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Especial Drupa 2008 - Edição 79
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Drupa verde
 

Reforçando o otimismo do mercado gráfico mundial, a principal exposição do setor traz lançamentos e inovações visando tanto a melhoria dos processos como em posturas mais voltadas à proteção ambiental.

 
Maristela Rizzo, enviada especial a Düsseldorf
 

Se a Drupa de 2004 conseguiu devolver o otimismo e o dinamismo para o mercado gráfico mundial, a Drupa de 2008 conseguiu transformar esse otimismo em investimentos muito significativos, apesar do complicado clima econômico mundial. Em geral, os expositores anunciaram negócios fechados em valor superior a 10 bilhões de euros, embora a suspeita seja de que essa  soma revele-se consideravelmente maior. A perspectiva é que esse valor seja superado nos próximos anos e, no caso do Brasil, que ocorra o boom definitivo durante a Expoprint 2010.

Apesar de a Drupa deste ano ter apresentado uma queda de aproximadamente 3 mil visitantes em relação a 2004 (este ano compareceram por volta de 391 mil visitantes), a exposição conseguiu reunir mais países no evento, apresentando um total de 138 nações. Representando 59% dos visitantes, a proporção de visitantes cresceu quatro pontos percentuais e a proporção de visitantes estrangeiros subiu para 43%. Os continentes que mais contribuíram para esse crescimento foram a Ásia, com 15%, e a América Latina, com 7%. “Havíamos previsto leves quedas, não somente devido à alta cotação do euro, mas os números apresentados demonstram claramente que a Drupa é o que agita o mundo e que nada se mexe no setor de mídia e impressão sem ela”, declarou Albrecht Bolza-Schünemann, presidente da Drupa e diretor executivo da Koenig&Bauer AG.

Outro ponto positivo, observado tanto pela organizadora do evento como pelos próprios fabricantes, foi a mudança de perfil dos visitantes. Foi ponto recíproco entre os expositores o crescimento notável de dirigentes na edição de 2008: 45% contra 42,2%, em 2004. “Diretores de empresas, que não conseguíamos estabelecer contato no Brasil, estiveram presentes em nosso estande, dando-nos a oportunidade necessária para mostrar nossos produtos e soluções”, ressaltou Osmar Barbosa, diretor da Metrics Sistemas de Informação. Nas duas semanas de exposição, a empresa recebeu a visita de mais de mil pessoas, de mais de 30 países, sendo a maioria constituída por pessoas com poder de decisão técnica e de negócios.

A presença da América Latina na feira também foi sentida pela Epson, que teve em seu estande a visita de vários representantes do México, Brasil, Colômbia, entre outros. Para Marcos Dalla Nora, gerente unidade de negócios SD da empresa, uma surpresa muito grata foi o grande número de empresas brasileiras expondo, além de outras que participaram dentro de fabricantes como parceiras. “Acho que a projeção tanto das grandes empresas brasileiras como das pequenas está muito grande. Em meu ponto de vista isso é resultado do aquecimento da economia e principalmente dos grandes volumes de exportação do Brasil. Esse cenário gera uma demanda crescente por produtos de qualidade, inclusive no setor de embalagens”, salienta.

Na opinião de Nora, em função dessa situação, haverá uma onda de investimentos muito grande, pois muitas gráficas estavam esperando pela Drupa para ver o que existe em termos de tendência e novidades para, então, poder focar seus investimentos.

Drupa ambiental
Geralmente o mercado gráfico elege um tema para a exposição, que ditará o setor nos próximos quatro anos. Este ano, muito se falou em Drupa digital, ou seja, na confirmação desta tecnologia dentro do mercado mundial. Mas dois outros grandes temas prometem dividir a atenção dos gráficos até a próxima exposição, em 2012: a integração de processos como forma de redução de tempo, materiais e outros custos e a preocupação ambiental, como o desenvolvimento de insumos menos agressivos e a orientação por atuações ecologicamente amigáveis.

