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Papéis Imprimir e Escrever - Edição 75
Sumário
Competitivo e alternativo
 
A grande concorrência amplia a oferta e deixa a linha imprimir e escrever cada vez mais afinada com as necessidades.
 
Fábio Sabbag
 

Conforme dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), a produção de celulose e papel em 2007 foi de 11.800 mil toneladas e a projeção para 2008 é de uma produção de 12.800 mil toneladas. Para papel, a produção no ano passado foi de 8.970 mil toneladas e a expectativa para 2008 é de 9.250 mil toneladas.

Desde 1970, o crescimento médio anual de papel registra 5,8%, e o setor de celulose, 7,5%. De acordo com a Risi - provedora de informações para a indústria global florestal -, na área de papel o maior produtor mundial são os Estados Unidos (84.073 mil toneladas), seguidos da China (65.000 mil toneladas), Japão (31.106 mil toneladas), Alemanha (22.655 mil toneladas), Canadá (18.170 mil toneladas), Finlândia (14.151 mil toneladas), Suécia (12.066 mil toneladas), Coréia do Sul (10.703 mil toneladas), Itália (10.009 mil toneladas), França (10.006 mil toneladas), Indonésia (8.862 mil toneladas) e, finalmente, o Brasil, com 8.725 mil toneladas. As exportações brasileiras de papel foram destinadas para a América Latina (54%), América do Norte (16%), Europa (17%), Ásia & Oceania (8%) e África (5%).

A linha de imprimir e escrever é responsável por grande parte do volume de produção, tanto o já alcançado como o previsto. Segundo Nilson Cardoso, gerente-geral de negócios de cut size da International Paper, a empresa consolidou seu crescimento no Brasil com o aumento no volume de produção de papéis imprimir e escrever não-revestido em 75% em comparação com 2006, alcançando 752 mil toneladas. “Essa evolução é resultado da consolidação da estratégia global da companhia, que apostou nos segmentos de embalagens e papel não-revestidos para imprimir e escrever e definiu a International Paper Brasil como plataforma para crescimento dos negócios na América Latina. Além disso, por meio da permuta de ativos com a VCP, no final de 2006 a International Paper adquiriu uma nova fábrica de papel e celulose em Luis Antonio, no interior de São Paulo, em fevereiro de 2007”, conta Cardoso.

Para a Multiverde, o ano passado foi um período de transformações. “A Multiverde foi adquirida durante o ano de 2007; antes, era a unidade de Mogi das Cruzes da VCP. Desta forma, consideramos o ano como de transição e com diversas mudanças como implantação da área comercial, área financeira, novo mix de produtos e readequação da carteira de clientes, assim como alterações na própria distribuição das tarefas da equipe interna. Todos esses fatores fazem com que esse ano não deva ser tomado como base para comparações. Podemos afirmar, com toda a segurança, que superamos as metas estabelecidas e melhoramos muito no último quadrimestre. Estamos otimistas não só quanto ao crescimento das vendas em 2008, mas também quanto à melhora qualitativa de nosso mix de produtos, aumentando a produção de papéis com alto valor agregado”, explica Marcus Vinicius de Melo, gerente comercial da Multiverde.

Com capacidade total em termos de produção de papel em torno de 10 milhões de toneladas, a APP entra numa nova etapa de investimentos. “Nossa capacidade está sendo absorvida pelo mercado mundial e visualizamos espaços para uma nova etapa de investimento. A APP tem uma unidade de celulose na ilha de Rainam, no sul da China. Lá, em 2004, atingiu a marca de um milhão e 200 mil toneladas por ano e serão implementadas duas máquinas de papel”, informa Geraldo Ferreira, gerente-geral da APP.

Sérgio Canela, superintendente da MD/Papéis Cubatão, diz que as vendas para o mercado doméstico aumentaram 10% em relação a 2006. Já para a Suzanense, empresa que atua no segmento de baixas gramaturas, mais especificamente entre 20g/m² e 70g/m², as mudanças no perfil do mercado em 2007 ampliaram a linha de produto. “Com o aumento das possibilidades de atuação no mercado, fechamos o ano com aumento de 5% em relação a 2006”, conta Márcia Lima, da comunicação e marketing da Suzanense.

Domínio do mercado interno
Historicamente, os fabricantes nacionais de papéis imprimir e escrever sempre mantiveram o domínio do mercado interno. Hoje, devido ao elevado crescimento dos produtores externos, principalmente da China, a soberania vem sendo atacada violentamente. No caso dos papéis finos, o ataque ainda não chegou. “Esta expansão dos importados ainda não se reflete tão fortemente sobre os papéis finos. Uma vez que, ao contrário das commodities, papéis finos apresentam um grande número de linhas, com um grande número de referências. Torna-se mais complexa a operação para os ‘players’ deste mercado e, ainda, mais complexa se não for fabricante”, opina Ronald Dutton, diretor comercial e marketing de papéis finos da América Latina.

Ferreira defende que o fabricante nacional não vê com bons olhos a entrada de novos concorrentes. “Mas é um processo natural. Agora é preciso que eles se nivelem e tentem ser mais competitivos com um custo de produção mais baixo e com melhor qualidade. Particularmente acho inevitável. A grande saída para os fabricantes nacionais, cujas capacidades estão fora da escala internacional , pois são regionais, é focar em produtos de valor agregado”, completa.

