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Chapas - Edição 81
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Térmicas consolidam soberania
 

Mais bem disseminadas no mercado gráfico, as chapas térmicas continuam na liderança do setor por causa da qualidade que proporcionam ao impresso final. A tendência é que os gráficos, gradativamente, comecem a investir em chapas sem processamento químico.

 
Fábio Sabbag
 

A ampla disseminação das chapas térmicas no mercado brasileiro é resultado de sua facilidade operacional e da versatilidade ao atender perfeitamente desde as pequenas até as grandes tiragens. A presença de fabricantes nacionais, além de garantir formatos diferenciados, é outro fator que pesa positivamente a favor das chapas térmicas e que, automaticamente, dá a segurança necessária ao gráfico.

Por causa também da alta resolução, os exemplares térmicos proporcionam à impressão final alta qualidade de reprodução, com detalhes técnicos que saltam aos olhos. Para Leonardo Henrique Rodrigues, gerente de vendas enterprise solutions Brasil, e Sergio Cruz, technical sales support Mercosul, ambos da Kodak, as principais vantagens dessa tecnologia são estabilidade de processo, melhor definição de ponto e, recentemente, a possibilidade de gravar chapas sem processamento. “Além disso, as condições de armazenamento e de trabalho das térmicas são muito simples”, acrescentam.

David Rocha, gerente de produtos consumíveis da Heidelberg, lembra que a tecnologia térmica é a mais antiga dentre as digitais: “Portanto, a mais difundida. Pode-se dizer que os custos de produção estão mais equilibrados, tornando a tecnologia mais atraente ao mercado.”

Marcelo Chimelli, gerente nacional de vendas, e Sidney de Andrade, gerente nacional de suporte técnico, ambos profissionais da IBF, também afirmam que a tecnologia térmica é maioria no mercado, pois saiu na frente e se sedimentou primeiro no mercado.

A Prol Gráfica e Editora, que completa 35 anos, é uma das gráficas bem citadas no mercado gráfico e usa a tecnologia térmica a seu favor. “Pode-se dizer que 90% dos CTPs hoje no Brasil são térmicos. Isso acontece pela resistência e confiabilidade na chapa, trazendo mais qualidade ao trabalho. É claro que hoje os CTPs que usam chapas térmicas estão muito à frente das que copiam chapas convencionais”, diz Amaury Spacca, gerente de pré-impressão da gráfica.

Para Rafael Sanchez Garcia, gerente de OPS Latin America, da Agfa Graphics acredita que a tecnologia de laser térmico de 830nm é predominante, detendo mais de 65% do mercado total. “Lembrando que no segmento de jornais a tecnologia térmica praticamente inexiste. É preciso considerar que a tecnologia de laser com luz visível, após o surgimento do laser violeta, cresce principalmente devido à entrada das novas chapas poliméricas mostrada na Drupa 2008, que atendem também os requerimentos do mercado comercial. Podemos afirmar também que o mercado brasileiro tende a crescer na tecnologia violeta com as novas chapas disponíveis, e agora também com o surgimento das chapas violeta chemestry free,.aplicáveis em todos os CtPs com laser de 30mw ou mais”, observa.

As violetas
Vale lembrar aos gráficos que antes de adquirirem (ou pensarem) equipamentos de CTPs é preciso olhar minuciosamente o segmento atendido. Como em toda indústria - e a gráfica não é diferente -, a oferta de equipamentos digitais e seus adjacentes complementos é grande. Diversas são as tecnologias e os métodos utilizados. A Heidelberg, por exemplo, atua com CTPs térmicos e violeta, modelos Suprasetter e Prosetter, respectivamente, ou seja, chapas para ambas as tecnologias. “O resultado obtido quanto à resolução é, de certa forma, similar entre as tecnologias, fazendo uma observação quanto às chapas de fotopolímero, que se resumem a reprodução de retículas AM. O mais importante no momento da escolha da tecnologia é que o cliente leve em conta o custo/benefício dos CTPs e consumíveis face ao nicho de mercado em que a gráfica atua”, observa Rocha.