Alguns dos fabricantes até defendem mais esses dois temas do que a era digital. Um deles é Klaus Tiedemann, presidente da Gutenberg Máquinas e Materiais Gráficos. “Não é verdade que o tema desta Drupa tenha sido a impressão digital. Isso foi há duas Drupas atrás. Isso é um sonho, é a esperança de muitos, mas não correspondeu à verdade”, exclama.

Segundo ele, os expositores de máquinas digitais, em sua maioria, estiveram “confinados” no Pavilhão 8, que, apesar de novo e muito bonito, se encontrava fora do antigo espaço do centro de exposições de Düsseldorf, que, em sua opinião, deve ter prejudicado a visitação aos estandes das empresas que se localizavam na nova área. “A impressão digital não fez nenhum ‘salto’ tecnológico nesta Drupa. Apenas foram ampliados os cabeçotes de impressão ink jet, tornando esse tipo de impressão mais rápido e barato. Os processos de impressão a toner (líquido ou seco) mostraram um franco declínio. As maiores ‘novidades’ da impressão digital foram, na verdade, as máquinas e aparelhos auxiliares que viabilizam em parte a impressão digital.”

Em sua opinião, o tema desta Drupa foi, sem dúvida, a ecologia e a preservação do ambiente. A maioria dos expositores na Drupa mostrou como seus produtos atuais podem ajudar na preservação da natureza.

Neste ponto, Tiedemann cita sua representada, a Komori, que deu grande ênfase à ecologia, mostrando impressão totalmente sem álcool (reduz o consumo desse produto e a conseqüente poluição que esse solvente provoca ao evaporar na atmosfera) e uma redução do consumo de papel para o acerto das máquinas de uma média de 200 folhas para 20 folhas. Com isso, cada máquina Komori em operação com essa tecnologia de acerto rápido (KHS-AI com smart sequence) economiza várias árvores ao ano.

A Komori editou na Drupa um caderno em papel reciclado mostrando sua preocupação com a preservação do ambiente, não só na operação de suas impressoras nos clientes, mas também durante o processo de fabricação das impressoras: fábrica com energia solar, eólica e de combustão de resíduos, tornando-a praticamente independente do fornecimento externo de energia elétrica.

A preocupação com a ecologia também esteve presente nos dois pavilhões reservados à Heidelberg. Em algumas áreas dos dois halls foram dispostos bonecos de alces em tamanho natural, indicando que naquele espaço havia uma solução focada no comprometimento ecológico da empresa, como gastar menos papel, como produzir com menos energia, atuar sem agredir o ambiente, entre outros. Além disso, a fabricante disponibilizou o Eco Tur, dedicado somente para visitar essas estações. “Apesar de não estarmos à frente desse movimento pró-ecologia, já percebemos que o mercado brasileiro está seguindo esse movimento, até mesmo porque as leis ambientais estão mais fortes e o gráfico já percebe que se voltar para a ecologia pode significar economia e até maior vantagem financeira”, aponta Martina Ekert, gerente de marketing da Heidelberg Brasil e da Print Media Academy da América do Sul.

A preocupação com a ecologia também faz parte de ação da Xerox Corporation, que procurou focar na Drupa seus esforços para garantir à corporação sua sustentabilidade ambiental. Essas ações incluíram um amplo enfoque sobre produtos, serviços e aplicações ecoamigáveis, assim como entrega de novos materiais educativos e de sessões de formação sobre a sustentabilidade na exposição. Essa iniciativa foi bem representada no estande da Xerox, que foi construído quase que exclusivamente a partir de materiais recicláveis ou componentes reutilizáveis.

Além disso, muitos dos produtos Xerox, em exibição na Drupa, eram ambientalmente sustentáveis. Para se ter uma idéia, mais de 80% dos resíduos gerados pela Xerox iGen3 110 Digital, incluindo consumíveis (toner), podem ser devolvidos, reutilizados ou reciclados. A EA Toner, tinta utilizada por muitas impressoras da marca, usa cerca de 25% menos produto na produção de energia por libra em comparação com os toners convencionais.

