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Químicos Auxiliares - Edição 78
Sumário
“Tecnologia verde” em alta
 

O desenvolvimento de produtos menos nocivos à saúde e ao meio ambiente representa uma forte tendência do segmento de químicos auxiliares.

 
Marcos Mila
 

A exemplo de vários setores da indústria mundial, o segmento de químicos auxiliares vem acompanhando o movimento por produtos menos agressivos e ecologicamente corretos. Além disso, essa preocupação também passou a ser um requisito dos clientes. As empresas estão deixando de trabalhar com produtos à base de solventes ou mesmo com produtos que levam metais pesados em sua formulação, pois eles requerem altos investimentos em tratamento de efluentes, sistemas de coletas, inclusive para gases, além de fatores como a exposição dos funcionários, licenças de uso, manuseio e transporte.

Outro fato é que os novos desenvolvimentos em maquinários e equipamentos gráficos não fazem mais uso desses tipos de auxiliares. Os processadores mais modernos de chapas não utilizam mais químicos auxiliares como reveladores e trabalham com quantidades de água reduzidas ou sistema waterless. A introdução de tintas waterless, além de conferir qualidade de impressão e melhor resolução, está compatível com a crescente preocupação com o meio ambiente, com a eliminação nas tintas gráficas de pigmentos que contêm metais pesados e solventes aromáticos, mas sem o prejuízo de sua secagem. A impressão digital vem também ao encontro dessa evolução, sendo um processo mais limpo, com menos desperdício, uso de produtos auxiliares de acordo com leis internacionais de política ambiental, proporcionando alta qualidade de impressão e alto grau de sofisticação do produto gráfico final. Esses avanços de tecnologia já são realidade no Brasil.

Nesse sentido, a gerente de suprimentos da Alphaprint, Nicole Seeder, ressalta que é muito importante que a indústria gráfica se atualize e troque o maquinário por equipamentos mais modernos, que aumentem a qualidade, reduzam o desperdício, agilizem a produção, reduzam start-up e acertos de máquinas e que estejam de acordo com políticas ambientais. No entanto, ela destaca ainda que é de fundamental importância o desenvolvimento de recursos humanos em toda a cadeia do segmento gráfico, pois é fato que funcionários pouco qualificados têm pouca ou nenhuma preocupação com essas questões, não porque não querem, mas porque ainda não tiveram acesso às novas tecnologias e evoluções; e quanto menor for o grau de conhecimento do funcionário, mais resistência ele vai oferecer à mudanças para técnicas e processos mais modernos.

Competitividade
Nos últimos anos, de acordo com Marcos Zorzetto, diretor industrial da Printcor, ocorreu uma alteração importante no mercado de químicos auxiliares, com uma forte tendência ao surgimento de companhias especializadas na fabricação desses produtos e a conseqüente perda desse mercado por parte dos tradicionais fabricantes de tintas. Dessa forma, solventes atóxicos, soluções de molha, secantes especiais e outros produtos auxiliares passaram a ser desenvolvidos e comercializados com preços mais competitivos por companhias especializadas que tomaram uma fatia importante desse mercado.

“Seguindo essa tendência de mercado, a Printcor desenvolveu parcerias com esses produtores e passou a representá-los no mercado brasileiro. Hoje, além de auxiliares fabricados em nossa unidade industrial, importamos e distribuímos uma gama completa de auxiliares”, explica Zorzetto. Ele concorda também que, sem dúvida nenhuma, a tendência é a “tecnologia verde“, com o desenvolvimento de produtos com baixo VOC (Componentes Orgânicos Voláteis) e que cumprem as novas normas internacionais de substituições de matérias-primas perigosas por similares ecologicamente corretos. “Por intermédio de suas parcerias nacionais e internacionais, passou a distribuir por meio de sua rede nacional de vendas produtos que respeitam essa nova tendência mundial. Por outro lado, o que pode e já está sendo melhorado é a consciência do mercado gráfico (empresários e técnicos) da necessidade de buscar uma transição rápida, eficiente e duradoura por auxiliares ecologicamente corretos.”

E falando em competitividade, químicos auxiliares é o segmento que mais tem apresentado produtos novos para o mercado, segundo a gestora financeira da Printgraf, Cláudia Porto, pois a indústria gráfica brasileira está mais exigente nos últimos anos e buscando produtos ecologicamente corretos, matérias-primas especiais, baixo custo, atendimento rápido e diferenciado. “Em função desse conjunto, pensando no cliente e no ambiente, a Printgraf desenvolve seus produtos, sendo eles, na sua maioria, aprovados na Diretiva RoHS, homologados para utilização em embalagens nas áreas alimentícia e eletrônica. Além de manter o patrimônio do cliente (maquinários), pensamos na qualidade dos produtos com relação à saúde dos funcionários que irão utilizá-los. Essas preocupações com nossos clientes só nos têm permitido crescer nos últimos anos.”

