Muito presente no mercado de embalagens flexíveis, mais precisamente na indústria alimentícia, o polipropileno biorientado (Bopp) se desenvolve constantemente. Além de proporcionar ao rótulo um visual bem mais impactante, o Bopp destaca a marca do produto no ponto-de-venda, é impermeável e oferece maior resistência a rasgos e impactos.
Por se relacionar diretamente com a indústria de embalagens, a expectativa é que esse segmento cresça ainda mais nos próximos anos. De acordo com estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) para a Associação Brasileira da Embalagem (Abre), a indústria de embalagens teve faturamento de R$ 32,5 bilhões em 2007. O valor é 2,1% maior que em 2006 e representa aproximadamente 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional do ano. Para 2008, a estimativa é uma expansão de 2,5% na produção física de embalagens e uma receita de R$ 34,2 bilhões. O desempenho da indústria de embalagens é aferido pela produção física. Confirmando a reação da indústria de embalagem, que desde o 2º semestre do ano passado alcança índices de crescimento, a produção física de embalagem cresceu 2,1% em 2007, a maior taxa desde 2004. As flexíveis são os destaques do crescimento e, conseqüentemente, nessas embalagens é que o Bopp é aplicado. Conforme Sérgio Bonotto, diretor comercial da Prolam, o mercado apresentou nos últimos anos um crescimento médio de 20% ao ano durante sua fase de desenvolvimento e maturação. “Considerando que sua utilização já é amplamente conhecida pela indústria gráfica, a continuidade desses índices de crescimento só deverá ser mantida pela ocupação de nichos específicos, os quais atualmente não utilizam a termolaminação”, acrescenta.
Na opinião de Davi Ávila Domingues, diretor da RR Papéis, a expansão do uso do Bopp para etiquetas e rótulos auto-adesivos no Brasil se dá em taxas superiores a 10% ao ano. José Carlos de Jesus, gerente industrial da UVPack, também diz que é um mercado em franco crescimento. “Além das vantagens e benefícios que gera ao trabalho, muitos outros produtos que hoje são plastificados ou que recebem outro tipo de acabamento estão migrando para a laminação. Quanto cresce é difícil mensurar, mas é fácil encontrar produtos em diversos segmentos de mercado que o estão adotando e tendo retornos garantidos”, argumenta o gerente industrial da UVPack.
O gerente da divisão gráfica da Furnax, Luís Flávio Lima, também fala em crescimento: “Em franco crescimento, seja pela diminuição de valor em relação à plastificação seja pela busca de um material mais nobre gerada pelo aumento do poder aquisitivo. Na Europa e na Ásia em geral não existe plastificação e isso é uma tendência também aqui. Quem foi para a Drupa pôde notar a grande quantidade de equipamentos voltados para a termolaminação e ausência de máquinas para plastificação.”
Para Sidnei Izzo, diretor financeiro, e Sérgio Siqueira Matheus Filho, diretor comercial, ambos da Coverflex, trata-se de um mercado em crescimento que, pouco a pouco, está substituindo a plastificação. “No segmento editorial é quase tudo feito com laminação Bopp”, acrescentam.
Com capacidade de produção de 150 mil toneladas ao ano, a Vitopel tem 55% de market share no Brasil e perto de 56% na Argentina. “De uma maneira geral, as empresas que atuam no setor de Bopp destinam entre 63% e 64% de sua produção total para o mercado alimentício, de embalagens flexíveis. “O Bopp tem como característica criar uma barreira de proteção ao conteúdo, reduzir o peso das embalagens e, conseqüentemente, gerar menos poluentes”, observa Dirceu Varejão, diretor comercial da Vitopel.
Termolaminação ganha espaço
Gradativamente, a termolaminação vem tomando o lugar da plastificação no mercado brasileiro. “Ainda não totalmente, mas conseguiu transferir uma boa parte dos serviços que eram de plastificação para laminação de Bopp”, afirmam Izzo e Matheus, explicando que o Bopp é um filme biorientado, com aplicação uniforme de adesivo em toda superfície do filme, por meio do sistema de extrusion coating, o que permite uma laminação a quente e com pressão em papéis, papelão ou impressos. Na Europa, por exemplo, não existe plastificação, somente laminação. “A laminação é uma aplicação mais nobre, mais bonita, resistente, não solta do cartão, não risca e não vaza”, completam os profissionais da Converflex.
Nos serviços que requerem qualidade e valor agregado, de acordo com Lima, da Furnax, a termolaminação já fincou sua bandeira. “O polietileno, apesar de mais barato, tem sérias restrições de qualidade e também é um processo de produção não automatizado, o que exige mais funcionários. Mesmo assim, ainda terá seu espaço, mas sofrerá uma queda ainda mais significativa nos próximos anos.”
É uma relação de troca e confiança entre Bopp e indústria gráfica. “O mercado cresceu nos últimos anos, de forma significativa, porque os filmes de termolaminação trazem em si uma série de características de grande interesse para a indústria gráfica e que não eram encontradas nos materiais disponíveis até então, principalmente a plastificação com polietileno e os vernizes UV. O principal diferencial dos filmes termolamináveis é um expressivo aumento do valor agregado aos impressos, por causa de seu apelo estético e características físicas superiores. Porém, há uma série de outras vantagens que fazem com que tenha havido uma grande migração para esses materiais: maior resistência a rasgos e atrito, capacidade de automatização da produção, menor índice de perdas, possibilidade de sobreposição com verniz localizado e hot stamping, disponibilidade de vários tipos de superfície, entre os quais fosco, alto brilho, holográfico, prata, entre outros. Além do Bopp, que é o filme base mais utilizado, ainda existem outros materiais que podem ser utilizados na termolaminação, dependendo do tipo de impresso e do efeito que se deseja obter, entre eles o PET (poliéster) e o nylon”, explica Bonotto.
