimo de variação, conforme o preestabelecido e de acordo com as necessidades. Quanto à durabilidade, esta também deve ser definida entre as partes ou ter um mínimo de 60 dias. “O software também deve permitir a linearização do sistema para garantir o resultado ao longo do tempo. Tudo isso já consta da cartilha de ‘Provas Digitais’, lançada em agosto pela Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG)”, diz.
Workflow
Para integrar a prova ao fluxo de trabalho é necessário que o equipamento de prova reproduza todo o espectro de cor que a máquina de produção consiga imprimir e que tenha mecanismos de calibração e linearização. “Todos os equipamentos do fluxo devem ser linearizados e os perfis de cor de cada um deles devem ser gerados com as mídias de produção. Os produtos de software de workflow conseguem trabalhar em todas as etapas do processo e possuem um sistema de RIP e gerenciamento de cores para realizar as conversões, adaptações e ajustes necessários para manter a consistência das cores em todo o processo”, argumenta Itajubá Marques Segundo, analista de Produtos e Soluções da Canon.
Para Zucchino, da HP, a integração da prova está diretamente ligada ao uso de bons softwares de gerenciamento de produção, pois eles garantirão que a informação enviada às impressoras seja consistente e, ao mesmo tempo, garantirão que as impressoras tenham acesso aos corretos perfis de cores para a geração das provas digitais.
Tecnologia CTP
“As provas digitais complementam a tecnologia CTP e são vitais para garantir a previsibilidade desse sistema. Em função de a tecnologia CTP limitar a conferência visual do material gravado em chapa, as provas digitais ganham maior importância com esse tipo de sistema, pois delas dependerá a previsibilidade do posterior material impresso”, afirma Zucchino.
Itajubá Marques, da Canon, concorda que os equipamentos para provas digitais complementam a tecnologia CTP ao permitir não apenas realizar a prova de cor e leiaute, mas também a prova de imposição e a verificação da integridade do arquivo. “Os sistemas de RIP já conseguem detectar possíveis problemas em arquivos antes de submetê-los à impressão. Num ambiente de produção, esses recursos permitem economizar tempo e reduzir custos.”
Na opinião do especialista de Pré-Impressão da Heidelberg Print Mídia Academy de São Paulo, Kesler Santos, os equipamentos de provas digitais trabalham perfeitamente com a tecnologia CTP, inclusive compartilhando o mesmo RIP no conceito ROOM (Rip Once Output Many), ou seja, o mesmo interpretador é utilizado para tirar provas e gravar chapas, evitando assim diferentes resultados e aumentando a fidelidade, mas “dependendo do fluxo de trabalho, se é mais aberto ou mais fechado, se consegue uma integração com uma linguagem comum e saídas para impressoras de prova”, entende Eduardo Souza, do Departamento de Marketing da Alphaprint.
Gerenciamento de cores
O gerenciamento de cores exige conhecimento técnico, ferramentas e disciplina. No entanto, existem informações e treinamentos disponíveis; além disso, os fabricantes de equipamentos digitais têm se mobilizado para dar consultoria aos seus clientes. É importante que o usuário conheça seu processo de trabalho e as limitações que podem existir. Atualmente, as impressoras reproduzem as cores numa faixa bastante ampla que oferece grande fidelidade. As tintas estão sendo desenvolvidas para proporcionar maior durabilidade do impresso e reduzir os efeitos de metamerismo (quando duas cores diferentes aparentam ser iguais sob determinada iluminação), bronzing (quando sob determinados ângulos a imagem parece ter tons uniformes de cor) e banding (quando transições suaves, como dégradés, ficam nitidamente com faixas separando as cores).
O gerente de pré-impressão da Prol Gráfica, Amaury Spacca, analisa que é um processo que exige conhecimento e tempo para que todos os parâmetros estejam acertados desde a pré-impressão até o final da impressão. “Hoje, trabalhamos com espectrofotômetros integrados à prova digital, onde é feita a medição, trazendo exatamente o resultado das cores, não deixando que elas sejam alteradas na saída das chapas, garantindo a reprodução exata dos arquivos”.