Desde o final de 2007, a Printgraf está investindo no programa de aperfeiçoamento dos profissionais que trabalham nas gráficas atendidas pela empresa. “Muitas delas já se atualizaram sobre nossos produtos por meio de palestras, nas quais esclarecemos desde a qualidade até a utilização, visando o uso correto e evitando custos desnecessários. Nesse programa apresentamos também a logística reversa com relação às embalagens, que evita custo com resíduos para as gráficas e contribui muito para o meio ambiente, pois as mesmas são reutilizadas para o mesmo produto, evitando assim o desperdício”, argumenta Celso Porto, diretor comercial da Printgraf.

Novidades
No último ano, a Printgraf agregou técnicos e químicos especializados na área gráfica e buscou intercâmbios tecnológicos para aperfeiçoar os produtos de linha, principalmente os solventes Print Solv (miscível 30%) e Blue Solv (miscível 10%). Hoje, a empresa agregou a essa família o Print Solv 60  e o Eco Solv (totalmente ecológico), adequados aos padrões globais, aprovados na Diretiva RoHS, totalmente livres de aromáticos, testados e aprovados em rolos de borracha. “Possuímos a Revecel (divisão cilindros) com laboratório independente, além de toda linha de consumíveis voltados para o melhor desempenho gráfico. Aprimoramos, por intermédio desses intercâmbios, o Print Mix, restaurador de blanquetas não controlado, o Printmatic (limpeza dos rolos do sistema alcolor), o regenerador de blanquetas Print Sistem (limpeza do sistema de molha), o Print Uso (desengraxante) e o Rev Print FS (descristalizador)”, informa o gestor da Divisão de Químicos da Printgraf, Fernando Simone.

A Druck Chemie vai disponibilizar para o mercado nacional a evolução do solvente HZO, denominado HZO New Generation. Esse produto foi homologado pelos principais fabricantes de equipamentos gráficos do mundo, não possui aromáticos em sua formulação, é miscível em água e teve o seu poder de secagem melhorado.

A idéia da Druck Chemie com a chegada desse novo produto, conforme Rodrigo Silva, do departamento técnico da empresa, é reforçar a sua proposta ecológica e de preservação dos equipamentos. “O HZO New Generation atende a todos os requisitos ao qual ele se destina a cumprir, por isso a retirada do solvente HZO do mercado nacional será feita de modo gradual”, avisa.

No Brasil, a Druck Chemie também foi pioneira na implantação de coleta de resíduos gráficos e na logística reversa, procurando sempre dar a destinação correta aos resíduos industriais, contribuindo para a preservação do meio ambiente.

Os produtos Druck Chemie, além de possuírem certificação da Fogra (Associação de Pesquisa e Tecnologia Gráfica Alemã), que é uma entidade muito respeitada no meio gráfico, possuem também certificação dos principais fabricantes de máquinas gráficas do mundo, atestando assim, conforme Rodrigo Silva, a qualidade dos produtos Druck Chemie. Ele alerta que, atualmente, o mercado nacional de produtos químicos oferece, na maioria das vezes, produtos sem preocupação com a integridade dos equipamentos gráficos, com o meio ambiente e com o ser humano, sendo que a principal preocupação está voltada para os custos de fabricação e de venda. Nesse cenário, continua ele, um dos papéis que a Druck Chemie desenvolve é a conscientização e orientação dada aos clientes quanto aos cuidados com o equipamento e o meio ambiente, buscando sempre criar parcerias com o cliente. “As linhas de solventes e soluções de fonte sempre estão se atualizando, pois o mercado gráfico cresce de uma forma muito rápida e os produtos auxiliares necessitam acompanhar essa evolução para que todos os novos recursos criados pelos fabricantes possam ser atendidos com a qualidade esperada.”

Outra empresa com o trabalho focado na linha ecológica é a Duplicopy. Com o intercâmbio que a empresa mantém com fabricantes europeus de produtos químicos está trazendo ao mercado um novo conceito de produtos ecologicamente corretos. O gerente comercial da Duplicopy, Fioravante Módolo Júnior, acredita que, hoje, a indústria olha os produtos ecológicos como um custo adicional, um aumento de despesa.

“A Duplicopy leva ao mercado informações e produtos que, ao contrário da visão do empresário gráfico brasileiro, reduzem efetivamente o custo em comparação aos produtos químicos convencionais (não ecológicos). Hoje afirmamos e comprovamos a qualquer gráfico que é possível trabalhar com produtos de maior qualidade, preservando a saúde de funcionários e meio ambiente, assim como reduzindo seus custos em produtos químicos”, garante o gerente.

O principal produto trabalhado no momento é o substituto do álcool isopropílico, o total free da Eurostar. Esse produto não emite os VOCs, componentes orgânicos voláteis que atacam a camada de ozônio e a saúde, ao contrário do álcool isopropílico, melhorando o processo de impressão e reduzindo sensivelmente o consumo de insumos no sistema de molha de impressão offset”, afirma Rodrigo Júnior.