Qualquer substrato
O Bopp, conforme o gerente industrial da UV Pack, pode ser aplicado na maioria dos impressos, sendo que há apenas algumas especificações de papel ou tinta que devem ser consideradas, pois dependendo da especificação os resultados podem ser diferentes. “Não há nenhum tipo mais complicado, seja de filme ou impressão, para um bom resultado, basta apenas adequar características técnicas de cada tipo de trabalho”, fala Jesus.
A Vitopel, que vende 64% de sua produção para os segmentos de embalagens, 20% para rótulos e etiquetas e o restante para os segmentos de gráfica e de comunicação visual, direciona sua produção a outros mercados em expansão. “Por exemplo, o de fitas adesivas, fechamento de caixa, indústria moveleira, bebidas, higiene e limpeza. Os rótulos para óleos também merecem destaque. Outro mercado que tem crescido é o de embalagens para presente, impresso na cor dourada e prateada para decoração. Os Bopps são versáteis e com pequenas alterações eles se adaptam aos diferentes tipos de impressão”, diz Varejão.
Domingues avisa que o Bopp, no segmento de auto-adesivos, é largamente usado na conversão de rótulos para a indústria de cosméticos e bebidas e para confecção de etiquetas de identificação e rastreamento. Lima observa que o Bopp pode ser aplicado em qualquer produto gráfico e na impressão digital; pela diversidade de tintas, recomenda-se testes anteriores.
Mattheus e Izzo afirmam que nos papéis finos é mais difícil a aplicação, pois as gramaturas baixas dificultam a laminação nos equipamentos laminadores. Substratos diferenciados, filmes específicos. “Basicamente, a termolaminação pode ser aplicada sobre qualquer impresso em papel, porém em alguns tipos de impressão ou substrato diferenciados há a necessidade de se utilizar filmes específicos. A Prolam disponibiliza esses filmes para o mercado nacional. Talvez a aplicação mais crítica encontrada hoje no mercado seja a termolaminação de impressos digitais”, avisa Bonotto, da Prolam.
Relação com a impressão digital
Devido à constante migração do processo convencional para o digital, o Bopp também é obrigado a se adaptar. Lima diz que alguns fornecedores já olham com mais atenção o mercado e que é preciso um bom controle do processo e da padronização. Domingues ressalta que quando tratado com vernizes especiais pode e deve ser utilizado largamente como mídia de impressão digital.
Matheus e Izzo afirmam que é uma relação que está crescendo: “A chamada gráfica rápida imprime o cartão e lamina imediatamente. É uma novidade com bastante futuro, pois a agilidade e rapidez são os fatores primordiais das gráficas.”
José Carlos de Jesus, da UV Pack, ainda olha com desconfiança a relação. “Ainda não podemos dizer que está dando os resultados esperados, pois alguns tipos de impressão ainda rejeitam a laminação. Entretanto existem opções de filmes com adesivos especiais que estão melhorando essa relação. O que antes era difícil de constatar, como aderência de um filme a uma impressão digital, hoje, com alterações e adequações aos dois processos, os resultados já são vistos e aplicados a diversos segmentos. A UVPack tem a preocupação constante de dar suporte ao mercado na aplicação dos acabamentos gráficos e para tanto desenvolve palestras gratuitas em nossas instalações ou nas instalações dos clientes. Temos tido resultados muito bons no desenvolvimento de projetos, elaboração de testes e na produção planejada, após a conscientização de todos os participantes nas palestras, como donos de gráficas, designers, orçamentistas, vendedores de serviços gráficos, produtores gráficos e todos os demais envolvidos na aplicação dos acabamentos gráficos especiais.”
Varejão aposta no sucesso que a linha piloto da fábrica de Votorantim, São Paulo, conquista no segmento. “Sempre lançamos antecipadamente as tendências e novidades do mercado.” Bonotto chama a atenção para o uso adequado das tintas: “Em função de tipos diferentes de tintas utilizadas para impressão digital, quando comparado com as usadas em impressão em offset, os filmes para termolaminação de impressos digitais requerem especificações diferenciadas, principalmente em relação ao adesivo, o qual necessite uma maior agressividade para se evitar a delaminação. Este filme é distribuído no mercado com a marca Prolam Hit Tac, nos acabamentos fosco e alto brilho. A Prolam, empresa introdutora da termolaminação no Brasil, acredita que a próxima fase de expansão de mercado se dará pela disponibilidade de novos tipos de filmes, com características adequadas a finalidades específicas e com diferenciais estéticos e/ou físicos que permitam elevar o valor agregado dos materiais impressos. O Bopp, no que se refere à qualidade, forma a base da pirâmide da termolaminação. Existem diferentes tipos de filmes que podem contribuir ainda mais para elevar a qualidade final dos produtos e, conseqüentemente, seu valor. À época do lançamento dos filmes de Bopp, várias vezes, na Prolam, ouvimos que esse tipo de filme era incompatível com o panorama econômico que havia na área gráfica, onde o menor custo era fator decisivo. O tempo mostrou que tínhamos razão em apostar na Prolam e na expansão desse mercado. Também cremos, hoje, que o mercado comporta materiais termolamináveis com diferentes características e apelos, saindo fora do padrão fosco e alto brilho, e esse é um dos vetores com que já estamos trabalhando.” |