Outra iniciativa da empresa é a oferta de papéis com certificação FSC (Forest Stewardship Council), garantindo que o material ofertado é proveniente da gestão de práticas sustentáveis. A Xerox também apresentou 50 aplicações utilizando impressão digital e impressão sob demanda, tecnologias essas que compactuam com a redução do uso de papel e de armazenamento e eliminam resíduos associados com produtos químicos, presentes em impressões tradicionais.

Muitos outros produtos Xerox, apresentados no estande, oferecem qualidades verdes, como a impressão em dois lados da folha para reduzir a utilização de papel, assim como a utilização de toners não tóxicos.

O comprometimento da KBA para o meio ambiente pôde ser visto em todas as máquinas da fabricante expostas na Drupa, que imprimiram com tintas UV, secadores UV e vernizes UV. Todos os equipamentos operam 100% sem álcool, ou seja, sem emissão de poluentes. ”Acreditamos que somos a única fabricante que está demonstrando com tanta força essa preocupação. A KBA é número um entre todas as fabricantes que possui todas as certificações que protegem o meio ambiente. Você sempre encontrará nas máquinas da KBA uma inovação dentro dessa área”, garante Juscelino Prado, diretor-presidente da KBA Brasil.

Já na área de acabamento, onde não existe grande apelo ambiental, pois são máquinas associadas a uma baixa perda de material, a preocupação das empresas foi de oferecer um design mais moderno, privilegiando o aspecto ergonômico. Esse é o caso da Müller Martini, cujas máquinas receberam um projeto totalmente voltado para o operador, visando uma otimização ergonométrica, como altura dos comandos mais acessíveis. “Essa é uma forma de melhorar a qualidade de vida do operador, senão de uma maneira genérica, mas de uma parte do operador que está preso à máquina muitas horas por dia”, observa José Carlos Barone, diretor executivo da Müller Martini Brasil.

Drupa pelos gráficos
Mas não foi só o apelo ambiental que atraiu a atenção do empresariado gráfico brasileiro. Com diferentes focos, mais de 3 mil gráficos, entre técnicos e administradores, estiveram na Drupa atrás de tendências e soluções que possam melhorar cada vez mais seu parque gráfico.

Um exemplo é Carlos Jacomine, diretor-geral da Plural Editora e Gráfica, que, em sua visita à Drupa, teve como foco principal confirmar as tendências de eficiência no processo produtivo de impressão offset, seguindo assim o planejamento de expansão da gráfica. “O resultado foi bastante satisfatório, na medida em que confirmamos estar entre as empresas state of art na aquisição de rotativas e grampeadeiras para acabamento”, garante.

Segundo ele, das tecnologias apresentadas, o que mais lhe chamou a atenção foram a integração do processo produtivo, o controle, a criação de produtos, a interface entre diferentes tecnologias e, por fim, a impressão digital, que se mostrou um tema relevante na feira. “Vimos seguindo um rigoroso planejamento de expansão de sua capacidade desde 2004. As soluções apresentadas na Drupa, dentro do universo de interesse da Plural, referem-se especificamente ao ganho de produtividade e eficiência na impressão e acabamento de grandes volumes”, ressalta ele, anunciando também que a gráfica investiu pesado em tecnologia de ponta para automação de sistemas de pré-impressão, como web-approval, imaging e creation, que representam ferramentas de integração em todas as fases de produção da Plural.

A tendência forte de integração de equipamentos também foi observada por Juliano Chedid Del Bianco, diretor da Aquarius Acabamentos Gráficos. “Percebe-se que a integração surge para suprir a atual demanda do mercado por redução de custos, perdas de materiais e as etapas de processos”, explica. Além dessa tendência, o empresário reparou na busca dos fabricantes por fornecer soluções de grandes formatos para a área editorial, maior velocidade para as grandes tiragens e um grande foco para a área de pequenas tiragens. “Aproveitamos a feira para concluir negociação de alguns equipamentos para a integração das linhas de acabamento, que instalaremos em agosto deste ano”.

