Lá estava eu, uma jornalista brasileira, com sangue italiano, na terra dos alemães, à espera do bonde que me levaria para a cidade de Düsseldorf, onde se localizava o centro de exposição da Drupa 2008. Como naquele dia, pela primeira vez, não me encontrava perto de nenhum grupo de estrangeiros, pude perceber com mais força o contraste com o que em breve encontraria na própria exposição.
Acredito que esta sensação tenha sido causada principalmente pelo silêncio total que percorria a estação. Uma ausência de som que diferia totalmente do barulho... não, melhor dizendo, dos sons proporcionados pelas diversas máquinas expostas nos enormes pavilhões da Drupa.
Ao contrário daquele silêncio frio e pesado, quase incômodo para esta ruidosa brasileira de sangue quente, os equipamentos pulsam como música para os representantes do mercado gráfico mundial.
Enquanto os passageiros da estação aguardam passivamente, quase sem emoção, a chegada do bonde, os visitantes da feira chegam ao centro de exposição ávidos por novidades, como se fossem crianças irrequietas em uma excursão ao zoológico, e as máquinas, gigantescos animais exóticos a serem analisados.
Um pouco menos ressabiada e mais integrada ao lugar, paro um pouco com minhas implicâncias (um tanto quanto preconceituosas) para começar a perceber algumas similaridades, muito positivas, entre esses dois pequenos mundos. Da mesma forma com que as aparentes caras sisudas do povo alemão podem se transformar em rostos sorridentes e atenciosos, com uma simples palavra educada, os pesados e frios equipamentos metálicos podem se transformar em peças mágicas e atrativas ao mais simples toque do operador.
Vejo nesse cenário outra incrível semelhança: assim como o turista deve se aprofundar na cultura e costumes do povo alemão, para entender todas as suas nuanças, o gráfico - seja ele técnico, operador, ou administrador - precisa se aperfeiçoar e se informar constantemente sobre as transformações que surgem com imensa velocidade. Do contrário, correrá o risco de comer chucrute pelo resto da vida.
* Maristela Rizzo é editora-assistente da revista Lojas, Papelaria, Informática, Brinquedos & Cia. e repórter da revista GRAPHPRINT. |