GRAPHPRINT: Recentemente, a Agfa anunciou investimentos consideráveis na filial brasileira, que é a principal responsável pelos negócios da empresa na América Latina. Quais serão as repercussões para a região?
Paulo Amaral: É um dos maiores investimentos já feitos. Com ele, será possível dobrar a capacidade de produção, chegando a um total de 20 milhões de metros quadrados por ano. Além disso, irá atualizar a unidade no sentido de desenvolver e produzir todas as chapas do portfólio mundial, incluindo as novas chapas digitais.
GRAPHPRINT: Quais serão as tecnologias empregadas na elaboração dessas chapas?
Amaral: Já produzimos chapas térmicas aqui na unidade de Suzano. Com o aporte financeiro, começaremos a produzir os novos modelos térmicos que trarão mais qualidade e maior definição. Vamos também fazer as chapas digitais polímeras, que antes não produzíamos. Outra novidade é a tecnologia chamada Termo Fio. O processo é assim: é como se a chapa contivesse pequenas bolinhas que, com o calor do laser térmico, passassem a estourar, definindo a imagem. É uma novidade desenvolvida pela Agfa que carrega a consciência ambiental. São os modelos sem processamento químico.
GRAPHPRINT: A grande maioria do mercado brasileiro ainda está na era convencional. A indústria gráfica no Brasil está apta para usar as chapas sem processamento químicos?
Amaral: Já existe uma preocupação muito grande com o ambiente no Brasil. Na realidade, começamos timidamente com esse tipo de chapa, mas já tínhamos clientes utilizando-a. Neste momento, a demanda é latente; até os clientes dos nossos clientes estão na expectativa. Outro entrave é que antes não havia oferta segura desse tipo de produto aqui no Brasil.
GRAPHPRINT: As chapas que não usam insumos químicos precisam ser empregadas em novos modelos de CTPs? A gráfica precisará investir novamente?
Amaral: Os CTPs são os mesmos; os químicos é que serão eliminados. Não é preciso investir novamente em equipamentos de CTP. Possivelmente será preciso trocar a antiga processadora.
GRAPHPRINT: Então é possível falar em redução de custos?
Amaral: Sim. As chapas digitais tradicionais utilizam químicos e aproximadamente 30 litros de água por unidade. O cliente certamente economizará na quantidade de água e elimina a utilização de químicos. Os químicos, todos sabem, não podem ser descartados sem controle; eles são retirados por empresas especializadas e os clientes pagam por isso. Então é possível falar em economia de água, de químicos e na coleta dos resíduos.
Acredito que a tecnologia sem processamento químico é uma tendência forte no Brasil e é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos. Nos países emergentes ainda se consome muito filme, muita chapa analógica. Como o mercado é grande, com a chegada da tecnologia sem químico talvez quem decida entrar para a área digital já entre diretamente na solução sem processamento químico.
GRAPHPRINT: Além de explorar e semear novas tecnologias no mercado gráfico, é preciso tranqüilizar o cliente que quer investir em novidade. Quais os planos adotados pela Agfa?
Amaral: Damos garantia, flexibilidade e segurança no atendimento. Nossa política é sempre estar perto do cliente. A história é a seguinte: existem fábricas ao redor do mundo da Agfa e a fábrica para a América Latina é a unidade de Suzano. Na Agfa existe um conceito mundial ou virtual, vamos dizer assim, de fábrica única. Um profissional estuda o mercado mundialmente e decide onde e para quem fabricar. A decisão é envolta de questões econômicas, habilidade de transporte, logística, entre outros. Logicamente que como estamos aqui no Brasil a prioridade é o mercado brasileiro. Mesmo assim, daqui já exportamos para Estados Unidos e Europa.
GRAPHPRINT: Podemos concluir que os números do Brasil foram convincentes?
Amaral: A fábrica já precisava de um aporte financeiro e um aumento de capacidade porque trabalhamos com capacidade completa. O atual momento dá mais credibilidade aos investidores. A economia está bem mais estável e o mercado vem crescendo.
Com relação aos países desenvolvidos estamos um pouco atrasados ainda, mas nos últimos cinco anos, ou desde o Plano Real, não temos grandes solavancos na economia. É importante lembrar que credibilidade não é de um ano para outro que se conquista e hoje o ambiente é propício para investimento devido à valorização do real. O preço-lista do nosso segmento é em dólar, mesmo assim a valorização da moeda interna proporciona alternativas de crescimento.
GRAPHPRINT: Qual é o tamanho da responsabilidade da unidade de Suzano?
Amaral: Os investimentos já começaram e a nossa expectativa é que até 2009 tudo esteja pronto para atender a demanda do mercado brasileiro e da América Latina. Na Drupa, vimos uma forte tendência para o digital e de apelo ambiental. Digital, na minha opinião, é uma palavra grande; acho que o digital, neste momento, vem como complemento e não como substituição da tecnologia offset ou outras convencionais.
A questão é que investimos e trabalhamos fortemente, pois acreditamos na estrutura. Estamos próximos do mercado e temos responsabilidade com ele. Produzimos as últimas tecnologias em chapas e a preocupação com o ambiente é constante. Somos uma empresa que está aqui e correspondemos às expectativas do mercado. Não somos uma corporação de passagem.
GRAPHPRINT: É crescimento em cima de crescimento?
Amaral: Eu acho que até o final do ano vamos crescer 25%. O Brasil, ao lado de China, Rússia e Índia, apresenta alto índice de crescimento e estamos preparados para contribuir com ele. |