A Duplicopy tem feito um forte trabalho na atualização de sua linha de produtos químicos. A empresa inaugurou em março do ano passado sua fábrica em Santana do Parnaíba (SP) com capacidade de um milhão de litros/mês. Em 2006, lançou no Brasil sua linha de produtos químicos Eurostar, produtos de origem européia que a Duplicopy produz aqui sob licença, o que possibilita uma atualização de tecnologia constante com ‘up-grade online’ com a Europa. Além da linha Eurostar, a Duplicopy possui um departamento químico focado em desenvolvimento e pesquisa com atualização constante e lançamentos de produtos no mercado. No segundo semestre de 2008 a Duplicopy estará lançando no mercado brasileiro novos produtos da linha Eurostar.

Os produtos químicos trabalhados no momento com mais força pela Duplicopy encontram-se em sua linha de produtos ecologicamente corretos, composta de solventes para impressoras planas e rotativas com baixo teor de toxidade, além do já citado substituto do álcool isopropílico.

“A Duplicopy tem sido a indústria de produtos químicos com maior foco nos produtos ecologicamente corretos no momento, não vendendo conceito de marketing, mas sim vendendo soluções viáveis, práticas e de baixo custo, o que tem agradado muito o mercado gráfico, fidelizando clientes que se preocupam com a qualidade de seus produtos, assim como com a saúde ocupacional e meio ambiente”, observa Rodrigo Júnior.

O recente lançamento da Kodak para o mercado brasileiro é a nova linha de revelador Kodak Goldstar Premium. Produto responsável por revelar as novas chapas Kodak Electra XD, irá permitir um volume de “replenishment” reduzido se comparado com o atual químico, permitindo assim um melhor rendimento de revelação, menos interrupção para manutenção e também menor impacto ambiental, de acordo com o gerente de marketing prepress solutions, Daniel Heraldo.

Em termos de tecnologia e evolução, o gerente destaca o Kodak Plate Finisher 850S (solução de acabamento), produto desenvolvido com características específicas para contribuir com o “start up” de impressão, também conhecido como “Make Ready”, “com o propósito de diminuir o tempo de entintagem, reduzindo assim o volume de substrato utilizado e permitindo uma melhor qualidade de impressão, devido ao melhor balanço água e tinta na impressão offset, e tudo isso promovido por um simples químico auxiliar”.

Além dos químicos já anunciados para a Drupa 2008, a Agfa Graphics traz para o Brasil uma série de insumos focados em desempenho e redução de custos. Um deles é a solução de fonte  RC 661, reconhecida como uma das melhores soluções de molhagem para máquinas impressoras, segundo o executivo de vendas Sérgio Roberto.

A Agfa está trazendo para o Brasil soluções de fonte Prima FS 404 AS, que possibilitam a redução do consumo de álcool usado nas impressões e também soluções de fonte Prima FS 909 AF e Prima FS 707 (ideal para rotativa comercial). A solução de fonte Prima FS 105 News é indicada para rotativas de jornal (coldset). Inicialmente, a empresa está importando e, posteriormente, todas serão produzidas no Brasil.

“O portfólio de produtos químicos da Agfa foi desenvolvido para complementar tanto a máquina de impressão como as chapas, obter maior eficácia, melhor qualidade e rendimento na hora de imprimir”, explica Sergio Roberto.

Para sala de impressão, a Agfa Graphics tem uma linha completa: auxiliares para limpeza, solução de molhagem, produtos para o cuidado com as chapas, regeneração de blanquetas, lavadores de rolos e para aplicações específicas, tudo desenvolvido para melhor aproveitamento das chapas, tanto analógicas como digitais. “Essas substâncias são formuladas a partir dos conhecimentos e da experiência sem igual em tecnologia de chapas offset da Agfa e obtêm melhoras significativas no rendimento da sua sala de impressão. Vale lembrar que todos os produtos são aprovados pela Fogra.
A Canopus Química fabrica produtos químicos auxiliares para completar a linha de tintas e vernizes gráficos. Em seu novo catálogo técnico de produtos está uma lâmina destinada aos produtos auxiliares. São aditivos para tintas e vernizes, solventes para limpeza e solução de molha para impressão gráfica.

“O segmento gráfico requer a cada ano uma abordagem mais técnica do produto. É necessário informar ao usuário todas as características físico-químicas para o perfeito uso do produto. Existe também a necessidade de adequação às novas leis ambientais”, defende Daniel Pires Filho, diretor comercial da Canopus.

A Pradograf oferece produtos ecológicos próprios, desenvolvidos com tecnologia e qualidade de Primeiro Mundo, segundo o diretor Mauro Prado, como o Prado Eco Solv – 60 , Prado Uno (substituto do álcool isopropílico), e reveladores térmicos para chapas Fuji, Kodak e Agfa. “Esses produtos contribuem para que os profissionais do ramo sintam menos os efeitos colaterais dos produtos químicos.”

Para Neuza do Prado, também diretora da Pradograf, a empresa já vem atuando nesse sentido há algum tempo com muita experiência, apesar de sua jovialidade, mas com muita experiência. “Acredito também que pode ser investido mais em informações no que diz respeito à gestão ambiental e como produtos com qualidade superior podem interferir positivamente na vida e na carreira de profissionais da área gráfica”, conclui.

 
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