Prova
de que a consciência ambiental se instalou
no mercado gráfico brasileiro é o
aumento das vendas dos chamados solventes ecológicos,
o que demonstra que a questão do preço
mais alto vem sendo superada pelos benefícios
dos produtos. Esses benefícios incluem não
só a saúde dos trabalhadores e do
ambiente, mas a conservação dos equipamentos,
alvo dos maiores investimentos do setor.
Essa
consciência,
entretanto, não foi voluntária em
todas as empresas. Algumas vezes, foi compulsória,
como é o caso do abandono do álcool
isopropílico, insumo altamente cancerígeno
e usado para o refino de drogas, ou da adoção
de produtos mais amigáveis por exigência
de órgãos de fiscalização,
como a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental), ligada à Secretaria de Meio
Ambiente do Governo de São Paulo.
Nas
gráficas
o uso de solventes para limpeza não se resume
em "lavar" a máquina simplesmente.
Inclui reduzir a cristalização e
os desgastes provocados na rolagem e blanquetas
pelo uso prolongado de produtos não adequados,
como gasolina e querosene, por exemplo, que eram
muito empregados há bem pouco tempo.
Um
solvente de baixa qualidade ataca os rolos, ressecando-os,
podendo até mesmo provocar o seu inchamento,
alterando o diâmetro e a pressão entre
os demais, ocasionando desgastes de buchamento,
pressão excessiva e má transferência
de tinta. Além disso, há a preocupação
com a saúde dos usuários e as exigências
de preservação ambiental.
Manutenção
limpa
A Escala 7 Editora Gráfica tem 120
empregados e produz 150 toneladas de impressos
por mês. Com consumo de 500 litros de solventes
mensalmente, é usuária de produtos
da linha ecológica da Cromos. Para Jaime
Coelho, gerente de produção da gráfica,
a migração para produtos com menos
toxicidade e mais amigáveis é uma
tendência sem volta. “Antigamente,
era comum usarmos gasolina para fazer a limpeza
das máquinas e equipamentos. Hoje, ninguém
sequer suporta o cheiro desse produto. Acho que
a composição desse combustível
mudou muito ao longo dos últimos anos ou
então passamos a ser mais críticos
mesmo”, pondera.
De
acordo com ele, além
do fato de estarem usando solventes menos prejudiciais,
biodegradáveis, o contato com esse insumo
também diminuiu. “Nossos equipamentos
contam com limpeza automática e temos apenas
de alimentá-lo periodicamente. Além
disso, os colaboradores usam EPIs para esse manuseio.”
Com
isso, a Escala 7 conseguiu importantes ganhos,
como a diminuição no nível
de acidentes. “Há quase 700 dias não
temos nenhum tipo de acidente e nosso ambiente
de trabalho é mais salutar que o de anos
atrás”, comemora Coelho. Ele acrescenta
ainda que a gráfica conta com estação
de tratamento para os eventuais efluentes que possa
produzir, a despeito de todos os cuidados já tomados.
Outra vantagem que a Escala 7 alcançou foi
ser a opção de alguns clientes especiais,
como McDonald’s, Nestlé, AmBev, Procter & Gamble
e Brascola, entre outros, todos exigentes em relação
aos seus produtos e embalagens.
Segurança
Outra
gráfica que já adota os solventes
ecológicos é a Zamberetti, que consome
mensalmente cerca de mil litros do insumo fornecido
pela Duplicopy. Com empresas como Atacadão,
Jandaia e M Officer na sua carteira de clientes,
a Zamberetti produz em média 50 toneladas
de material impresso por mês e conta com
65 colaboradores na área de impressão. “A
opção pelos solventes mais amigáveis
para limpeza de máquinas e equipamentos
já tem mais de quatro anos na empresa”,
conta Pedro Luiz Função, assistente
de compras da gráfica, que esclarece ser
esse o seu tempo de casa. “Quando entrei
aqui, a empresa já comprava esses produtos.”
Para
ele, o fato de serem mais fáceis de manipular é essencial. “Mesmo
com todos os EPIs à disposição,
muitos empregados optam por manusear o solvente
sem o uso de luvas ou máscaras. É uma
cultura que veio ao longo dos anos e é muito
difícil mudar isso. Por essa razão, é importante
que uma eventual exposição tanto
ao cheiro quanto ao contato direto não prejudique
a saúde das pessoas”, analisa.