A Agfa dispõe de uma ampla gama de chapas digitais violeta de 405nm. Está disponível, por exemplo, a chapa de haletos de prata, Lithostar LAP V, amplamente usada e que permite trabalhar com todos os tipos de tramas a qualquer resolução, atingindo trabalhos com qualidade diferenciada nos segmentos comercial e Jornal. “A outra chapa violeta no mercado é a polimérica N91 V, amplamente aplicada por suas vantagens tecnológicas no segmento de jornal e comercial, sua resolução atual - 2% a 98%, até 200 lpi, 30 mícron. Esta tecnologia segue em pleno desenvolvimento, e novas chapas poliméricas com a mesma resolução das chapas violeta de prata e térmicas. Não existem desvantagens, já que cada tecnologia de chapa está desenvolvida de acordo com os requerimentos da indústria gráfica, e apresenta seus benefícios. Há que se considerar o aspecto técnico de cada tipo de chapa, e conhecer o seu alcance, já que a Agfa, por essa razão, tem uma grande variedade de chapas nas duas tecnologias existentes a violeta e a térmica”, completa.

Por serem mais rápidas, as chapas violetas se popularizaram inicialmente no nicho de jornais, conforme opinião de Rodrigues e Cruz. Mas eles ressaltam que nos últimos anos a tecnologia térmica avançou muito em velocidade, sem perder em qualidade. Nesse momento, o CTP mais rápido usa tecnologia térmica. O CTP Kodak Generation News, voltado ao mercado de jornais, grava até 300 chapas térmicas por hora a 1270 dpis”, expõem.

Spacca não acredita que a tecnologia violeta esteja tão consolidada: “Não conheço muitas gráficas trabalhando com essa chapa, em razão dos cuidados especiais que fazem com que o trabalho se torne muito complexo. A luz e o ambiente precisam ter um controle absurdo para que as violetas cheguem perto daquilo que os modelos térmicos proporcionam.” Na opinião de Chimelli e de Andrade, a escolha das chapas depende muito da velocidade de reprodução e do perfil operacional do usuário.

Fim dos químicos?
Em pauta mundialmente, a preocupação com o ambiente é ação corriqueira tanto do lado social como na vida empresarial. Ecoou nos corredores da Drupa a necessidade de se adequar ainda mais a normas e regras ambientalmente responsáveis. No segmento de chapas, os modelos sem processamento químico, especificamente no Brasil, estão gradativamente ocupando lugares nos CTPs. “A tecnologia térmica foi a primeira a desfrutar da ausência de processamento químico e dos benefícios conseqüentes, como redução dos resíduos e a eliminação do controle de variáveis de processo de revelação. O próximo passo é colocar à disposição tal inovação para as chapas com base de fotopolímero, o que deve acontecer em breve”, prevê Rocha.

Rodrigues e Cruz constataram que, durante a Drupa, 60% dos CTPs vendidos não tinham equipamento de processamento ou lavagem algum. As chapas são levadas diretamente do CTP para a impressora offset. “No Brasil destaca-se a chapa Kodak Thermal Direct, que tem sido adotada com sucesso em gráficas de várias regiões do País e não requer nenhuma revelação ou lavagem após a gravação no CTP”, opinam.

Chimelli e Andrade dizem que o process-less, ou chemistry free, é uma tendência mundial e mais presente em países nos quais o controle ambiental é mais rigoroso, mas alertam que hoje é uma chapa cara, mas que dentro de alguns anos poderá conquistar grande mercado. A Prol ainda não usa esse modelo, mas também não descarta essa possibilidade. “Acredito que num futuro teremos chapas sem processamento químico, porém capazes de ser visualizadas antes da entrada em máquina”, prevê Spacca.

Interesses dos gráficos
É verdade que, antigamente, até por uma questão cultural, os gráficos tinham a mente bem mais fechada em relação ao investimento em tecnologia. Hoje o cenário mudou: chegaram novos profissionais, ávidos por tecnologia. Conclusão: nenhuma tecnologia fica se não passar pelo crivo deles, sejam antigos ou novos profissionais.

Com as chapas, o processo não é diferente. “A quebra de paradigmas em impressores é um desafio para fabricantes de consumíveis gráficos. Como exemplo, o substituto do álcool, que há mais de uma década está patinando, mesmo sendo benéfico para a saúde dos operadores. A tecnologia de ponta vai estar sempre presente nas grandes empresas do setor e gradativamente vai atingindo as médias e pequenas empresas com o passar do tempo. Isso pode demorar muitos anos. Existem microempresas gráficas que ainda usam linotipo”, avisam Chimelli e Andrade.

Conforme pesquisas feitas mundialmente pela Heidelberg, 40% dos gráficos têm preocupação com o ambiente. “Na Drupa nosso estande tinha um símbolo para os produtos ecologicamente corretos, o que chamou muito a atenção dos visitantes. Por tudo isso, acreditamos que os produtos ecologicamente corretos, como a chapa sem químicos, estão se impondo e se transformarão numa alternativa viável no mercado”, diz Rocha.

