No dia 10 de agosto de 2007 tudo transcorria normalmente dentro da Art Graphic - Gráfica e Editora. Após cumprir a jornada normal de trabalho era hora de descansar e se preparar para a semana que iria se iniciar. Nesse dia, devido ao grande crescimento da empresa, foi preciso estender o turno para o período noturno. Dois funcionários tocavam as impressoras quando detectaram um foco de incêndio dentro da empresa. Rapidamente, acionaram o Corpo de Bombeiros. Localizada em São Caetano do Sul, a gráfica foi progressivamente consumida pelas chamas.
“Perdemos tudo: as duas máquinas quatro cores anos 2003 e 2006, além dos equipamentos de acabamento e guilhotina. Na manhã seguinte, 11 de agosto de 2007, não tínhamos mais nada”, relembra Sérgio Almeida Aguiar, diretor administrativo, completando que “por ser uma empresa que preza a idoneidade e o comprometimento com o mercado, estávamos rigorosamente em dia com nossas atribuições e uma delas é o seguro. É importante estar segurado no valor correto do patrimônio da empresa. Ainda há muitas que não declaram, por uma questão de custo, tudo para economizarem no valor da apólice, pois a preocupação maior é com roubo. O que pouca gente sabe é que se acontecer um acidente e a empresa tiver declarado que tem R$ 2 milhões dentro do parque gráfico, mas na verdade tem R$ 5 milhões, a seguradora irá pagar apenas R$ 1 milhão. Ou seja, o valor é proporcional à diferença; quando declarados 50% menos, eles pagam 50% menos também. Mesmo segurados integralmente, arcamos prejuízo aproximado de R$ 300 mil”, destaca Aguiar.
Mesmo na adversidade, a Art Graphic conseguiu se sobressair. Assim como na vida pessoal, os obstáculos chegam - e Deus sabe exatamente o momento certo de colocá-los e retirá-los. Na vida empresarial eles também estão presentes. Cabe aos fracos a lamentação e aos fortes a perseverança. O acidente, que para muitos era irreversível, encheu a Art Graphics de sapiência. “Há dois anos, procurávamos outro local; precisávamos nos expandir e nada dava certo. Tivemos umas cinco situações para mudar de sede e na hora de fechar o contrato algo impedia sua concretização. Chegamos a reclamar que nada dava certo. Graças a Deus, o acidente nos pegou num momento de estabilidade financeira; mesmo tristes estávamos capitalizados para reconstruir a empresa. Não foi fácil”, recorda Aguiar, acrescentando que muitas gráficas e fornecedores se colocaram à disposição para ajudar.
Uma das muitas que se propuseram a ajudar foi a Companhia T.Janér. “No dia seguinte, Carlos Nascimento, diretor da T.Janér, disse para não nos preocuparmos e arrumarmos um novo local que no dia seguinte emprestaria duas máquinas, uma e quatro cores. Agradecemos demais, mas não achávamos o local. Demoramos 15 dias para achar o atual galpão, que estava todo destruído. Nessa quinzena apareceu uma máquina Sakurai, da T.Janér, que fora vendida para uma outra gráfica, mas esta não estava com o prédio pronto. A T.Jáner conversou com seu cliente e conseguiu trazer a impressora para nós”, agradece Aguiar.
Fênix
Evidentemente que a mitológica ave Fênix não pode deixar de ser citada. Igual a ela, a Art Graphic ressurgiu (literalmente) das cinzas e vem ganhando autonomia de vôo. “Reconstruímos a empresa, que hoje conta equipamentos quatro e seis cores. Foram injetados R$ 5,2 milhões nessa nova fase”, revela o diretor administrativo.
A Art Graphic, que completa 19 anos de mercado, teve na tipografia seu primeiro foco. “Somos uma empresa familiar, fundada pelo meu irmão Fábio de Almeida Aguiar, diretor comercial. O diretor comercial na época partiu em busca de outros horizontes e me deixou no comando da empresa. Após vivenciar experiências, retomou seu posto na empresa. Decidimos então que se fosse para termos uma gráfica de sucesso tínhamos que investir em impressão offset. Nosso grande salto foi o pioneirismo, aqui na região, em relação à arte final; eliminamos o fotolito e, por conseqüência, saímos na frente de 80 gráficas da região. Passamos a fazer trabalhos com marca d´água, sem usar clichê e sem emendas nas entrelinhas. Prosperamos e adquirimos uma Multilit; seis meses depois, uma Solna e uma GTO. Em 2001 compramos a primeira Sakurai duas cores, e um ano depois, outra. Hoje, estamos novamente estruturados com CTP e departamento de criação”, conta Aguiar, lembrando que no dia 10 de setembro de 2007, exatamente um mês após o incêndio, a gráfica entregava seu primeiro (ou melhor, o primeiro de muitos antes ou de muitos depois) trabalho impresso. |