| Num desses dias, novamente parado na Marginal Tietê, vivenciando o caótico tráfego que toma conta da cidade de São Paulo, noto, no leito do fétido rio a presença persistente de várias árvores. Antes de engatar a primeira marcha do carro, penso como é possível, para um ser vivo, agüentar anos e anos respirando dióxido de carbono constantemente e tirar seu sustento do lençol freático totalmente contaminado.
Até parar novamente, mais ou menos uns 300 metros à frente, insisto em refletir sozinho - e até a invejar - a força que a natureza precisa ter para sobreviver numa metrópole condescendente para com a poluição. Incrivelmente, o princípio de inveja me transforma em um super-herói disposto a enfrentar a temível estática do trânsito. Sigo firme no meu propósito: chegar a tempo de ver meu time na televisão e me preparar para o dia seguinte de trabalho.
Após quase três horas de ‘disputa’ com o trânsito, chego ao destino. Sentado no sofá me pego pensando nas minhas árvores amigas que ficaram imóveis naquela margem horrenda. A inveja que me deu força agora me dá tristeza. Coitadinhas, passei apenas algumas horas lá e elas (simplesmente) sobrevivem naquele lugar inóspito.
Felizmente - ainda não estou doido -, as árvores não nos entendem. Gostariam de explicar que em nossas vidas também existem percalços, solos inférteis e cenários negativos. Mesmo assim, também lutamos por dias e ambientes melhores.
Se seguíssemos exemplos como da RR Donnelley - que recentemente inaugurou a ampliação da unidade em Blumenau, Santa Catarina, com tratamento próprio de efluentes, estação de esgoto, uso de papéis reciclados, reciclagem e geradores de energia - nossas árvores seriam mais felizes. Mesmo que trabalhemos muitas vezes com materiais não amigáveis ao ambiente, temos de refletir 100% no descarte desses resíduos. Por isso há quem pense exclusivamente no trato dos resíduos gráficos, como o leitor poderá conferir nesta edição.
A árvore que sustenta o setor de distribuição de papel entra na fase do amadurecimento e planeja seus descendentes para daqui a alguns anos. Não perca ainda nesta edição os frutos - modelo exportação - que serão apresentados na Drupa.
Já desabrochada no Brasil, a impressão digital mostra, durante o PODi, a força do seu caule e a firmeza dos seus ramos em vários segmentos da indústria gráfica. Também persistente por natureza, a indústria gráfica planta suas árvores, usa e abusa da genética tecnológica e planeja sistematicamente ambientes cada vez mais saudáveis. Usando sua tecnologia de fotossíntese, a árvore amiga do Tietê evidencia que é possível viver em ambientes críticos e severos, mas reluzir num local saudável é a busca persistente da perfeição. |