GRAPHPRINT: Quais são suas propostas para a presidência da CSMEG?
Jacques Fernando Oppenheim: Nosso objetivo é nos aproximarmos ainda mais dos nossos parceiros, como a Abigraf, ABTG e todas as associações que compõem o setor gráfico, pois fabricamos máquinas para todos os segmentos da indústria gráfica.
Para nós, outro ponto fundamental é o financiamento, e por isso está dentro do nosso propósito. O custo operacional já é baixo porque abaixaram os juros e isso reflete bem no setor de máquinas nacionais. Será um trabalho nosso e da grande diretoria da Abimaq discutir com o governo novas alternativas de financiamento. Nós, do CSMEG, levamos à grande diretoria da Abimaq o que for mais relevante.
GRAPHPRINT: Quantas empresas compõem o CSMEG atualmente?
Oppenheim: Já fui presidente do CSMEG na década de 90, por isso sei que fomos muito maiores. Hoje diminuiu bastante. Antigamente eram quase 200 fábricas de máquinas gráficas. Hoje, devemos estar em torno de 40 empresas fabricantes de equipamentos gráficos.
GRAPHPRINT: Qual o motivo da diminuição de associados?
Oppenheim: Primeiro porque o Brasil há anos representava o quarto fabricante de máquinas no mundo de equipamentos de todos os tipos. Hoje, ocupa a décima quarta ou décima quinta posição. Muitos ultrapassaram o Brasil por escala. Um caso recente é a China. Por escala, ela pratica um preço que nós não podemos fazer.
Esse será outro empecilho a combater com a diretoria-geral da Abimaq: os impostos abusivos. Como diretor de empresa, fui exportador e cheguei a exportar 40% do nosso faturamento. Atualmente atendemos aproximadamente 5% das consultas do mercado externo e mesmo assim é para não perder totalmente o mercado lá fora.
GRAPHPRINT: Também é o caso da maioria dos fabricantes?
Oppenheim: Sim, da maioria. O câmbio está tão valorizado que mais vale a pena importar do que exportar. A valorização do real deu uma virada importante nos rumos dos negócios.
GRAPHPRINT: Além da valorização da moeda brasileira, quais outros obstáculos?
Oppenheim: Se tivesse mais escalas, o Brasil atuaria bem como exportador e atenderia perfeitamente o mercado interno. Os obstáculos prejudicam o fabricante de máquinas gráficas, mas são barreiras que precisamos aprender a conviver e a enfrentar. Na presidência da Abimaq, faremos uma pesquisa para colaborar com os associados e a partir daí definir a linha de atuação.
GRAPHPRINT: Um dos objetivos é aumentar o número de associados?
Oppenheim: Muitos dos associados não fazem parte porque desapareceram. A concorrência é tanta que não vale a pena se esforçar na fabricação e muitos fabricantes optam por importar o produto e vender aqui. Mesmo assim, como tenho 47 anos de mercado gráfico, acredito que, muito em breve, teremos uma reviravolta e voltaremos a incentivar a fabricação no mercado interno.
GRAPHPRINT: Há novas parcerias sendo planejadas?
Oppenheim: Ainda não tenho muitas novidades, mas o que existe no mercado é mais ou menos de conhecimento de todos. Temos que manter a política de aproximação com as associações, tentar unir todas as nossas exposições, enfim, ser um conjunto forte. Um dos nossos diretores foi à Drupa e fez contato com associações mundiais. Fazemos parte da Golden Print, que é uma associação mundial dos fabricantes de máquinas.
GRAPHPRINT: Numa média mundial, o financiamento de máquinas é de dez anos com juros de 5% ao ano. No Brasil, o período do financiamento cai para cinco anos com juros de 15% ao ano. Quem aceita esse tipo de política não está concordando em pagar?
Oppenheim: Por isso mesmo é que uma das nossas metas é conseguir aumentar o prazo de pagamento com juros menores. Os juros lá fora são um pouco subsidiados quando se trata de exportação. Aqui há uma linha muito interessante, como é o caso do Proex (Programa de Financiamento às Exportações), do Banco do Brasil. Acontece que hoje estamos fora do mercado de exportação. Cabe ao mercado interno lutar para viver num país estável financeiramente e poder projetar um financiamento de dez anos, com juros menores. Assim, lutaremos com as mesmas armas.
GRAPHPRINT: A política industrial do Brasil não encara o bem de capital como um dos itens mais importantes. Não é um erro tratar o bem de capital como segundo plano?
Oppenheim: O Brasil também chegou a essa posição de destaque na fabricação de equipamentos em geral, pois tínhamos uma barreira que proibia a importação de máquinas. Logicamente que era uma outra época e hoje temos que concorrer de igual para igual com todos. Dentro da política industrial do governo, por exemplo, é interessante abrir linhas de crédito para capital de giro. Tivemos um aquecimento muito forte na economia, que refletiu também na área de máquinas. Ainda não sei dizer o tamanho do crescimento em termos globais, mas a Radial cresceu 70% no primeiro semestre se comparado com o mesmo período de 2007. O aumento leva em consideração só as máquinas fabricadas.
GRAPHPRINT: O consumidor brasileiro se sujeita a tomar dinheiro para investir em bem de capital sabendo que pagará muito mais do que se estivesse em um país desenvolvido. Ou seja, atuamos num país que há alguns anos era considerado subdesenvolvido e hoje é tratado como emergente e sempre pagamos mais caro por tudo. Não é uma condição, no mínimo, contraditória?
Oppenheim: Há certos mercados onde a qualidade do produto brasileiro é sem dúvida bem melhor do que muitos países. O mercado gráfico não vende preço, vende qualidade. Aqueles que não oferecem qualidade desaparecem. Há também algumas linhas de gráficos que preferem pagar em menos tempo. De qualquer forma, a pergunta tem razão: os juros são altos. Insisto em afirmar que vamos lutar para aumentar o prazo e diminuir os juros. |