O sócio e diretor da ACE Digital, Manoel Assunção Júnior, reconhece que o gerenciamento de cores ainda é um problema real no dia-a-dia das gráficas; “Alguns clientes ainda não têm o conhecimento da preparação dos arquivos e trabalham com imagens em RGB e com monitores não calibrados e esperam um resultado igual na impressão”, argumenta.
No entanto, Zucchino, da HP, ressalta que o gerenciamento de cores deve ser entendido como um processo. Ele alerta que o problema em geral do mercado é achar que um software ou um aparelho pode realizar o gerenciamento de cores, quando, na verdade, gerenciar cores significa estabelecer um processo pelo qual é possível controlar e prever as cores em determinado ambiente de produção. “Esse processo envolve controlar suprimentos, tais como papéis e tintas, monitores e impressoras, para garantir controle tonal sobre o processo. Os produtos de software e hardware destinados ao gerenciamento de cores têm evoluído dramaticamente nos últimos anos e merecem destaque por sua confiabilidade e estabilidade.”
Segundo Escobar, da Starlaser, é apenas uma questão de processos e tecnologia. “Ambos são necessários para que possam ser atingidos resultados de alta fidelidade. Atualmente temos sistemas de prova e gerenciamento de cores em clientes de todos os segmentos: premídia, offset, rotogravura (embalagem), flexografia (embalagem), dryoffset, letterpress etc”.
Cialone, da T&C, levanta outra questão: “O gerenciamento de cores nunca foi um bicho-de-sete-cabeças. Os problemas sempre foram referentes aos investimentos necessários para que isso se realize e se mantenha ao longo do tempo. E a cada dia temos soluções mais avançadas para que isso se torne não somente uma realidade da indústria gráfica brasileira, mas sim um fator indispensável que os clientes comecem a exigir dos empresários gráficos.”
Na verdade, há rumores no mercado que apontam que gráficas, convertedores de embalagens, bureaus e agências ainda não investem como deveriam na área de gerenciamento de cores. “É comum depararmos com gráficas e agências que ainda não conhecem ou não utilizam o gerenciamento de cores. Algumas apenas realizam a calibração de seus equipamentos e acreditam estarem gerenciando as cores. O processo completo (calibração, criação de perfis de cor dos dispositivos, validação da prova) é adotado em poucas empresas. No entanto, os fabricantes de equipamentos têm um papel importante na disseminação desse conhecimento”, lembra Itajubá Marques, da Canon.
Sistema melhora qualidade da Mazda
O sistema ColorProof, da alemã GMG, trouxe vários benefícios para o cotidiano da Mazda Embalagens. “O sistema GMG trouxe-nos a realidade da prova digital calibrada, uma solução que nos proporcionou maior agilidade em nossos desenvolvimentos e com baixo custo; eliminou o reprocesso de cilindros por problemas de padrão de cores, trazendo também maior precisão nos retoques de imagens, proporcionando uma visualização do resultado final em poucos minutos, podendo assim realizar ajustes até que se alcance o resultado desejado", afirma Rian Ribeiro Ramos, supervisor de preparação gráfica da GMG.
O supervisor da Mazda analisa que houve uma melhora muito grande nos equipamentos de provas digitais para a indústria de embalagens flexíveis. Segundo ele, os equipamentos estão com custo-benefício mais atrativo para o mercado, a resolução de impressão tem melhorado bastante e os softwares de gerenciamento de cores evoluíram muito, simulando muito bem diversos tipos de retículas para abranger vários sistemas de impressão. “No nosso mercado, que é de rotogravura e flexografia, a prova de cores não é mais um grande complicador; existe um controle forte nos processos para as provas digitais e também para as provas direto no substrato. Porém, toda calibração de provas depende de um padrão de impressão realizado na produção, onde todo controle de processo e tintas deve ser rigorosamente padronizado.”
Atuando desde 1987 no mercado de embalagens flexíveis, a Mazda é uma empresa que investe em inovação tecnológica e de processos. ”Estamos muito atentos às mudanças e necessidades do mercado, e para isso temos investido em tecnologia em todas as etapas do processo de fabricação de embalagens, com equipamentos modernos para pequenos lotes e pesquisas de novas estruturas para melhor atender os clientes”, destaca Ramos.