Fabio Arruda Mortara, diretor da Paper Express, que esteve presente na exposição como presidente da Abigraf Regional SP (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), procurou, como foco principal, coletar tendências, informações e números para uso em artigos, apresentações e palestras que tem feito no interior do estado e na capital. “São impressionantes tanto os formatos gigantes de impressão offset, de fabricantes como Heidelberg, Man e KBA, como a velocidade de impressão de algumas impressoras digitais de jato de tinta, como as da Kodak, Screen, HP e Agfa”, cita ele.

Além dessas, Mortara vislumbrou ótimas soluções de acabamentos diferenciados para pequenas empresas, softwares de workflow muito automatizados, com boas interfaces tanto com clientes como com usuários internos, e também papéis revestidos e laminações muito especiais.

Vinicius Avellar Elias, gerente comercial da Neograf Industrial, esteve no evento em busca de novidades na área de offset plana, acabamentos e impressão digital. “Para minha surpresa, a vedete da feira, que não se tratava de nenhuma modelo de beleza estonteante, foram as impressoras offset planas waterless, que são máquinas que dispensam o uso de água ou solução de molha. O grande destaque foi a impressora Genius 52 UV, que além de ser waterless, permite a impressão em materiais não absorventes, como o plástico. É uma máquina compacta e com um belo design”, opina.

Já Luiz Bonásio, diretor-geral da Globo Cochrane Gráfica e Editora, que esteve presente na Alemanha para realizar duas reuniões importantes com fornecedores, aproveitou o momento para olhar os pequenos estandes em busca de novas tecnologias em acessórios para agregar valor às rotativas. “Como procuro estar sempre informado das novidades futuras, nada me chamou muito a atenção, mas parece ser um indicativo principal que o mundo gráfico será digital”, comenta.

Outro representante da indústria gráfica que esteve presente na Drupa em busca de atualização tecnológica e novidades por parte dos fabricantes de equipamentos foi Ivan Bignardi, diretor de marketing do Grupo Bignardi. O empresário cita como destaque o estande da Bielo Matic, onde estava exposta a nova aquisição do grupo, a máquina 3202 Bielo Matic, com a qual estima acelerar em até 25% a produção de cadernos, agendas e utilidades. “Além desse equipamento, fomos prospectar fornecedores e soluções para as nossas necessidades com projetos futuros”, informa.

Como é difícil relatar todas essas novidades em poucas páginas,  GRAPHPRINT abordará as tendências, lançamentos e notícias em suas próximas edições, atualizando o gráfico sobre as ações das principais fabricantes que prometem transformar o mercado gráfico mundial e, particularmente, o brasileiro. Não perca!

Aconteceu na Drupa

Solna atualiza suas ofertas ao mercado
Com foco principal no suporte técnico a seus clientes que estiveram presentes nos estandes de suas representadas, a Solna do Brasil concentrou seus esforços na atualização dos equipamentos apresentados por essas empresas. A Wifag apresentou avanços na tecnologia computer-to-press em plena evolução, além de destacar a utilização cada vez maior do uso da imagem impressa para o registro de cores, registro de corte e controle de densidade.

Por parte da Nela, os clientes puderam observar uma evolução significativa nos equipamentos de perfuração e dobra de chapas, equipamentos cada vez mais imprescindíveis na cadeia produtiva para a obtenção de um produto impresso de alta qualidade. Do mais simples ao mais complexo, a fabricante usa tecnologia que permite ao usuário dobrar suas chapas em perfeito registro a partir da imagem ou de pontos de contato idênticos aos do CTP utilizado. Além dessas novidades, a Solna aproveitou o momento para anunciar que evoluiu toda sua linha de rotativas para tecnologia de última geração. “Com isso, passamos a utilizar somente acionamento direto entre unidades e entre torres, eliminando, assim, totalmente os eixos de transmissão”, esclarece Karl Klökler, diretor da Solna do Brasil (foto).

Agfa do Brasil recebe aporte da matriz
Na primeira semana da Drupa, as notícias de investimentos já começaram a pipocar por toda a feira. Um desses anúncios privilegiou a Agfa do Brasil, que recebeu da matriz investimento de US$ 20 milhões, valor que promete modificar todo o perfil da filial brasileira nos próximos dois anos em toda a América Latina.

