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   Brasil, 30 de Julho de 2010
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Editorial - Edição 77
Sumário
Há 200 anos
 

Há exatos 200 anos no Brasil iniciava-se uma atividade econômica que dá emprego a uma centena de milhares de pessoas até hoje: a indústria gráfica. Até então, na época da monarquia, a imprensa era proibida no País. Os livros que aqui aportavam eram trazidos clandestinamente e quem os portava era considerado criminoso. Escrito pelo jornalista Laurentino Gomes, o livro “1808” retrata a chegada da corte portuguesa ao Brasil, fugida da Europa por causa da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte. A vinda da realeza portuguesa coloca o País numa situação inédita: ao mesmo tempo em que é colônia, torna-se sede da monarquia portuguesa. Napoleão até hoje é orgulho de muitos e desgosto de outros tantos. Fato é que agora, ora pois, a corte necessitava de comunicação com a plebe e, portanto, podia começar a elaborar uma imprensa escrita. E tenho dito!

Em 13 de maio de 1808, a proibição da prensa foi suspensa, mas (surpresa!) a atividade livre da imprensa ainda era utopia. D. João VI cria a Impressão Régia e, coincidentemente, neste mesmo ano nasce o primeiro jornal no Brasil: “A Gazeta do Rio de Janeiro”. Santo - o jornal era redigido pelo frei Tibúrcio José da Rocha um frade fransciscano - desconfiado com o tamanho da esmola, a publicação estava sujeita a censura prévia. Já em agosto do mesmo ano, clandestinamente, circulava no Rio de Janeiro o “Correio Braziliense”, que era redigido em Londres pelo jornalista Hipólito da Costa. Mesmo em patamares diferentes, diziam os críticos da época, as duas publicações eram complementares.

Em 14 anos - de maio de 1808 até setembro de 1822 - foi verdadeiramente construída uma nação. E a imprensa, tal e qual aquele artilheiro que crava a bola no fundo da rede do adversário numa final de campeonato, foi decisiva, perigosamente desafiadora e contestadora. As novas idéias, os mais recentes movimentos ideológicos e a desvinculação da censura foram trazidos e defendidos arduamente pela imprensa. Em pouco mais de uma década a então colônia, mandando às favas certos paradigmas, se transformou num país.

O futuro começava a ser desenhado. Com o País expectorando inteligência e audácia, os rumos entrevam nos prumos. A imagem plana do horizonte não deixava dúvida que um dia os equipamentos de impressão seriam compactos, mas ao mesmo tempo automatizados, com trocas de chapas cada vez mais velozes. O que antes era considerado distante hoje é a realidade: os equipamentos de impressão plana mostram sua flexibilidade e capacidade de se adaptarem a novas demandas gráficas.

Aviso aos antigos navegantes: a indústria gráfica não só evoluiu como surpreendeu até os pessimistas de plantão com a entrada triunfal da impressão digital. Na entrevista desta edição, a Kodak declara que está focada na realidade digital e demonstra, com vários lançamentos, soluções em pré-impressão e impressão digital. Gostaria de avisar aos amigos de 200 anos atrás que eles não precisam portar livros sob o risco de serem condenados como criminosos. A Canon recentemente firmou parceria com a Fábrica de Livros, que atua na produção de livros em pequenas tiragens e sob demanda. Juntos, podemos decidir o que queremos ler e qual quantidade transportaremos.

Ainda nesta edição, confira o que rolou nos corredores do Anhembi durante a 1ª Semana Internacional da Embalagem, Impressão e Logística, realizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado. Velocidade e facilidade serão, de acordo com os fabricantes, os diferenciais da próxima Drupa. Lá na Alemanha, obviamente não encontraremos a corte real portuguesa, mas com certeza depararemo-nos com o pioneirismo de Gutenberg e suas constantes evoluções.

Brindemos os 200 anos e nos aprontemos para mais 200 que virão. Certamente, a indústria gráfica brasileira, que já passou por golpes em regiões vitais, acumula oxigênio, retoma fôlego e mostra sua vitalidade persuasiva.

São os sinais do tempo, afinal ninguém é obrigado a mostrar a identidade e revelar a idade. Além do mais, amparado na lei e no exercício da profissão, ninguém precisa revelar a fonte, com exceção para aquela que será impressa daqui para frente.

 
Fábio Sabbag - fabio@avilaagnelo.com.br
 
Sumário
 
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