Economia
de água
Outro que também se preocupa
com o manuseio dos solventes é Gilson Alcântara
de Oliveira, encarregado de impressão da
Yangraf Gráfica Editora. “Muitas vezes,
o pessoal se esquece das luvas. Máscaras,
então, sofrem um total desprezo. Por isso,
se os produtos apresentam um odor muito forte,
o que significa alta emissão de voláteis,
se tornam um grande risco à saúde
dos funcionários e prejudiciais ao ambiente
como um todo”, reforça.
Com
produção
diária girando em torno de 750 mil folhas
impressas e empregando 30 pessoas apenas no setor
de impressão, a Yangraf consome de 300 a
450 litros de solventes mensalmente, dependendo
do tipo de serviço que as máquinas
e equipamentos fazem. Entre seus clientes estão
as editoras Larousse, Moderna, Saraiva, Atica,
Scipione, Atlas, Pioneira, Nova Alexandria, Nova
América, Martins Fontes, ESPM, entre outras.
“Os
solventes base água que usamos não
são só melhores para os trabalhadores
e o ambiente; também ajudam na rolaria e
na limpeza das borrachas, porque evaporam menos”,
reporta. Por outro lado, Oliveira lembra que, por
serem solúveis em água, esses solventes
também têm performance melhor na hora
de limpar resíduos de goma ou caulim, por
exemplo, diminuindo a quantidade de água
que era usada depois da lavagem. “Esses produtos
exigiam que, depois da limpeza com solvente, tivéssemos
de aplicar diversas vezes panos molhados para eliminar
todos os resíduos. Os
solventes base água
permitem que essa operação seja feita
uma única vez”, atesta.
Caso
de polícia
Especializada em impressos promocionais,
a North Graph Gráfica e Editora consome
mensalmente em torno de 100 a 150 litros de solventes
base água,
fornecidos pela Emeprint. Com 25 empregados na área
de impressão, a gráfica atende as
empresa Day Brasil, Agendas Pombo, Casa do Pão
de Queijo, Transportadora Dismarino, Amazônia
Viva, entre outras.
Emanuel
Gomes da Silva, gerente de produção da North Graph, relata
que a empresa fez a troca dos solventes para produtos
base água já há algum tempo,
até por exigência da Polícia
Federal. “Os produtos como querosene e gasolina
já não são usados há muito
tempo, mas o álcool isopropílico
ainda teve sobrevida maior. Esse insumo além
de ser cancerígeno, hoje tem mais uma dificuldade
para seu uso: como é empregado para o refino
de drogas, sua compra é restrita e exige
autorização da Polícia Federal”,
acentua.
O
gerente de produção acredita
que hoje os solventes menos agressivos sejam mais
usados, principalmente por força da legislação. “As
gráficas tiveram de se adequar às
exigências dos órgãos ambientais
e mesmo as menores estão tendo de investir
em produtos de menor toxicidade. Isso é bom
porque muitos dos gráficos de mais idade
ainda relutam em usar os EPIs, o que traz problemas
para a saúde do trabalhador e para a gráfica
que os emprega”, avalia Silva.
Por
outro lado, ele acentua que os produtos hoje oferecidos
não deixam nada a desejar aos antigos solventes
em performance de limpeza, sendo, inclusive, muito
superiores em alguns itens, como a conservação
das máquinas e equipamentos.
Em
transição
A
Neoband Soluções Gráficas
atende diversos clientes, como Vivo, Bayer, Toledo
e Ávila-Agnelo Editora, produzindo em média
2,6 milhões de impressões por mês,
com a ajuda de 13 colaboradores apenas na área
de impressão. Até o momento, a Neoband
faz uso de solventes destilados leves de petróleo. “São
solventes sintéticos”, conta Danilo
Borges, gerente de produção, que
revela estar atualmente realizando testes para
substituir esse insumo.
As
razões para essa
substituição, segundo o gerente,
são várias: “Claro que a mais
importante é a preocupação
com o ambiente. Mas não podemos deixar de
pensar nos riscos menores à saúde
dos empregados e mesmo na conservação
dos equipamentos.”
Por
outro lado, Borges acentua que os solventes tradicionais
também
demandam serviços que os amigáveis
dispensam, como a contratação de
empresas especializadas para recolher os resíduos
e dar a destinação a eles. “É necessário
um aparato para descarte dos resíduos de
limpeza, que será simplificado com o uso
dos solventes base água.”