Esse montante será focado na fábrica (foto), que terá sua capacidade de produção ampliada e atualizada para ficar apta a produzir todas as chapas lançadas pela Agfa na Drupa, incluindo as chapas sem processamento químico. “Esse investimento é decorrência do aumento de demanda do mercado da América Latina e a necessidade de atualizar a fábrica, deixando-a no mesmo nível das outras da Agfa”, declara Paulo Amaral, diretor comercial da Agfa do Brasil.

O investimento já foi aprovado e liberado e a primeira etapa, que será destinada para o aumento de capacidade, já foi iniciada. A previsão é que seja encerrada no final de 2009. “Os dados econômicos brasileiros estão sendo muito positivos e, além disso, a Agfa reforça a confiança no Brasil. Para o mercado brasileiro isso será extremamente benéfico, pois acredito que não exista um fornecedor de chapas com um portfólio tão representativo e com qualidades como a Agfa”, assegura Amaral.

Segundo ele, com esses investimentos a Agfa do Brasil estará apta a fabricar as duas tecnologias de chapas que são grandes apostas da fabricante: a violeta e térmica. “Nosso foco não é só em chapa, não é só em software, não é só em CTP, mas a preocupação com nosso cliente”, reafirma o diretor.

Expoprint promete superar última edição
Com 83% da área total de exposição comercializada, a Expoprint 2010 promete superar os resultados alcançados em 2006. De acordo com o diretor da Afeigraf (Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica), Karl Klökler, que esteve na Drupa divulgando a próxima edição da feira, para que isso ocorra, tanto a associação quanto a AP&S, que são os organizadores e promotores do evento, estão trabalhando com empenho para transformar em inesquecível a edição de 2010.

Segundo ele, da mesma forma como ocorreu com a ExpoPrint 2006, onde as novas tecnologias da Drupa 2004 foram apresentadas ao vivo ao mercado latino-americano, também na ExpoPrint 2010 muitas novidades apresentadas na Drupa 2008 estarão sendo mostradas. “Trata-se de uma situação muito saudável uma vez que neste período as novidades mostradas já foram suficientemente testadas e devidamente aprovadas”, estima. Informações sobre a feira, assim como a lista de empresas já confirmadas como expositoras da ExpoPrint 2010, podem ser consultadas pelo site  www.expoprint.com.br

Boato de compra da Man Roland é desmentido
Dizem que bastam duas mulheres para um grande boato correr o mundo. O mesmo podemos dizer do mercado gráfico. Durante a Drupa, escutava-se pelos corredores boatos de que a japonesa Komori estaria iniciando negociações de compra da alemã Man Roland. Já no Brasil, a Gutenberg, representante da Komori no País, tratou de resolver essa questão. Segundo Klaus Tiedemann, presidente da Gutenberg Máquinas e Materiais Gráficos, realmente a história não passa de um boato, pois a fabricante japonesa, neste momento, não obteria vantagem em ter uma fábrica na Europa.

Na verdade, faz parte da estratégia da Komori concentrar sua fabricação cada vez mais em Tsukuba, Japão, exclusivamente. Por isso, ela estaria, isto sim, negociando com fabricantes japoneses de máquinas de pequeno porte (35x52 cm), pois lhe interessa adquirir uma fábrica que tenha expressão nesse formato. “O boato de que a Komori estaria adquirindo a Man Roland mostra como a imagem da Komori é forte, pois é sempre o maior que compra o menor. No entanto, a superioridade tecnológica das máquinas Komori em relação às européias torna uma aquisição dessas muito provável”, ressalta Tiedemann.

Suzano ambiental
A Suzano Papel e Celulose marcou sua presença na Alemanha não só com o objetivo de apresentar suas linhas de produtos ao público gráfico mundial, mas também com a função de mostrar ao mundo o quanto está antenada com os programas de manejo florestal, agregrados a trabalhos econômicos e sociais nas regiões em que atua. Dessa forma, a empresa apresentou ao mercado mundial suas ações de responsabilidade socioambiental, como o Comunidade Produtiva (artesanato); Apoio a Cooperativas de Catadores de Papel; Escola Formare; Associação Comunitária e Centro Cultural Golfinho; Bibliotecas Comunitárias “Ler é Preciso”; e Parque das Neblinas.