Studio Boop implanta sistema de provas ColorExpress
O Studio Boop é a mais nova agência de São Paulo especializada em catálogos e editoriais de moda e acaba de implantar o sistema de provas ColorExpress. Com uma equipe de profissionais especializados na área de moda, a Boop realiza todos os processos, desde a criação do leiaute, diagramação, casting, cenário, foto still e clima, até a finalização do material. Trabalhando sempre com profissionais qualificados, entre eles produtores de moda, fotógrafos, jornalistas, modelos e gráficas, a Boop consegue oferecer qualidade e prazo aos seus clientes. Atende grandes empresas do mercado têxtil e sabe a importância da rapidez e comprometimento com o prazo do catálogo, que muitas vezes é o único instrumento de "vendas" e por esse motivo a Boop se compromete a cumprir o prazo acordado com o cliente, respeitando o cronograma traçado no início dos trabalhos.
Guia de Produtos
Alphaprint
A principal novidade da empresa para o mercado de provas é a linha da família HP Z2100, Z3100 3 Z6100 em diferentes formatos e velocidades de impressão.
Canon
A Canon oferece dois sistemas de impressão para realizar provas digitais. Um deles é o jato de tinta, mais utilizado para provas contratuais, com equipamentos com 12 cores e tinta pigmentada. O outro sistema é o laser, muito utilizado para prova de leiaute, que já vem sendo aplicado para provas contratuais em algumas situações. A empresa tem o objetivo de consolidar a linha de impressoras jato de tinta imagePrograf, com os modelos iPF5100 (17 pol), iPF6100 (24 pol), iPF8100 (44pol) e iPF9100 (60 pol), que atendem o mercado de provas, fotográfico e sinalização, e a linha de impressoras laser imagePress C1 (14ppm A4 cor, 60ppm A4 PB) e imagePress C7000VP (70ppm A4). A C1 atende principalmente o mercado de provas e a C7000VP é um equipamento de produção.
Digigraf
Tem como novidade a prova com simulação de retícula, prova com separação de cores, equipamentos de impressão HP, com até 12 cores e espectrofotômetro integrado para geração de perfis ICC automaticamente.
Heidelberg
A principal novidade da Heidelberg é o sistema MetaDimension com a ferramenta Color Proof Pro, para simulação de impressão de diferentes tipos de papéis. Também permite o controle de ganho de ponto e aplicação de perfis ICC.
HP
Desenvolveu a linha de impressoras Z (Z2100 e Z3100), que utilizam tecnologia inkjet térmica, com resoluções de até 2400 dpi, cabeçotes individuais semipermanentes e substituíveis pelo próprio usuário, e possuem software e hardware interno para realizar linearizações e gerações de perfil de cor, com destaque especial para um espectrofotômetro integrado ao equipamento. Além disso, os modelos PS dispõem de uma biblioteca interna de cores Pantone, que garante emulação profissional do padrão.
Konica Minolta
Oferece os equipamentos bizhub C451 e C550 com Fiery, somente para prova. Para o mercado promocional dispõe da bizhub Pro C6500 com Fiery, com velocidade de produção, bem como qualidade de impressão para provas, além do formato 330mm x 487mm e opção do kit de artes gráficas Premium.
Starlaser
Neste ano, a principal novidade da alemã GMG é a conectividade. Durante a Drupa foram lançadas as novas versões dos softwares da GMG e o Conect é o principal. Ele permite a total integração dos produtos GMG com qualquer workflow ou RIP que entenda JDF e XML. Dessa forma, a partir do próprio workflow, o usuário poderá pedir a prova de um arquivo. Também foram lançadas versões de todos os produtos de prova nas quais o principal benefício é a nova interface e mais flexibilidade no workflow interno do sistema.
T&C
A T&C, Master Dealer, da Epson no Brasil, estará apresentando as novas soluções de impressão digital para o mercado nacional nesse quarto trimestre de 2008. As novidades ficam por conta da nova impressora industrial para impressão de etiquetas, da nova impressora GS6000 utilizando tintas solventes e de toda a nova linha para sublimação. |