Explicando
que por ter um número pequeno de funcionários
no setor de impressão fica mais fácil
o controle do uso de EPIs, Borges reporta que não
tem registro de acidentes com solventes, mesmo
assim, a decisão de mudar é irreversível
e essa substituição ainda não
foi efetivada porque estão sendo analisados
os preços das opções disponíveis
para adequação ao orçamento
da gráfica.
Perspectivas
Para Marcos Jesus,
gerente de vendas da Emeprint Produtos e Materiais
Gráficos, as perspectivas são de
crescimento para esse tipo de insumo. “Nossos
clientes já exigem produtos mais elaborados,
menos tóxicos e menos agressivos. Prevenção é a
palavra de ordem”, afiança. Fioravante
Módolo Júnior, gerente comercial
da Duplicopy Produtos Gráficos, reforça: “O
ano de 2007 foi positivo comparado com 2006, apresentando
grande crescimento nas vendas. Esse crescimento
foi evidente na linha de solventes ecologicamente
corretos por causa da maior consciência do
mercado nas questões ambientais, uma tendência
para os próximos anos.”
A
Duplicopy trabalha com uma visão extremamente
positiva para o ano de 2008. Além do crescimento
da economia, que, como pondera Módolo Júnior,
está evidente para todo o mercado, há o
natural incremento da produção gráfica
por ser um ano de eleições municipais. “Isso
movimenta um pouco mais as pequenas e médias
indústrias gráficas.”
Por
outro lado, o gerente comercial adianta que a Duplicopy
vem conseguindo maior penetração
nos grandes consumidores e tem investido em diversas
ações comerciais com sua rede de
distribuidores para colocar essa família
de produtos em todo o Brasil com sucesso. “Outro
ponto importante para nosso desempenho em 2008 é um
investimento feito entre 2006 e 2007 em uma nova
unidade industrial, que triplica nossa capacidade
produtiva. Essa nova unidade já está em
plena produção, trazendo algumas
vantagens comerciais, como a produção
em escala, o que reduz nossos custos, tornando
os preços mais competitivos. Há também
a possibilidade de desenvolver produtos personalizados às
necessidades de cada cliente, laboratório
de pesquisas e desenvolvimento, entre outras.”
Já o
crescimento da linha ecológica da Emeprint
em 2007 alcançou 20%, o que levou a empresa
a lançar novos produtos, caso do Websolv
e Websolv Plus, destinados a rotativas offset e
impressão de jornais. “Trabalhamos
continuamente na melhoria dos produtos, já que
o mercado vem se tornando mais exigente, resultado
de maior conscientização dos gráficos
no que diz respeito ao uso de solventes menos agressivos
e de baixa toxicidade, além obviamente,
da questão ambiental, preocupação
constante de nossa empresa. Dessa forma, a linha
Ecologicsolv é uma resposta a essa exigência
mercadológica aliada à atuação
focada na preocupação ambiental que
a Emeprint mantém como visão”,
informa o gerente de vendas da empresa.
Com
relação
a solventes de limpeza, a Printcor, fabricante
de tintas, vernizes e aditivos para a indústria
gráfica, mantém parceria com um líder
mundial na produção de solventes
ecologicamente corretos e faz a distribuição
dos insumos no mercado brasileiro. “O resultado
das vendas em 2007 foi de 5% a mais em relação
ao ano de 2006. A perspectiva para o ano de 2008 é que
se repita o crescimento do ano de 2007. Temos essa
expectativa pelo histórico de vendas dos últimos
anos e pelo aumento em nossa carteira de clientes”,
adianta Marco Zorzetto, gerente industrial, que
acrecenta: “Durante os 16 anos de existência
da Printcor, sempre houve por parte da diretoria
e do departamento técnico empenho em substituir
produtos que tivessem suspeita de serem prejudiciais à saúde
e ao ambiente.”
Emeprint
• MPSolv
40 - agente de limpeza ("wash") sem composto
aromáticos, baixo teor de toxidade, isento
de BTX, alto rendimento e baixo odor residual,
não prejudica a rolaria da impressoara offset.
Para limpeza manual ou em sistemas automáticos.
• Linha
Websolv e Websolv Plus para Rotativas e Jornais -
semelhante ao MPSolv 40, foi desenvolvido para uso
em máquinas rotativas e impressoras
de jornais. Pode ou não ser miscível,
sendo adicionada uma parte de solvente em três
de água, tornando mais eficiente a retirada
das cargas minerais do papel que se acumulam nas
blanquetas.