Outro destaque no estande da feira foi a certificação FSC (Forest Stewardship Council), que abrange todo o portfólio de produtos da Suzano. Para atender o nível de exigência dos clientes tanto no Brasil quanto no exterior, a fabricante passou a ter 100% de seu manejo florestal certificado dentro dos princípios e critérios do FSC, que atesta a excelência da empresa em todas as práticas feitas nas atividades produtivas industriais e de suas florestas. Líder em papéis de imprimir e escrever e papelcartão branco na América Latina, hoje, a Suzano conta com a totalidade de seus produtos certificados pelo FSC.

As técnicas de manejo da Suzano, que lhe garantiram o selo FSC, são também ferramentas importantes para viabilizar a participação e as negociações de crédito de carbono na Chicago Climate Exchange (CCX). Até 2010, a Suzano terá cerca de 3 milhões de toneladas de carbono capturados por suas florestas de eucalipto na forma de créditos para a venda nesse mercado.

Otimização de processos no foco da Man Roland
As empresas representadas pela Man Ferrostaal do Brasil têm a preocupação constante com a redução de perdas sem perder de vista a agilidade dos processos. Para a fabricante Man Roland, por exemplo, foi a Drupa do Direct Drive, sistema de troca de serviços com rapidez acima da média, disponível para a Roland 700.

Os opcionais Inline também evidenciam a necessidade de otimização dos processos, com acabamentos que podem ser executados na própria saída da impressora, com toda a rapidez e segurança. São vernizes de alto brilho, aplicação de relevos, cold stamp, sistemas de corte e vinco e aplicação de texturas (gofragem), entre outros procedimentos disponibilizados em máquinas com até 16 corpos.

O pacote Inline também pode conter o sistema de ejeção de folhas InlineSorter. Ele é desenvolvido com um tambor duplo de desvio de trabalhos, pinça de abertura superior e caixa para os produtos desviados. Esse sistema torna-se útil quando há a necessidade de acerto, de lavagem das blanquetas ou de colocação de separador de pilha. “Normalmente, para executar essas tarefas, o gráfico precisa diminuir a velocidade da máquina. Com essa estrutura - que acrescenta apenas 90cm de espaço - a velocidade máxima da impressora pode ser mantida na execução de qualquer um desses procedimentos”, informa Mario Barcelos, diretor-presidente da Man Ferrostaal do Brasil, acrescentando ainda que a otimização desses processos também leva a menos perdas e desperdícios durante os processos gráficos.

Do outro lado da porta

Utilizando tecnologia de última geração, a Ciba faz seu debut no mercado de tintas gráficas, tendo como principal objetivo acompanhar as necessidades de avanço do setor.

Diante de tantos fornecedores da indústria gráfica, de equipamentos a insumos, era algo de surpreender a presença da divisão Coatings Effects da Ciba Especialidades Químicas, uma das líderes no  mercado mundial de pigmentos, ou seja, uma fornecedora de matéria-prima para tintas. Seria, realmente, se a empresa não tivesse anunciado oficialmente sua entrada no mercado de fabricação de tintas heatset.

Durante a exposição, a Ciba e seu distribuidor no Brasil reuniram empresários e fomentadores de opinião do mercado gráfico brasileiro para conhecer a tecnologia I Mex (Ink Manufacture by Extrusion), produção de tintas por extrusão através de processo contínuo, em sua fábrica de tintas localizada na cidade de Maastrich (Holanda).

Trata-se de uma inovação dentro do mercado que tradicionalmente é abastecido com tintas de impressão por lotes (bateladas). Segundo Olivier David, diretor do Segmento Coating Effects na América Latina, no método convencional a produção de tintas é feita  em várias etapas de processo, como preparação de um verniz, pré-mix com pigmento, dispersão do concentrado, entre outras, até chegar ao produto final. Já o processo I Mex  é feito em uma só etapa, sendo que resina, pigmentos e aditivos são adicionados em uma ordem e em determinado tempo no processo. Isso ocorre em uma  máquina (extrusora) fechada e por isso o produto não corre risco de contaminação externa.  “Além disso, por ser um processo automatizado, obtemos várias vantagens, entre elas a diminuição de erros humanos”, garante ele. “Temos em nossa fábrica várias linhas de extrusão direcionadas para cada cor de tinta.