Canela acredita que o aumento da concorrência pode gerar desenvolvimento tecnológico e contribuir para a evolução da qualidade da indústria, mas frisa que a indústria de imprimir e escrever sempre teve destaque no mercado internacional do ponto de vista da qualidade dos produtos.

Com a competição acirrada, alguns pontos antes preestabelecidos tiveram que ser revistos. “Sentimos que os papéis importados forçaram o mercado a uma baixa nos preços praticados. Desta forma, alguns produtos estão deixando de interessar a alguns fabricantes. Dedicamos nosso portfólio de produtos para especialidades e não competimos em mercados comoditizados”, fala Melo.

A Suzanense sentiu na pele os efeitos da concorrência. “O mercado de papéis de baixas gramaturas, principalmente o papel bíblia, foi bastante afetado pela entrada de concorrência externa. Isso nos levou a adequar nossa produção para que passássemos a atuar também no segmento editorial com papéis de 44g/m² linha Imprimma, assim como com gramaturas um pouco mais altas para papéis para bulas de medicamento e cosmético e para formulários contínuos. Também agregamos valor, vendendo papel de seda já impresso, personalizando-o para os clientes. Essas mudanças foram positivas, pois aumentamos nossas possibilidades de atuação. Mesmo assim, a entrada dos produtos importados baixou muito os preços dos papéis”, explica Márcia.

Desvalorização cambial
Os solavancos que o câmbio sofreu e sofre atualmente leva a indústria a acompanhar atentamente suas manobras mais radicais. Para o mercado de imprimir e escrever, a desvalorização cambial pode ser benéfica por um lado e péssima por outro. “Pode parecer estranho, mas é negativa a desvalorização cambial, pois pode suscitar ‘aventureiros’ a entrarem no mercado, importando papéis e oferecendo um serviço que não terá continuidade. E não terá continuidade pode três razões: por que é uma ação ‘spot’, visando apenas uma oportunidade de lucro; por que não é o negócio do importador e, conseqüentemente, não será bem trabalhado; e por que a desvalorização cambial também afeta os europeus e é de lá que vem a grande maioria dos papéis finos”, detalha Dutton.

Para Canela, a acentuada desvalorização do dólar frente ao real verificada em 2007 certamente estimulou a entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro. “Entretanto é importante destacar que os fabricantes nacionais sempre estarão prontos para oferecer melhores serviços, atendimento e apoio técnico ao mercado gráfico nacional”, completa o superintendente comercial da MD Papéis/Cubatão.

Já Melo argumenta que a desvalorização cambial torna as exportações menos interessantes, baixa os preços do mercado local, mas sempre abre espaço para trabalhar diferenciadamente, em busca do mix de produtos mais adequado.

Prontas para 2008
Com o aquecimento do mercado e várias alternativas de compra, o consumidor final fica bem mais exigente e, por mais que busque preço, certas qualidades são padrões. “A concorrência é sinônimo de qualidade e o aumento do leque de opções eleva o nível de exigência. Há 20 anos não tínhamos muitas opções de compra de automóveis. Hoje, escolhemos até veículos personalizados. Quanto foi benéfico para o setor levando em consideração a evolução da qualidade do carro? No papel não é diferente. Temos qualidade e variedade de produtos competitivos para o consumidor. O crescimento, como tem sido nos últimos anos, se dará na China, Brasil, Índia e Leste Europeu”, fala Ferreira.

Qualidade por qualidade os brasileiros igualam-se aos demais produtores. “A diversidade de produtos no mercado de imprimir e escrever não-revestidos ofertado pelos produtores já representa um padrão semelhante ao dos mercados mais sofisticados. Em termos de qualidade técnica nos papéis não-revestidos há uma forte vantagem do produto nacional em relação aos importados. Outro ponto relevante da International Paper é que ela utiliza matéria-prima oriunda de florestas 100% renováveis para a fabricação de seus papéis e, além disso, é a que oferece os melhores resultados porque tem o papel ideal para cada tipo de trabalho. Em 2008, a International Paper continuará investindo em ações que reforcem seu relacionamento com seus clientes, pois o mercado brasileiro continuará sendo prioritário. Em termos de produtos, temos as novas embalagens da linha Chamex. Elas utilizam cores vivas e elementos gráficos para representar o ambiente, mostrando imagens de folhas e florestas e um selo metalizado aplicado no centro da embalagem informando que o produto é ambientalmente responsável. Outra novidade é o novo hot site para a linha de papéis Chamex e a distribuição de 13 mil kits de ponto-de-venda para lojistas de todo o Brasil”, conta Cardoso.

A Arjowiggins estrategicamente apresenta anualmente novidades. “Seja um produto, uma textura ou uma cor, mas sempre há uma novidade para movimentar o mercado”, aguça Dutton. Considerada pelo próprio gerente comercial como um novo ‘player’, a Multiverde chega com novidades para 2008: “Além das linhas que já trabalhamos, tanto industriais quanto especiais imprimir e escrever, desenvolvemos produtos de maior valor agregado, que serão apresentados ao mercado no decorrer de 2008. As novidades serão para a linha de papéis finos, lançadas ainda no primeiro semestre”, completa Melo.

 
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