• Ecologicsolv
56 - para uso em limpeza manual ou automática.
Solvente ecológico,
biodegradável, baixo índice de toxidade,
inferior a 0,001%. Baixo consumo, reduzindo o custo
de limpeza; desenvolvido dentro de padrões
internacionais.
• Ecologicsolv
58 - para uso em limpeza manual ou automática (puro), miscível
em até 20% em água, tornando mais
eficiente a retirada das cargas minerais do papel
que se acumulam nas blanqueta. Solvente ecológico,
biodegradável, com baixo índice de
toxidade, inferior a 0,001%. Baixo consumo, reduzindo
o custo de limpeza; desenvolvido dentro de padrões
internacionais.
• Ecologicsolv
07 - para limpeza manual ou automática (puro),
miscível
em até 50% em água, tornando mais
eficiente a retirada das cargas minerais do papel
que se acumulam nas blanquetas. Solvente ecológico,
biodegradável, baixo índice de toxidade,
inferior a 0,001%. Baixo consumo, reduzindo o custo
de limpeza; desenvolvido dentro de padrões
internacionais.
• Solvente
de Limpeza UV - para uso em offset e serigrafia,
quando do uso de tintas e vernizes com secagem
por radiação
UV.
• Limpadores
para Vernizes à Base de Água
- trata-se de um agente de limpeza para produtos à base
de água. Tem ação desengraxante
e não promove o ressecamento dos rolos de
borracha da impressora.
• Limpadores
do Sistema de Molhagem - aplicado no sistema de
molha da impressora (planas ou rotativas), promove
a retirada de resíduos,
fungos e bactérias, deixando o sistema limpo
e tornando a molha mais eficiente pela redução
da contaminação da solução
de molhagem.
• Pasta
de Limpeza - para a retirada de resíduos
dos rolos, ótima atuação
para descristalização de rolaria
das impressoras, revigorando e revitalizando os
rolos de tinta, aumentando assim a vida útil.
Duplycopy
• Hidro
Solv News Eurostar - solvente ecológico
e biodegradável produzido no Brasil sob
licença pela Duplicopy para limpeza de impressoras
rotativas. Produto com ponto de fulgor de 60 graus
e solúvel em água na proporção
de 3:1 (1 litro de solvente para 3 litros de água).
Devido ao fato de ser miscível em água,
esse solvente passa a ter ótimo custo-beneficio
em relação aos demais solventes do
mercado.
• DupliEcoSolv
1256 - solvente ecológico
e biodegradável com teor de toxicidade inferior
a 0,001% e ponto de fulgor de 40 graus, especialmente
desenvolvido para limpeza de impressoras offset
planas com sistema de lavagem automática.
Produto com excelente poder de solvência
de tinta.
• DupliAquaSolv
1258 - solvente ecológico
e biodegradável com teor de toxicidade inferior
a 0,001%. Miscível em água a 20%
para limpeza de impressoras offset planas com sistema
de limpeza manual. Por ser solúvel em água,
torna mais eficiente a limpeza e reduz o custo,
tornando o benefício mais evidente.
• DupliHidroSolv
2007 - solvente ecológico e biodegradável
com ponto de fulgor de 60 graus, miscível
em água na proporção de um
para um. Desenvolvido especialmente para limpeza
de impressoras offset planas com sistema de limpeza
manual. O fato de ser solúvel em água
torna mais eficiente a limpeza e mostra com mais
evidência o seu bom custo-benefício.
• Wash
Eurostar - solvente convencional produzido no Brasil
sob licença; baixo teor de toxicidade
(1%) e ponto de fulgor de 38 graus. Desenvolvido
especialmente para limpeza de impressoras offset
planas com limpeza manual ou automática;
tem excelente poder de limpeza.
Printcor
• Hidrowash
- solvente de limpeza atóxico. Produto importado,
indicado para limpeza manual de rolaria e cauchu
de máquinas offset.
• A-Wash
- solvente de limpeza atóxico. Produto importado, indicado
para limpeza automática de rolaria e cauchu
de maquinas offset.
• Lavaprint
- solvente de limpeza atóxico. Produto nacional
fabricado pela Printcor, indicado para limpeza
automática
e/ou manual de rolaria e cauchu de máquinas
offset |