A grande vantagem para o gráfico que adquire uma tinta por processo I Mex é que ele passa a receber um produto uniforme, pois,  por ser um  processo contínuo, não importa a quantidade solicitada, todos os lotes são iguais, não ocorrendo risco de diferenciação entre eles, como ocorre no processo convencional.

Para a Ciba, o processo de fabricação por extrusão é a terceira geração de tintas, isso porque, historicamente, a primeira geração utilizava pigmento em pó e as matérias-primas eram misturadas por processo clássico. Já a segunda geração foi o uso da tecnologia flush.

Para David, a entrada da Ciba no mercado de fabricação de tintas mostra a preocupação da empresa em entender cada vez mais as necessidades do mercado gráfico, estando próximo ao consumidor final com o intuito de inovar continuamente seus produtos e serviços e participar do futuro de seus clientes.

A comercialização
Para  sua iniciação nesse mercado, a Ciba elegeu a Imprima Tintas como seu distribuidor. A Imprima Tintas, por sua vez,  já vinha procurando essa parceria quando teve conhecimento do novo processo. “Primeiro ouvimos falar do produto, mas não sabíamos quem era o fabricante. Por isso fomos buscar essa informação na Europa, por meio de alguns contatos que tínhamos, e foi com muita surpresa que soubemos que o responsável se encontrava aqui no Brasil”, relembra Marcos Peixe, diretor comercial da Imprima Tintas.

Tanto Peixe como o diretor industrial Osmar Barbin possuem mais de 20 anos de experiência dentro do mercado gráfico. “A Imprima é uma nova concepção de empresa, cujo mercado principal é a área de heat-set, embora também atue com tintas para jornal e planas. Agora, com o produto da Ciba, temos a oportunidade de trabalhar o mercado com um produto de primeira linha e serviço de qualidade excepcional”, assegura Barbin.

A equipe de vendas da Imprima atua em todo o Brasil, com representantes no Rio de Janeiro, Nordeste e Sul. A sede fica em Cambuí (MG), onde é feita toda a industrialização que contempla a mudança de embalagens após o recebimento do produto em big-bags, passando para tote-bins, tambores e baldes.

Com esses produtos a Imprima trabalha com duas opções de comercialização: ou o cliente recebe o produto através da Imprima ou importa de forma direta, processo que já está sendo feito com alguns clientes na Argentina.

Para Peixe, apesar de se tratar de uma tecnologia inovadora e fabricada na Europa, comercializada em euro e um pouco mais cara que os produtos da concorrência quando convertida para o real, isso não trará aumento de custo para os gráficos, pois como é uma tinta que rende mais e tem melhor produtividade, o custo benefício acaba favorecendo a compra. “O que nós temos percebido é que cada vez mais o Brasil está investindo em equipamentos mais modernos e velozes e com esse produto de ponta, de terceira geração, ele tem conseguido atender ao mais exigente dos equipamentos. Aí está o seu diferencial”, afirma.

Esse apelo tem surtido tanto efeito que a atual queda do dólar não chegou nem a arranhar as estimativas de crescimento da empresa, tanto que 20% do mercado gráfico de heat-set já está trabalhando com esse produto e a Imprima espera terminar o ano com 40% das empresas utilizando a nova tecnologia.

Além das visíveis vantagens do produto, um dos pontos que tem ajudado a quebrar o medo do mercado por tecnologias novas é a segurança que o nome Ciba traz. “Quando se fala em uma nova tecnologia o mercado geralmente fica curioso, mas assustado em adquiri-la; mas quando se tem um nome como Ciba por trás esse processo é facilitado”, ressalta Peixe, afirmando que o produto, aliado à experiência da Imprima e ao know how da Ciba, tem sido a melhor “campanha de marketing” já utilizada.

 
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