A desvalorização do dólar provocou forte queda na balança comercial do setor gráfico. Os dados são do Departamento de Estudos Econômicos da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). O saldo comercial em 2007 fechou com déficit de US$ 40 milhões, com variação negativa de 162% ante resultado alcançado em 2006.
Estimuladas pela desvalorização da moeda americana, as importações do setor, no período em referência, totalizaram US$ 319 milhões, crescimento de 50% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados mostram que as importações no segmento editorial em 2007 somaram US$ 133 milhões, contra US$ 96 milhões em 2006, representando, assim, um aumento de 39%. Outros segmentos também responsáveis pelo forte incremento das importações são os de cartões impressos (que gerou US$ 71 milhões em 2007) e de impressos publicitários, que pertence ao segmento promocional (que acumulou US$ 37 milhões em importações no mesmo período).
Já as exportações de produtos gráficos em 2007 cresceram apenas 0,8%, totalizando US$ 279 milhões. Os segmentos com melhor desempenho neste quesito foram embalagens, com US$ 88 milhões, e cadernos, com US$ 63 milhões.
Quadro negativo para exportações
Em 2003, o setor conseguiu retomar suas exportações e virar o jogo na balança comercial, saindo de um déficit que chegou a mais de US$ 100 milhões em anos anteriores para resultado positivo de US$ 21 milhões. Começava aí um período de bons ventos para a indústria gráfica no tocante ao mercado externo. Porém, Mário César de Camargo, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), não acredita que isso se repita nos próximos anos.
Para o presidente da associação, a balança comercial do setor deverá se tornar ainda mais negativa este ano. “Não há muito que fazer com o dólar nesse patamar. Com isso, as exportações de cadernos, em 2008, não devem se sustentar no mesmo nível de 2006, independentemente do embargo americano aos chineses. A entrada de outros concorrentes naquele mercado faz com que os produtos gráficos brasileiros percam competitividade, especialmente em função do câmbio”, alerta.
Apesar desse quadro negativo, Camargo lembra que as exportações representam menos de 2% das vendas gráficas totais, o que não chega a afetar significativamente o desempenho final do setor. |