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Entrevista - Edição 81
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Paulo Amaral
 
A menina dos olhos
 

Coração de mãe sempre cabe mais um. Independentemente da quantidade de filhos, mãe sempre está disposta a proteger e amar incessantemente sua prole. O que muitas não revelam, nem sob tortura, é que, mesmo inconscientemente, há predileção por um deles. Geralmente, o primogênito é o preferido; em outras circunstâncias, o escolhido é o caçula. Mas pode ser o do meio também; vai entender o sentimento materno...

Reflexo da vida pessoal, o ambiente corporativo também destaca suas filiais prediletas. No caso da Agfa, que desenvolve, fabrica e comercializa sistemas analógicos e digitais para a indústria gráfica (Agfa Graphics), para o setor de saúde (Agfa Healthcare) e para aplicações industriais específicas (Agfa Materials), a menina-dos-olhos da área gráfica é a filial do Brasil.

Localizada em Suzano, na Grande São Paulo, a fábrica brasileira da Agfa Graphics é rotulada como a principal fornecedora dos países da América Latina e México. Em cinco anos, a unidade brasileira dobrou o faturamento: foram US$ 130 milhões em 2007 frente a US$ 65 milhões em 2002. Os negócios da empresa no mercado latino-americano, devido a essa receita, foram mais representativos no faturamento mundial da Agfa, que hoje está em torno de 3,3 bilhões de euros.

A mãe belga, após aferir o boletim com boas notas, não tardou para premiar a filha querida: recentemente anunciou um pacote de investimentos na ordem de US$ 20 milhões. A última grande intervenção da matriz foi em 2005, quando foram aplicados US$ 3 milhões, quase sete vezes menos que agora.

Nesta entrevista, Paulo Amaral, diretor comercial, além de contar mais detalhes dos resultados que o investimento trará, aborda os caminhos da indústria e da sensação pós-Drupa. Amaral ressalta também que o investimento foi fundamentado em dois pontos nevrálgicos: resultados da Agfa do Brasil e da Agfa da América Latina (concentrado no Brasil) e o cenário econômico que País vive.

 

Fábio Sabbag
 

GRAPHPRINT: Recentemente, a Agfa anunciou investimentos consideráveis na filial brasileira, que é a principal responsável pelos negócios da empresa na América Latina. Quais serão as repercussões para a região?
Paulo Amaral:
É um dos maiores investimentos já feitos. Com ele, será possível dobrar a capacidade de produção, chegando a um total de 20 milhões de metros quadrados por ano. Além disso, irá atualizar a unidade no sentido de desenvolver e produzir todas as chapas do portfólio mundial, incluindo as novas chapas digitais.

GRAPHPRINT: Quais serão as tecnologias empregadas na elaboração dessas chapas?
Amaral:
Já produzimos chapas térmicas aqui na unidade de Suzano. Com o aporte financeiro, começaremos a produzir os novos modelos térmicos que trarão mais qualidade e maior definição. Vamos também fazer as chapas digitais polímeras, que antes não produzíamos. Outra novidade é a tecnologia chamada Termo Fio. O processo é assim: é como se a chapa contivesse pequenas bolinhas que, com o calor do laser térmico, passassem a estourar, definindo a imagem. É uma novidade desenvolvida pela Agfa que carrega a consciência ambiental. São os modelos sem processamento químico.

GRAPHPRINT: A grande maioria do mercado brasileiro ainda está na era convencional. A indústria gráfica no Brasil está apta para usar as chapas sem processamento químicos?
Amaral:
Já existe uma preocupação muito grande com o ambiente no Brasil. Na realidade, começamos timidamente com esse tipo de chapa, mas já tínhamos clientes utilizando-a. Neste momento, a demanda é latente; até os clientes dos nossos clientes estão na expectativa. Outro entrave é que antes não havia oferta segura desse tipo de produto aqui no Brasil.

GRAPHPRINT: As chapas que não usam insumos químicos precisam ser empregadas em novos modelos de CTPs? A gráfica precisará investir novamente?
Amaral:
Os CTPs são os mesmos; os químicos é que serão eliminados. Não é preciso investir novamente em equipamentos de CTP. Possivelmente será preciso trocar a antiga processadora.

GRAPHPRINT: Então é possível falar em redução de custos?
Amaral:
Sim. As chapas digitais tradicionais utilizam químicos e aproximadamente 30 litros de água por unidade. O cliente certamente economizará na quantidade de água e elimina a utilização de químicos. Os químicos, todos sabem, não podem ser descartados sem controle; eles são retirados por empresas especializadas e os clientes pagam por isso. Então é possível falar em economia de água, de químicos e na coleta dos resíduos.

Acredito que a tecnologia sem processamento químico é uma tendência forte no Brasil e é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos. Nos países emergentes ainda se consome muito filme, muita chapa analógica. Como o mercado é grande, com a chegada da tecnologia sem químico talvez quem decida entrar para a área digital já entre diretamente na solução sem processamento químico.

GRAPHPRINT: Além de explorar e semear novas tecnologias no mercado gráfico, é preciso tranqüilizar o cliente que quer investir em novidade. Quais os planos adotados pela Agfa?
Amaral:
Damos garantia, flexibilidade e segurança no atendimento. Nossa política é sempre estar perto do cliente. A história é a seguinte: existem fábricas ao redor do mundo da Agfa e a fábrica para a América Latina é a unidade de Suzano. Na Agfa existe um conceito mundial ou virtual, vamos dizer assim, de fábrica única. Um profissional estuda o mercado mundialmente e decide onde e para quem fabricar. A decisão é envolta de questões econômicas, habilidade de transporte, logística, entre outros. Logicamente que como estamos aqui no Brasil a prioridade é o mercado brasileiro. Mesmo assim, daqui já exportamos para Estados Unidos e Europa.

GRAPHPRINT: Podemos concluir que os números do Brasil foram convincentes?
Amaral:
A fábrica já precisava de um aporte financeiro e um aumento de capacidade porque trabalhamos com capacidade completa. O atual momento dá mais credibilidade aos investidores. A economia está bem mais estável e o mercado vem crescendo.

Com relação aos países desenvolvidos estamos um pouco atrasados ainda, mas nos últimos cinco anos, ou desde o Plano Real, não temos grandes solavancos na economia. É importante lembrar que credibilidade não é de um ano para outro que se conquista e hoje o ambiente é propício para investimento devido à valorização do real. O preço-lista do nosso segmento é em dólar, mesmo assim a valorização da moeda interna proporciona alternativas de crescimento.

GRAPHPRINT: Qual é o tamanho da responsabilidade da unidade de Suzano?
Amaral:
Os investimentos já começaram e a nossa expectativa é que até 2009 tudo esteja pronto para atender a demanda do mercado brasileiro e da América Latina. Na Drupa, vimos uma forte tendência para o digital e de apelo ambiental. Digital, na minha opinião, é uma palavra grande; acho que o digital, neste momento, vem como complemento e não como substituição da tecnologia offset ou outras convencionais.

A questão é que investimos e trabalhamos fortemente, pois acreditamos na estrutura. Estamos próximos do mercado e temos responsabilidade com ele. Produzimos as últimas tecnologias em chapas e a preocupação com o ambiente é constante. Somos uma empresa que está aqui e correspondemos às expectativas do mercado. Não somos uma corporação de passagem.

GRAPHPRINT: É crescimento em cima de crescimento?
Amaral:
Eu acho que até o final do ano vamos crescer 25%. O Brasil, ao lado de China, Rússia e Índia, apresenta alto índice de crescimento e estamos preparados para contribuir com ele.

 
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