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Ecofórum Setorial - Edição 80
Sumário
Papel de responsabilidade
 

Realizado pela Anave, o Ecoforum Setorial 2008 discutiu as tendências do mercado de papéis reciclados e sua relação de responsabilidade com o ambiente.

 

Realizado no dia 17 de junho, no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, o Ecoforum Setorial Anave de Papéis e Cartões Reciclados trouxe à tona as mais relevantes informações do mercado. Tendo como patrocinadores a MD Papéis, VCP, Gordinho Braune, Papirus, Voith, International Paper, SPP-Nemo, Ibema, KSR, Nilpel, Grupo Orsa, Grupo Ebapi, Tetra PAK e Cataguazes Indústria de Papel, o Ecoforum, durante o painel I - A reciclagem de papel e seus aspectos socioambientais -, teve como presidente Paulo Sérgio Peres, da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (Abpo).

Angelo Di Sarno, diretor do conselho de administração da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap), ministrou palestra com o tema “Novas tecnologias e conceitos em aparas”. Conforme Di Sarno, nos últimos cinco anos diversos aparistas desistiram da atividade por considerá-la financeiramente inviável ou simplesmente porque foram à falência. Conclusão da apresentação: no cenário atual, a atividade da reciclagem de papel apresenta-se inviável financeiramente. A pergunta que não que calar é: para onde irá todo o papel que hoje os aparistas recolhem e fazem chegar à indústria recicladora?

Impactos ambientais
Logo após esse debate, Umberto Caldeira Cinque, responsável pela gerência geral de sustentabilidade da Votorantim Celulose e Papel (VCP) e desde 1989 no mercado de celulose e papel, e Georgia Cunha, engenheira química com especialização em toxicologia, que ingressou na BASF em 1998, onde trabalhou nas áreas agrícola para América Latina e de toxicologia na Alemanha e atual vice-presidente da Fundação Espaço ECO, organização sem fins lucrativos instituída pela BASF em 2005, avaliaram os impactos ambientais na produção de papel. De acordo com a apresentação de Cinque, ser sustentável é simultaneamente criar valor (econômico, ambiental e social), criar valor percebido por todos os públicos e manter diálogo verdadeiro e transparente com todos os públicos. A VCP mantém áreas de proteção à biodiversidade, tendo com base florestal 145.000 hectares preservados nos estados do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. A empresa é referência mundial em baixo consumo e reaproveitamento de água (utiliza 27% de água bruta e recicla 73%). A gestão ambiental da empresa mira o mínimo de resíduo com controle interno e externo ao processo. Na sua vez, Georgia mostrou o uso de ferramentas na gestão ambiental. A análise de ecoeficiência, desenvolvida pela Bayer, é uma ferramenta para direcionamento e medição da sustentabilidade que usa a metodologia de comparação de produtos e processo, baseando-se na análise de ciclo de vida do produto (NBR ISSO 14040).

Mais eficiência
Na seqüência, Patrick Nogueira, que em 2005 assumiu a diretoria comercial da Orsa Celulose, Papel e Embalagens, onde é responsável pelas áreas de vendas e marketing da empresa, e Paulo Sérgio Peres, diretor da Klabin Embalagens, presidente da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) e presidente da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) apresentaram a palestra “2/3 da produção de papéis reciclados são de papéis para embalagem. Para onde caminha o segmento?”. Peres enfatizou que o papelão ondulado tem mais de 100 anos de existência como embalagem e no Brasil é utilizado desde 1953, sendo a embalagem de transporte mais utilizada no mundo. Além de ser 100% biodegradável e reciclável, sua taxa de reciclagem no Brasil é de 77,4%. Nogueira destacou o crescimento do Grupo Orsa e traçou um paralelo com os principais avanços tecnológicos do papel reciclado. De acordo com o diretor comercial da Orsa, novas tecnologias garantem aos papéis reciclados propriedades semelhantes aos das fibras virgens, com menor investimento.

A fabricação de papel reciclado gasta de 10 a 50 vezes menos água que o processo de obtenção de fibra primária. Os resíduos da reciclagem de papel se transformam em composto orgânico para o solo, sendo uma importante fonte de nitrogênio para os microorganismos. Já o segundo painel abordou o tema “Papéis reciclados com alta qualidade e ambientalmente corretos.” Abordando o assunto ”Papel ambientalmente correto para imprimir e escrever”, Antonio Gimenez, da International Paper, Murilo Pellizzon, da VCP, José Antonio Viana, do Grupo Bignardi, e Marco Antonio de Oliveira, da Suzano, apontaram o caminho a ser seguido. Oliveira destacou que a Suzano é a primeira produtora de papel e celulose a receber certificação ISO 14001 e possui 40% do total de áreas florestais formada por vegetação nativa protegida. Gimenez priorizou os mitos e modismos sobre o consumo e produção de papel, falando sobre como a sustentabilidade está adotando um discurso próprio dos países desenvolvidos do Hemisfério Norte; a realidade da produção e consumo desses países não corresponde à do Brasil; a falta de conhecimento da realidade brasileira tem levado à comunicação de estímulo a iniciativas de redução de consumo do papel produzido a partir de fibra virgem e o papel reciclado de imprimir e escrever (PR I&E) tem sido visto não como produto complementar ao branco, mas como um substituto sustentável.

Virgem x reciclado
Então, como combater os mitos que impactam o consumo de papel acerca da sua sustentabilidade? Gimenez cita três principais mandamentos: o papel reciclado I&E ajudaria a salvar árvores; diminuiria o descarte de resíduos na natureza e traria ganhos ambientais versus o papel branco. As conclusões foram: no Brasil, o papel reciclado para imprimir e escrever não traz vantagem ambiental versus o papel branco; apóia e recomenda-se fortemente a moderna gestão de resíduos, incluindo a coleta seletiva e reciclagem de matérias-primas e promove-se o uso ecoeficiente dos insumos; não há sentido em estimular artificialmente o crescimento de um segmento com graves limitações de expansão do seu principal beneficio e devem ser requisitos fundamentais do consumidor que busca papéis para imprimir e escrever a contribuição e o respeito ao ambiente, alto desempenho e qualidade final e domínio das informações sobre produtos e processos produtivos.

Com o tema “Papelcartão virgem x reciclados. Qual a realidade?”, Sérgio Canela, da MD Papéis, e Amando Varella, da Papirus, mostraram a face do mercado e a eterna relação entre fibras virgens e recicladas. A visão do consumidor de papel reciclado não foi deixada de lado. César Righetti, do ABN-Amro, e Luciana Villanova, da Natura, falaram como o consumidor olha o mercado de papel reciclado e quais suas preferências. Para finalizar, Elizabeth de Carvalhaes, da Bracelpa, e Theo Borges, da Anave, expuseram “Visão da indústria de papel sobre reciclagem seus efeitos e normatização“.

 
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