Já na opinião dos profissionais da Kodak, as chapas com processamento simplificado, que requerem processadora com uma ‘água’ especial, de fato encontram alguma falta de interesse, porque é difícil para o gráfico repassar um aumento no seu custo de chapas justificando-o apenas pelo menor impacto ambiental. “Esse não é o caso das chapas sem processamento, como a Kodak Thermal Direct, na qual o apelo ambiental vem acompanhado de um retorno financeiro visível, já que não é necessário processadora ou ‘lavadora’. Isso traz redução no capital investido, além de economia de espaço, de energia elétrica e de água. O processamento, além de um centro de custo, era também responsável por aproximadamente 80% dos problemas nas chapas. Os gráficos estão gratos por se livrarem disso.”

A consolidação da tecnologia digital continua acontecendo rapidamente e certamente estará consolidada nos próximos anos, de acordo com Sanchez. “As grandes empresas da área comercial e editorial foram as primeiras a entrarem nessa tecnologia. Algumas delas já estão trocando os primeiros CtPs aproveitando toda as vantagens que as novas tecnologias oferecem. Empresas médias que requerem CtPs menores, já iniciaram a sua entrada no segmento digital adquirindo equipamentos, mas ainda cuidadosamente, pois a mudança não envolve unicamente o CtP. No segmento de jornais, os maiores jornais, já iniciaram também a mudança tecnológica. Fica claro que as chapas analógicas estarão cada vez mais marginalizadas no mercado. Os números mostram que esta migração está se consolidando, as grandes empresas dos segmentos comercial, editorial e embalagem já migraram, agora está chegando o momento dos grandes jornais mudarem. Com a mudança dos jornais, os números serão definitivamente à favor do digital” acrescenta.

Adequação de curvas de reprodução e utilização de escalas digitais de acompanhamento
Ainda há no mercado quem não consiga alcançar a máxima performance dos equipamentos. O resultado desastroso fica explícito no impresso final. A definição adequada de curvas de reprodução e utilização de escalas digitais de acompanhamento são obstáculos que precisam ser superados rapidamente. “Existem editores e agências que não cobram isso de suas gráficas. Segundo, o empresário gráfico está preocupado com a operação a curto prazo. Uma calibração de curvas, ICC ou escalas ocupa tempo e investimento a médio prazo. Esse aumento fica de lado e acaba não sendo feito”, explicam Chimelli e Andrade.

Rocha identifica que o mercado está mudando: “A Heidelberg tem papel importante nesse cenário, visto que comprova na prática a eficiência de suas soluções tecnológicas por meio de seus equipamentos e também dos consumíveis.” Rodrigues e Cruz pendem para o lado da disseminação da informação: “O acesso ao conhecimento ainda é difícil em algumas regiões e os gastos em instrumentação e mão-de-obra especializada ainda são vistos por alguns empresários como custo e não como investimento.”

Spacca diz que nesse ponto o primordial é o gerenciamento de cores. “Isso leva tempo e muito trabalho. Hoje, os softwares acabam trazendo uma facilidade para que isso aconteça. A Prol hoje tem total controle sobre as cores e isso ajuda muito na impressão do trabalho; trabalhamos com CIP 3, trazendo tranqüilidade aos impressores e maior qualidade ao trabalho”, diz.

De acordo com Sanchez, os equipamentos, assim como as chapas, evoluíram muito nestes últimos anos e os recursos que apresentam e disponibilizam são enormes. “O mais importante para aproveitar os recursos é ter o pessoal operacional muito bem treinado para que aproveitem todos os recursos. Para isto, a Agfa dispõe de engenheiros e técnicos treinados na matriz, que dispõem do conhecimento capaz de conduzir a empresa ao segmento digital.

Podemos considerar que as grandes empresas dispõem dos recursos técnicos e financeiros para aplicação dos requerimentos técnicos quando se trabalha totalmente no sistema digita. A aplicação de curvas, GC, escalas digitais requerem profissionais com grande conhecimento no fluxo de trabalho digital assim como em softwares,e sua aplicação e nem sempre as empresas possuem esses recursos.

A tecnologia de chapa escolhida é um item fundamental que deve ser seriamente considerado levando-se em conta demandas como tiragem com que se quer trabalhar, nível de qualidade, padrões de pontos, velocidade, entre outros”, fala Sanchez.

 
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